Governo anuncia medida provisória para renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas rurais

Governo anuncia medida provisória para renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas rurais

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O governo federal e o Congresso Nacional anunciaram, nesta quarta-feira (15), um acordo para substituir o projeto de lei que tratava da renegociação de dívidas rurais por uma medida provisória (MP). Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta permitirá renegociar cerca de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores rurais afetados por perdas provocadas por eventos climáticos e oscilações nos preços agrícolas.

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O anúncio foi feito após reunião entre representantes do governo, parlamentares e integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A medida provisória deverá ser publicada ainda nesta quarta-feira.


Acordo

Participaram da reunião os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e de Relações Institucionais, José Guimarães; o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta; o deputado Arnaldo Jardim, e a senadora Tereza Cristina, ambos da FPA.

Hugo Motta ressaltou que o entendimento buscou conciliar o atendimento aos produtores com a responsabilidade fiscal.

— Depois da aprovação no Senado, sem acordo com o governo, chamamos os atores para a mesa para tratar isso com equilíbrio e buscar uma resolução que coubesse nas contas do país e levasse em consideração esse momento de dificuldade dos nossos produtores — disse o presidente da Câmara.


Adesão

A MP beneficiará produtores e cooperativas que registraram perdas entre 2019 e 2025.

Na regra geral, poderão renegociar as dívidas agricultores que tiveram:

  • Perdas em duas ou mais safras;
  • Redução mínima de 30% da renda bruta, causada por eventos climáticos ou queda dos preços agrícolas.

Os produtores com perdas mais severas deverão comprovar:

  • Três ou mais safras afetadas;
  • Redução de pelo menos 40% da renda bruta, especialmente em regiões atingidas por eventos climáticos, como o Rio Grande do Sul.

 

Condições

 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta foi construída para atender a maior parte dos produtores em dificuldades sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

— O Banco do Brasil está pronto para receber os agricultores endividados, renegociar as dívidas, para que a gente vá adiante e para que o Plano Safra recém-anunciado comece a operar  —  disse o ministro.

As condições variam conforme o perfil do produtor.


Regra geral

Para produtores enquadrados nas regras gerais, a MP prevê:

  • Prazo: até oito anos para pagamento;
  • Carência: até dois anos para pagar a primeira parcela;
  • Entrada não será exigida.


Juros anuais:

  • 6% para operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);
  • 9% para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp);
  • 12% para os demais produtores.


Maiores perdas

Nos casos de perdas mais expressivas provocadas por eventos climáticos, as condições serão mais favoráveis:

  • Prazo de até 10 anos;
  • Carência de até dois anos;
  • Entrada dispensada.

Juros anuais:

  • 5% para o Pronaf;
  • 8% para o Pronamp;
  • 11% para grandes produtores.


Fundo garantidor

A medida provisória também criará um fundo similar ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para ampliar o acesso ao financiamento rural de médio e longo prazo.

Segundo Durigan, a União poderá aportar até R$ 2 bilhões no mecanismo, que também deverá contar com a participação de bancos, estados e municípios.

—  Vamos avançar, do ponto de vista da União, com um limite de até R$ 2 bilhões de aporte para esse fundo garantidor. Também vamos convocar bancos, estados e municípios que queiram contribuir — informou.


Outras medidas

Além da renegociação das dívidas, a MP prevê:

  • Suspensão por 30 dias das parcelas contempladas pelo acordo, inclusive das que venceriam imediatamente;
  • Reaproveitamento das garantias já vinculadas aos financiamentos, sem exigência de novos bens;
  • Possibilidade de os bancos prorrogarem automaticamente operações enquanto os pedidos de renegociação são analisados;
  • Criação de mecanismos para facilitar o crédito rural e reduzir o custo das operações.

Com o acordo, o projeto de lei que tramita no Congresso será retirado de pauta e substituído pela medida provisória, cuja publicação, segundo o governo, ocorrerá ainda nesta quarta-feira.

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