Foto: Anselmo Cunha (Arquivo Diário)
O infectologista e professor da UFSM Alexandre Schwarzbold foi coordenador dos estudos clínicos da vacina de Oxford no Husm
Mesmo após o fim do período mais crítico da pandemia, a Covid-19 segue circulando e ainda representa risco para grupos vulneráveis. Em Santa Maria, um estudo clínico conduzido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Centro de Pesquisa Clínica ligado à instituição, busca testar a eficácia de um novo medicamento antiviral para pacientes com maior risco de desenvolver formas graves da doença.
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O infectologista e professor da UFSM, Alexandre Schwarzbold, explicou em entrevista ao programa Direto da Redação, do Grupo Diário, que o ensaio clínico está em fase avançada e integra uma rede de cerca de 10 centros de pesquisa no país, incluindo unidades no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Segundo o médico, o estudo é voltado especialmente para idosos, obesos, cardiopatas, pacientes em tratamento contra o câncer e pessoas com doenças pulmonares crônicas.
– Não é voltado para a população em geral. É uma oportunidade de acesso a uma medicação para pacientes de alto risco que confirmem o diagnóstico de covid-19 – afirma.
Covid ainda causa mortes no país
De acordo com Schwarzbold, apesar de a covid não apresentar mais comportamento epidêmico, o vírus continua sendo uma importante causa de internações e mortes por doenças respiratórias graves, principalmente entre idosos.
– Dados recentes do InfoGripe mostram que a covid ainda é a segunda principal causa de morte por síndrome respiratória grave na população idosa no Brasil – destaca.
O médico ressalta que o período de outono e inverno aumenta a circulação de vírus respiratórios, favorecendo casos mais graves em pessoas vulneráveis.
Estudo está na fase 3
O antiviral testado já passou pelas etapas iniciais de segurança e atualmente está na chamada fase 3, quando os pesquisadores avaliam a eficácia do medicamento em uma população maior.
– Já é um estudo mais avançado. A medicação foi testada do ponto de vista de segurança e agora buscamos confirmar a eficácia para que possa ser utilizada na população – explica.
A expectativa é que os resultados sejam analisados até 2027. Caso os dados sejam positivos, o medicamento poderá estar disponível para a população entre 2027 e 2028.
Como participar do estudo
Pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 podem ser encaminhados por médicos da rede pública ou privada. Também é possível procurar diretamente o Centro de Pesquisa Clínica da UFSM.
Além do atendimento aos pacientes já diagnosticados, o centro também realiza testagem para confirmar casos suspeitos.
O serviço funciona junto ao Centro Clínico anexo ao Hospital São Francisco, em parceria com a Universidade Franciscana (UFN).
Contato para informações e encaminhamentos:
(55) 99702-9186 (WhatsApp)
Vacinação segue sendo fundamental
Apesar do avanço nas pesquisas por novos tratamentos, Schwarzbold reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção para os grupos de risco.
– Para idosos e pessoas com comorbidades, a recomendação segue sendo a vacinação anual contra a covid e também contra a gripe. As duas vacinas podem ser aplicadas no mesmo momento – orienta.
Santa Maria como polo de pesquisa
O infectologista também destacou a importância de Santa Maria participar de estudos multicêntricos nacionais, ampliando o acesso da população local a novos tratamentos e fortalecendo a pesquisa acadêmica na área da saúde.
– Muitas vezes, por estarmos longe dos grandes centros, acabamos tendo menos acesso a novos medicamentos. Esse tipo de estudo oportuniza esse acesso e fortalece o desenvolvimento científico – conclui.
Confira a entrevista completa