Foto: Beto Albert (arquivo Diário)
O Jardim Botânico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) passou a integrar a Botanic Gardens Conservation International (BGCI), organização internacional que reúne jardins botânicos de mais de 100 países. Localizado no prédio 13F do campus sede e vinculado ao Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), o espaço divulgou a novidade em suas redes sociais no dia 7 de maio. A conquista representa um marco para o Jardim Botânico, que agora passa a fazer parte de uma rede global voltada à conservação da biodiversidade vegetal.
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De acordo com a diretora do Jardim Botânico, Simone Messina Gomez, a integração à rede internacional é um objetivo de longa data da gestão e deve contribuir diretamente para o desenvolvimento das atividades de conservação e pesquisa realizadas na universidade.
– A BGCI atua na conservação da biodiversidade em nível mundial e nos oferece referenciais e modelos a seguir. Ainda temos muito a aprender sobre práticas de conservação com eles – destaca a diretora.
Fundada em 1987, no Reino Unido, a BGCI é uma organização independente voltada à preservação da diversidade vegetal. A entidade reúne jardins botânicos e centros de conservação de diferentes nações, promovendo ações de pesquisa, educação ambiental e proteção de espécies ameaçadas. Entre os principais objetivos da organização, está o desenvolvimento de estratégias para reduzir os riscos de extinção de plantas e fortalecer iniciativas de conservação da biodiversidade em escala global.
Conservação e pesquisa
De acordo com Simone, a entrada do Jardim Botânico na BGCI deve ampliar as possibilidades de atuação em diferentes áreas. Além da visibilidade internacional para pesquisas e projetos, integrar a organização também garante acesso a redes globais de cooperação, programas de conservação de espécies vegetais e ferramentas científicas utilizadas por jardins botânicos ao redor do mundo.

Entre elas está o PlantSearch, plataforma internacional da BGCI voltada ao compartilhamento de informações sobre coleções vivas mantidas por jardins botânicos. A ferramenta reúne dados taxonômicos de mais de 1,1 mil coleções de plantas vivas, sementes, pólen e tecidos localizadas em diferentes países.
– Temos, agora, acesso a cadastros de plantas do mundo inteiro e nós vamos poder inclusive agregar nessa plataforma – expõe Simone.
Essa conexão também possibilita novas oportunidades de qualificação para a equipe e participação em iniciativas internacionais de conservação.
Acesso a recursos
Para a diretora do Jardim Botânico, fazer parte do BCGI ainda permite que o Jardim Botânico participe de editais internacionais de financiamento.
– É a primeira vez que a gente vai poder participar de um edital de fomento internacional para conseguir mais recursos aqui para o Jardim Botânico – destaca Simone.
Alguns editais já estão disponíveis para instituições vinculadas à organização. Um deles já está aberto e oferece 2,5 mil dólares para os jardins selecionados.
– Com esse recurso, podemos conseguir comprar materiais de consumo para os projetos e investir mais ainda no nosso local – afirma a diretora.
Próximos passos
Com a nova fase do jardim, a gestão evidencia a vontade de fortalecer ações voltadas à conservação do bioma Pampa:
– Nós já temos alguns projetos em andamento, um deles é criar um jardim só com plantas do bioma Pampa para incentivar a conservação.
O espaço possui uma característica considerada única por estar localizado em uma área de transição entre Mata Atlântica e Pampa, o que amplia o potencial para projetos de conservação de espécies nativas.
– Nós já identificamos que existem algumas espécies que estão em risco de extinção dentro do próprio jardim botânico e queremos multiplicar essas espécies e outras do bioma Pampa no nosso telhado verde – explica.
Utilizado como espaço de conservação e educação ambiental, o telhado verde do prédio 13F permite o crescimento de vegetação sobre a estrutura da construção e contribui para a absorção da água da chuva e preservação das plantas. Segundo a diretora, a proposta é reformular o paisagismo do local.
– Queremos recriar o paisagismo do telhado com o bioma pampa, porque nós entendemos que ele é algo único aqui do sul. Então, é algo inovador e que tem bastante chance de ganhar o edital de fomento, nós estamos bem confiantes – comenta.
Além disso, o espaço busca investir em iniciativas ligadas ao ecoturismo e à aproximação da comunidade com as atividades realizadas no jardim.