Oito escolas de Santa Maria estão na rota das Parcerias Público-Privadas

Oito escolas de Santa Maria estão na rota das Parcerias Público-Privadas

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac

Oito escolas estaduais de Santa Maria estão contempladas no projeto de Parceria Público-Privada (PPP) da Infraestrutura Escolar do Rio Grande do Sul. O programa prevê a concessão para a iniciativa privada da realização de reformas, adequações e requalificação estrutural, além da prestação de serviços não pedagógicos nas instituições. 

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

Com investimento anual de R$ 72,1 milhões, a proposta engloba 98 escolas de ensino fundamental e médio, espalhadas por 15 municípios gaúchos, e deve beneficiar 60.568 alunos. 

Na Região Central, além de Santa Maria, quatro escolas do município de Cruz Alta, que integram a área da 9ª Coordenadoria Regional de Educação (9ª CRE), também foram incluídas. O parceiro privado ficará encarregado de requalificar a infraestrutura das escolas e prestar serviços de apoio que não interferem nas atividades pedagógicas, tais como: conservação e manutenção predial, conectividade, zeladoria, higiene e limpeza, segurança e vigilância, jardinagem e controle de pragas, fornecimento de utilidades, gestão de resíduos sólidos e fornecimento de mobiliário e equipamentos. Não há previsão de qualquer intervenção pedagógica nas instituições de ensino. 

O plano prevê um contrato de concessão com o parceiro privado pelo prazo de 25 anos. Toda a estrutura do projeto está dividida em três sublotes, cada um compreendendo um bloco específico de escolas. Segundo a proposta do governo, o repasse da operação logística e estrutural permitirá que as direções escolares se concentrem exclusivamente no planejamento e na definição das diretrizes pedagógicas.

A seleção das instituições de ensino baseou-se em um levantamento técnico que mapeou as principais carências prediais da rede pública, com critérios focados na vulnerabilidade social por meio do Programa RS Seguro.

Foto: Vinicius Becker (Diário)


Cronograma

O cronograma para a escolha das empresas já está definido. A entrega das propostas pelas interessadas está prevista para o dia 22 de junho de 2026, das 10h às 12h. Pouco depois, no dia 26 de junho, às 14h, será realizado o leilão oficial na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. O critério estipulado em edital para definir o grupo vencedor será o de menor contraprestação pública, ou seja, a empresa que cobrar menos do Estado para gerenciar os serviços. 

As empresas selecionadas atuarão na gestão dos prédios e serviços não pedagógicos por um prazo de 25 anos.

Antes de se abrir a licitação, está prevista a realização de uma audiência e, também, de consulta pública sobre o projeto. Nessas oportunidades, serão colhidas todas as contribuições sobre o modelo do projeto.


O que prevê o projeto

  • Reestruturação elétrica completa – Substituição de fiações antigas e aumento da capacidade da carga elétrica para suportar novos equipamentos e aparelhos de ar-condicionado 
  • Recuperação de coberturas e lajes – Correção de infiltrações crônicas, troca de telhados danificados e impermeabilização para pôr fim às goteiras em dias de chuva forte 
  • Adequação de acessibilidade – Construção de rampas de acesso, instalação de pisos táteis e adaptação de banheiros para estudantes e servidores com deficiência ou mobilidade reduzida 
  • Reforma de cozinhas e refeitórios – Modernização dos espaços de preparo da merenda escolar, seguindo as normas rigorosas de vigilância sanitária 
  • Cercamento e segurança institucional – Reparos em muros, substituição de portões e reforço na iluminação externa para garantir a proteção do patrimônio público


Comunidade escolar defende: “educação pública é direito, não negócio”

Apesar de a urgência por melhorias nos prédios ser um consenso, o projeto enfrenta forte resistência de parcelas da comunidade escolar que enxergam a proposta como a “venda” de um patrimônio público.

Em Santa Maria, a Escola Estadual de Ensino Médio Santa Marta, que está entre as contempladas, realizou um protesto na última quarta-feira contra a PPP. O clima de contestação segue visível na fachada da instituição, onde um cartaz estampa o aviso: “Nossa história não está à venda”. Nos corredores, panfletos distribuídos por professores reforçam o manifesto com frases como “Educação pública é direito, não negócio”. 

Essa mobilização local ecoa a postura do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), que manifesta forte cautela em relação ao formato adotado pelo Palácio Piratini. Em entrevista, a presidente da entidade, Rosane Zan, apontou que os problemas estruturais da rede pública já eram de conhecimento das autoridades há anos. 

Para a líder sindical, o sucesso do atendimento aos estudantes e a dignidade do ambiente escolar dependem de investimentos diretos que vão muito além da assinatura de contratos com a iniciativa privada:

– Vamos fiscalizar de perto cada etapa desse anúncio para garantir que as obras saiam do papel e que o governo do Estado cumpra os prazos, pois a educação pública da nossa região já está no limite.



Governo do Estado confirma que escolas não serão privatizadas

Em contrapartida, o Executivo gaúcho assegurou por meio de nota que as escolas seguem públicas, com matrículas gratuitas, e que não haverá qualquer tipo de intervenção pedagógica ou venda de patrimônio público. A gestão do ensino e os currículos continuam sob a responsabilidade integral da Secretaria Estadual da Educação (Seduc). 

Instituto Estadual de Educação Olavo BilacFoto: Vinicius Becker (Diário)

Alinhado ao posicionamento do Estado, o coordenador da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ª CRE), José Luis Viera Eggres, reforçou em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93.5 FM), o caráter operacional do projeto e defendeu a necessidade de medidas mais dinâmicas para solucionar os problemas estruturais do interior.

– Não há nenhuma venda de escola, não está se vendendo patrimônio nenhum do Estado. Está sendo feita uma concessão de um serviço importante para poder melhorar e qualificar esses espaços, para que os nossos professores e estudantes tenham uma condição melhor nos espaços das nossas escolas. 

Além disso, a Secretaria de Obras do Estado, por meio da Coordenadoria Regional de Obras Públicas (Crop), informou que intervenções que já estão em andamento com empresas terceirizadas – como é o caso do Instituto Olavo Bilac, em Santa Maria – serão concluídas dentro da normalidade e dos prazos originalmente definidos, sem sofrerem interferência do novo modelo de PPP, que gerenciará apenas as demandas futuras.


O que pensam os gestores das instituições

O Diário buscou contato com as demais instituições de Santa Maria integradas ao projeto para ouvir suas direções. A Escola Estadual de Ensino Médio Professora Maria Rocha e a Escola Estadual de Ensino Médio Santa Marta optaram por não se posicionar no momento. Já as direções das escolas Dom Antônio Reis, Gomes Carneiro e Marechal Rondon também foram procuradas pela reportagem, mas não enviaram retorno até o fechamento desta edição. 

Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal RondonFoto: Vinicius Becker (Diário)

Segundo o diretor do Instituto Estadual Padre Caetano, Luiz Antônio Badinelli, a escola realmente precisa de investimentos:

– Já vem há muitos anos sem um investimento no sentido da infraestrutura. Nos últimos três anos, conseguimos receber uma verba extra e é com ela que a escola vem se restabelecendo, mas existe uma necessidade absurda. Nos parece que o objeto em questão é a manutenção das escolas, e a gente entende que isso é um movimento positivo, um projeto viável que vai vir a contribuir para a comunidade escolar. 

Na avaliação da diretora do Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac, Carla Teixeira, a inciativa trará benefícios à comunidade escolar: 

– Nosso posicionamento enquanto gestão sobre as discussões da PPP é claro: a escola continua pública, gratuita e laica, isso é garantido pela Constituição e não vai mudar. Toda a decisão que se toma passa pelo Conselho Escolar, com a participação de pais, alunos e servidores, porque a gestão democrática é lei. Nosso compromisso é garantir os 200 dias de aula com qualidade e segurança para todos os nossos alunos, e qualquer mudança será comunicada primeiro às famílias.


Instituições contempladas na cidade

  • Instituto Estadual Padre Caetano
  • Escola Estadual de Ensino Médio Professora Maria Rocha
  • Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac
  • Escola Básica Estadual Cícero Barreto
  • Escola Estadual de Ensino Médio Santa Marta
  • Escola Estadual de Ensino Médio Dom Antônio Reis
  • Escola Estadual de Ensino Fundamental General Gomes Carneiro
  • Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Rondon



Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Oito escolas de Santa Maria estão na rota das Parcerias Público-Privadas Anterior

Oito escolas de Santa Maria estão na rota das Parcerias Público-Privadas

Em meio a afastamento de diretor, Escola Estadual Érico Veríssimo enfrenta dificuldades de fornecer merenda escolar para alunos Próximo

Em meio a afastamento de diretor, Escola Estadual Érico Veríssimo enfrenta dificuldades de fornecer merenda escolar para alunos

Educação