Inovação foi o tema de diversos eventos nesta terça-feira (28) em Santa Maria. No início da manhã, ocorreu uma edição do Finep pelo Brasil no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O evento aberto para empresas, cooperativas, startups e instituições de ciência e tecnologia recebeu diversas autoridades e profissionais, sendo o palco perfeito para compartilhar com o mundo um novo projeto: o Hub de Medicina Nuclear.
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Pensado para ampliar a capacidade regional de assistência, ensino, pesquisa e inovação em medicina nuclear, o projeto é capitaneado pela Rad+ Radiologia e terá caráter institucional e macrorregional. A estrutura será implantada junto ao Hospital São Francisco de Assis, no Bairro Nossa Senhora de Lourdes (abaixo), em um novo prédio de pouco mais de 500 metros quadrados, construído em anexo à atual operação da Rad+ em Santa Maria, que já conta com 880 metros quadrados.

O investimento previsto é de R$ 30 milhões, sendo R$ 25 milhões em equipamentos. Entre os serviços a serem ofertados no local, estão cintilografia, Tomografia por Emissão de Pósitrons acoplada à Tomografia Computadorizada (PET-CT) e quartos terapêuticos, o que possibilitará realizar teradiagnóstico e teratratamento em Santa Maria.
– Os pacientes que têm câncer vão ter acesso a exames mais elaborados, como a cintilografia, que já existe na cidade, mas também como PET-CT e espaços para tratamento com radionuclídeos. Estes são os quartos terapêuticos, onde podemos fazer uma "radioterapia interna" no paciente, que tem melhor resultado e menos dano colateral. Isso não existe aqui na região central, então é uma inovação muito grande. Estruturamos essa unidade como um hub porque precisamos que haja assistência, ensino, pesquisa e inovação, tudo no mesmo lugar. Essa estruturação é muito inovadora e permite um avanço técnico-científico grande da medicina na região, trazendo de volta o protagonismo de Santa Maria na saúde – reforça o médico radiologista e CEO da Rad+ Radiologia, Guilherme Heuser.
A expectativa é de que o novo hub beneficie pacientes de Santa Maria, da Região Central, da Fronteira Oeste e de áreas que hoje já se dirigem ao município em busca de atendimento especializado. Um prazo para o início dos atendimentos também foi comentado por Heuser:
– Esse processo não é rápido, pois exige liberações de órgãos federais, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear, uma vez que tratamos com radiofármacos. Como esses compostos são radioativos, existe todo um cuidado, mas a nossa expectativa é que, em 36 meses, tenhamos o início da operação desse serviço.
Parcerias
A proposta conta com a participação de diversas instituições. Entre elas, o Hospital São Francisco de Assis, que é gestionado pela Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas). Ao Diário, a presidente da Sefas, Irmã Liliane Pereira (foto abaixo) falou sobre a iniciativa:
– A ideia de trazer a medicina nuclear para Santa Maria, a partir dessa parceria interinstitucional, é exatamente para poder oferecer um serviço de qualidade e aumentar a complexidade tanto da instituição quanto dos serviços de radiologia e de diagnóstico por imagem. Nossa expectativa agora é trabalhar para que o projeto realmente saia do papel, transformando o que está proposto em algo efetivo dentro do hospital.

Segundo o prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo (PSD), a cidade já é reconhecida como um grande polo de saúde, atendendo toda a região. E nesse contexto, o Hub de Medicina Nuclear vem para fortalecer ainda mais esse papel.
– Com o Hub, estamos falando mais do que investimento: estamos falando de ampliar o acesso a exames e tratamentos de alta complexidade. Na prática, é a saúde mais próxima das pessoas, sem a necessidade de deslocamentos para outros centros. Para nós, todo investimento que fortalece esse ecossistema é fundamental, porque reforça o que já somos e nos projeta, cada vez mais, como referência em saúde para toda a região – afirma.
A importância do Hub de Medicina Nuclear também é comentada pelo presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism), Andrei de Lacerda Nunes:
– Esse Hub de Medicina Nuclear, que estamos iniciando juntamente com vários outros stakeholders, vai trazer para Santa Maria um certo pioneirismo, envolvendo todos para que o projeto seja benéfico tanto para a economia quanto para a função social, por meio da inovação na medicina nuclear. O que mais nos deixa felizes, na Cacism, é esse envolvimento entre a sociedade civil, o setor produtivo e a academia. Todos estão unidos em prol de um projeto que vai revolucionar a área em Santa Maria, contando com atores já existentes e novos atores na cidade. Sou muito otimista em relação a isso.
Para o presidente da Associação dos Municípios da Região Central do Estado (AMCentro) e prefeito de Agudo, Luís Henrique Kittel (PL) (foto abaixo), o Hub de Medicina Nuclear representa o futuro e a melhoria da qualidade de vida dos gaúchos.
– É sempre muito importante falar sobre inovação, ainda mais levando em consideração o potencial que temos aqui na região central do Estado. Aqui na volta, temos muitos serviços e situações, por exemplo, de agricultura, de saúde e de infraestrutura que precisam ser trabalhadas. Por isso, enxergamos com satisfação iniciativas como essa do Hub e as possibilidades de cada vez mais melhorarmos em termos de região – argumenta Kittel.

A iniciativa também conta com a participação da Universidade Franciscana (UFN), Grupo Oncoclínicas e Animati, dando sustentação técnica, científica, assistencial e estratégica ao empreendimento.
Ensino
Ao reunir universidade, hospital, setor privado, entidades e especialistas da medicina nuclear, o Hub de Medicina Nuclear se coloca como um ambiente de desenvolvimento técnico e científico, com potencial para fortalecer pesquisa, formação profissional e geração de novas competências em saúde para Santa Maria e região. Segundo o pró-reitor de inovação e empreendedorismo (Proinova) da UFSM, Daniel Bernardon, a instituição também faz parte do projeto capitaneado pela Rad+ Radiologia.
– Estamos fazendo toda a articulação para submeter aos editais da FINEP e obter o financiamento para o desenvolvimento. O hub terá uma visão mais holística, trabalhando desde a residência e capacitações até a aproximação com instituições de ensino e hospitais para desenvolver novos produtos e testar soluções. É um ganho muito grande para a cidade. É uma iniciativa muito boa. A Rad + nos procurou e agora estamos atuando como facilitadores para tirar o projeto do papel e botar em prática essa parceria que vai agregar muito para a região – explicou.
Dentro da UFSM, a coordenação do Hub será feita pelo professor do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (Ctism), Luiz Schirmer. Ao Diário, o docente falou sobre o trabalho a ser feito:
– Minha área de pesquisa principal é inteligência artificial e visão computacional. Através desse projeto, esperamos atacar uma área estratégica para a UFSM, que nos tornarmos um dos líderes em inteligência artificial no Estado. Acreditamos que isso trará oportunidades para a criação de novas tecnologias e formação de recursos humanos dentro da universidade, sendo benéfico para a sociedade, as empresas e para a medicina.
Também participam do projeto médicos nucleares do Instituto do Cérebro (InsCer) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) como Cristina Matushita (foto abaixo), que atua há mais de 20 anos na área. Para Cristina, Santa Maria e região tem muito a ganhar com a instalação do novo serviço, que deve ampliar a capacidade de resposta em áreas como oncologia, neurologia avançada e cardiologia avançada.
– A medicina nuclear é o futuro da medicina. Ela é um serviço de imagem e de terapia, onde realizamos imagens principalmente de pacientes oncológicos. A partir dela, conseguimos estadiar a doença, acompanhar o tratamento e determinar, antes mesmo do tratamento finalizar, se ele está funcionando ou não. Isso ajuda o paciente a não perder tempo com terapias desnecessárias e auxilia o sistema a não gastar com tratamentos que não fazem – comenta ela que também é diretora da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs).
