Foto: Marcelo Oliveira (Arquivo/Diário)
O Rio Grande do Sul está entre os estados em alerta para o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme o novo boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (28). O levantamento aponta crescimento das hospitalizações por influenza A em toda a Região Sul, além de tendência de alta nos casos de SRAG em Porto Alegre nas últimas semanas. O cenário acompanha o avanço nacional das internações por vírus respiratórios, especialmente influenza A e vírus sincicial respiratório (VSR).
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Segundo a análise da Fiocruz, referente à Semana Epidemiológica 20, entre os dias 17 e 23 de maio, o aumento dos casos de SRAG ocorre em todas as faixas etárias no país. Nas crianças de até 4 anos, o crescimento está relacionado principalmente ao VSR. Já entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o rinovírus aparece como um dos principais responsáveis pelas internações. Entre jovens, adultos e idosos, a influenza A é o vírus com maior impacto.
O boletim também destaca que Porto Alegre está entre as 15 capitais brasileiras que apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento de longo prazo nas últimas seis semanas. Além da capital gaúcha, cidades como Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte e Rio de Janeiro também aparecem na lista.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, alerta que a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção contra os quadros graves das doenças respiratórias.
– A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco – afirma Tatiana.
Além da vacinação, a pesquisadora reforça a importância das medidas de etiqueta respiratória, principalmente neste período de maior circulação de vírus. Entre as orientações estão cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos com frequência, evitar compartilhar objetos de uso pessoal e usar máscara em caso de sintomas gripais.
Cenário epidemiológico no país
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, o vírus sincicial respiratório respondeu por 47,6% dos casos positivos de SRAG no país. Na sequência aparecem influenza A, com 22,4%, rinovírus, com 23,9%, influenza B, com 4,7%, e Covid-19, com 2,3%.
Entre os óbitos registrados no mesmo período, a influenza A aparece como principal causa entre os vírus respiratórios identificados, representando 51,2% das mortes. O maior impacto da mortalidade ocorre entre idosos a partir de 65 anos.
Em 2026, o Brasil já notificou 70.211 casos de SRAG, sendo 33.245 com confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. Desses, 25,4% foram causados por influenza A, 29,7% por vírus sincicial respiratório e 33,9% por rinovírus.
O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para monitoramento dos casos de SRAG no país e auxilia as autoridades de saúde na definição de ações de prevenção e resposta diante do aumento das doenças respiratórias.