"É um último instrumento quando as negociações não avançam", diz coordenador da Assufsm sobre greve de técnicos administrativos da UFSM

Foto: Assufsm (Divulgação)

Servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estão mobilizados em um movimento de greve que busca pressionar o governo federal a cumprir integralmente um acordo firmado ao final da paralisação nacional de 2024. A mobilização foi iniciada em 23 de fevereiro e envolve trabalhadores ligados à Associação dos Servidores da Universidade Federal de Santa Maria (Assufsm).

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Em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, o coordenador-geral da entidade, Guilherme Elwanger, afirmou que o movimento atual é um desdobramento da greve realizada há dois anos.

— Infelizmente a gente está aqui novamente conversando sobre o movimento de greve. Essa greve de 2026, na verdade, é um desdobramento ainda da greve de 2024. A gente não tem nenhuma pauta nova, a gente está cobrando o cumprimento integral do termo de acordo de greve que foi firmado com o governo federal ao término da nossa greve — disse.

Segundo ele, a paralisação de 2024 ocorreu após um longo período sem recomposição salarial da categoria.

— Naquele momento a gente vinha com sete anos sem reajuste salarial, com uma defasagem que superava 50%. Fizemos um movimento de greve bastante forte nacionalmente, com mais de 100 dias de paralisação — relatou.


Pontos do acordo ainda não foram implementados

De acordo com Elwanger, parte dos compromissos assumidos pelo governo federal foi cumprida, principalmente em relação ao reajuste salarial previsto para 2025. No entanto, outros pontos do acordo ainda não foram implementados.

— Ao longo de 2024 e todo 2025, a gente viu parcialmente esse acordo ser cumprido, mas outras partes não foram implementadas pelo governo. Tentamos negociar, fizemos paralisações e reuniões, mas alguns pontos seguem sem solução. A greve é um último instrumento que a gente usa para tentar negociar com o governo quando as negociações não avançam — afirmou.

Ele acrescenta que parte das pendências envolve direitos de servidores aposentados.

— O acordo de greve não tratava somente de reajuste salarial. Alguns pontos, principalmente que envolvem nossos aposentados, não foram cumpridos pelo governo federal. Por isso a gente deflagrou novamente esse movimento.

Segundo o dirigente sindical, a maioria das medidas previstas no acordo deveria estar implementada até abril de 2026.

— A gente não está pedindo nada novo. Só estamos pedindo que o governo cumpra aquilo que já foi acordado e assinado pelo próprio governo — reforçou.


Mobilização na UFSM

Em Santa Maria, os servidores estão organizados em um comando local de greve desde o dia 23 de fevereiro. Um espaço de mobilização foi montado próximo ao prédio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na entrada do campus da universidade.

Delegados da base local também foram enviados a Brasília para acompanhar as negociações com o governo federal junto ao comando nacional da greve.

— Como somos servidores públicos federais, a nossa negociação acontece lá — explicou.


Serviços podem ser afetados

Os técnicos administrativos atuam em diferentes setores da universidade, desde áreas administrativas até serviços de apoio ao ensino e à pesquisa.

— O técnico administrativo é quem trabalha nos bastidores para dar suporte para professores, alunos e para a universidade funcionar como um todo. A gente espera que tenha uma adesão grande da categoria para paralisar boa parte dos setores da universidade, especialmente administrativos — afirmou Elwanger.

Entre os setores que podem ser impactados estão secretarias de cursos, pró-reitorias, setores administrativos da reitoria, além de serviços da gráfica universitária e parte do funcionamento do Hospital Universitário.

No caso da saúde, a legislação determina a manutenção de serviços essenciais.

— Serviços essenciais, como no caso do hospital, têm paralisação parcial. A gente precisa manter pelo menos 30% da força de trabalho — explicou.


Greve já atinge universidades em todo o país

A mobilização também ocorre em outras instituições federais. Segundo a Assufsm, a paralisação já foi adotada por grande parte das universidades da base da federação nacional da categoria.

— Até ontem a informação que a gente tinha é que 38 universidades já estavam em greve, das 52 da base da nossa federação. Ou seja, a maior parte da nossa categoria já aderiu ao movimento — disse Elwanger.

Na UFSM, a adesão ainda está sendo consolidada, já que o movimento começou durante o período de férias acadêmicas.

— Agora, com o início das aulas, a gente espera que o movimento comece a tomar corpo dentro da nossa categoria e que tenha mais adesão nas próximas semanas — concluiu.

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