Foto: Rian Lacerda (Diário)
Mais de 30 servidores técnico-administrativos em greve ocupam o prédio da reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desde as 5h da manhã desta terça-feira (16). Com faixas e um carro posicionado na entrada do local, o grupo protesta contra a decisão da universidade de utilizar trabalhadores externos do Sistema Único de Saúde (SUS) para substituir os servidores paralisados no setor de esterilização do curso de Odontologia. A categoria afirma que a medida desrespeita o direito de greve e aguarda a chegada da reitora para uma reunião de negociação na tarde de hoje.
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O assunto foi debatido na edição desta terça-feira (16) do programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN.
Segundo a coordenadora da Assufsm e representante do Comando Local de Greve, Loiva Chansis, os servidores estão no local desde a madrugada de terça. Ela explicou que o Comando Local de Greve realiza reuniões todas as terças-feiras, mas que, desta vez, a categoria decidiu ocupar a Reitoria após tomar conhecimento da atuação de profissionais externos na Odontologia.
— Nós estamos aqui desde as 5h da manhã. Tradicionalmente, todas as terças temos reunião do nosso Comando Local de Greve, mas hoje ocupamos a Reitoria por uma motivação que consideramos uma atitude antisindical da administração. Sempre estivemos à disposição para dialogar sobre as questões envolvendo a greve — afirmou.
A dirigente sindical ressaltou que a categoria está em greve há mais de 100 dias pelo não cumprimento do acordo firmado com o governo federal e criticou a decisão da universidade.
— A Reitoria trouxe trabalhadores do SUS para fazer o trabalho das técnicas e dos técnicos em greve na Odontologia. Você tira trabalhadores de um sistema já precarizado para atender uma demanda específica da universidade. Isso é uma atitude antidemocrática e antisindical — disse.
Durante a entrevista, Loiva argumentou ainda que a greve precisa produzir impactos e questionou a substituição de trabalhadores paralisados.
— Uma greve sempre causa impacto. O que não pode acontecer é a substituição de quem está em greve. Precisava ter diálogo antes de qualquer medida — afirmou.
A coordenadora explicou que a ocupação é organizada pelo Comando Local de Greve e informou que o grupo aguarda uma reunião com a administração da universidade ainda nesta terça-feira.
Reitora diz que serviços atendem casos essenciais
Em entrevista ao programa, a reitora Martha Adaime negou que tenha havido substituição de grevistas e explicou que os profissionais foram disponibilizados pela prefeitura para garantir atendimentos considerados essenciais à comunidade.
— Nós temos um curso de Odontologia que presta serviços importantes à comunidade de Santa Maria, como cirurgias bucomaxilofaciais e atendimentos relacionados ao câncer de boca. São tratamentos que não podem ficar tanto tempo sem atendimento — afirmou.
Segundo Martha, antes de aceitar a ajuda da prefeitura, a universidade solicitou, em duas oportunidades, a liberação de servidores grevistas para atender esses casos específicos, mas não obteve autorização do Comando de Greve.
— Nós solicitamos que eles nos dessem a excepcionalidade para esses serviços serem realizados. Quando tivemos o retorno, ele foi negativo. Então a própria prefeitura colocou profissionais à disposição para fazer a esterilização e permitir que esses pacientes continuassem sendo atendidos — explicou.
A reitora também relatou que não conseguiu acessar seu gabinete nesta manhã e informou que os servidores da Reitoria foram orientados a trabalhar remotamente.
— Liberamos todo o pessoal da Reitoria para o trabalho remoto e vamos remarcar as agendas do dia. O que nos preocupa, neste momento, é que temos até o meio-dia para fazer o fechamento da folha de pagamento — disse.
Segundo a reitora, caso o bloqueio permaneça e o procedimento não seja concluído dentro do prazo, poderá haver atraso nos pagamentos.
— Não vamos deixar de receber, mas poderá haver atraso no pagamento dos servidores ativos, aposentados e trabalhadores vinculados ao hospital universitário — afirmou.
No local, a reportagem acompanhou a movimentação e relatou que entre 30 e 40 pessoas participavam da ocupação. O hall do prédio da antiga Reitoria está praticamente ocupado. Entre os cartazes exibidos pelos manifestantes estão frases como "Respeito à greve", "Fim da ação antissindical" e "30 horas para todos já".
Até o fim da manhã, os servidores permaneciam no local aguardando uma reunião com a Reitoria para discutir os desdobramentos do impasse.