Foto: Eduardo Ramos (Diário/Arquivo)
Escola em 2023
A Escola Básica Estadual Érico Veríssimo, no bairro Perpétuo Socorro, em Santa Maria, enfrenta dificuldades no fornecimento de merenda e materiais básicos para cerca de 400 alunos após o bloqueio de verbas estaduais por supostas irregularidades na prestação de contas. A situação levou a instituição à inadimplência, motivou a abertura de uma sindicância pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e o afastamento preventivo do diretor. Diante da situação, a 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) adota medidas emergenciais para garantir as refeições dos estudantes.
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Cenários de instabilidade e dificuldades
O cenário tem gerado preocupação entre as famílias dos estudantes. Em relatos enviados à reportagem, mães de alunos relatam insegurança quanto à permanência dos filhos na escola e temem um possível encerramento das atividades. Uma mãe, que preferiu não se identificar, relatou que a comida preparada no turno da manhã, muitas vezes, falta para o turno da tarde.
O impacto também é sentido pelo corpo docente. Uma professora da escola confirmou que há falta de insumos elementares para ministrar as aulas, como folhas de ofício. Com isso, os próprios educadores acabam levando materiais de casa para tentar manter a normalidade das atividades. Há relato de falta de alimentos.
Verba bloqueada
A dificuldade para manter a merenda e os insumos em dia é consequência de um bloqueio financeiro gerado por questões administrativas. O coordenador da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), José Luis Viera Eggres, confirmou a situação e explicou que a escola estaria com dificuldades para comprovar a destinação dos repasses desde o início deste ano. Sem a prestação de contas no prazo legal, a escola entrou no cadastro de inadimplência do Estado, o que impede o envio de novos recursos para alimentação e manutenção.
Diante das supostas irregularidades, a Seduc interveio. No dia 5 de maio, uma portaria assinada pela secretária Raquel Teixeira instaurou uma sindicância investigativa. O documento também determinou o afastamento preventivo do então diretor por 60 dias.
Merenda emergencial
Com o afastamento do gestor, a escola foi assumida de imediato pelo atual vice-legal. Sobre o temor da comunidade a respeito de um fechamento da Érico Veríssimo, o coordenador da CRE negou a possibilidade. Ele ressaltou que as obras de infraestrutura no local, que somam um investimento superior a R$ 2 milhões em telhado, rede elétrica, pintura e parte hidráulica, não foram interrompidas.
– O Estado não ia investir mais de R$ 2 milhões numa obra lá para fechar a escola – assegurou Eggres.
Para que os alunos não fiquem sem alimentação, a equipe da CRE organizou um gerenciamento provisório e alternativo da merenda. A coordenadoria espera que o trâmite de troca de titularidade bancária para o novo diretor interino seja concluído nos próximos dias. A estimativa oficial é de que a escola saia da inadimplência e volte a receber as verbas entre esta sexta-feira (29) e a próxima segunda-feira (1) de acordo com Eggres.
O que dizem os envolvidos
O Diário esteve presencialmente na escola para tentar contato com a vice-direção e com o vice-legal que assumiu o comando da instituição, mas ambos preferiram não se manifestar sobre a situação.
A reportagem procurou a Secretaria de Educação do Estado, que ainda não retornou aos questionamentos. O diretor afastado também foi contatado e não respondeu até o fechamento desta publicação.