As bombas que explodiram e mataram cerca de 5 mil pessoas no Irã, provocando o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo do mundo, acabaram tendo efeitos no bolso da população do mundo todo, inclusive em Santa Maria e região. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, até agora, o maior impacto foi nos preços dos combustíveis.
Pesquisa feita na quarta (22) pelo Diário, com base no aplicativo Menor Preço, do governo do Estado, indica que o óleo diesel subiu, em média, R$ 0,91 na cidade desde o começo de março, enquanto a gasolina ficou R$ 0,16 mais cara.
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Em média, o diesel custava R$ 6,37 no dia 5 de março em Santa Maria, passando nessa quarta-feira (22) para R$ 7,28. Mas o aumento mesmo se concentrou em março, já que nas últimas semanas, os preços têm ficado estáveis na cidade. Enquanto no começo da guerra, o litro do óleo diesel variava entre R$ 5,67 e R$ 6,99 em Santa Maria, na quarta, os preços iam de R$ 6,79 a R$ 7,99. Na maioria das revendas, está entre R$ 7,29 e R$ 7,49. No diesel, houve postos em que os reajustes foram bem acima da média. Algumas revendas da cidade chegaram a aumentar o óleo diesel em R$ 1,60, R$ 1,70 e até R$ 1,76, enquanto outras elevaram os preços em R$ 0,37 e R$ 0,57.
Como o diesel é um dos principais gastos do frete no Brasil, isso acabou afetando os custos de todos os produtos e serviços, até mesmo a gasolina. Segundo o empresário Paulo Brondani, da PB Transportes, de Santa Maria, o aumento expressivo do diesel obrigou o repasse de uma alta de 9,1% no frete. Com quatro caminhões, a empresa carrega combustíveis nas refinarias e distribuidoras e entrega para postos de Santa Maria e região. O transporte mais caro fez com que a gasolina também subisse. No mês passado, a distribuidora Ipiranga repassou R$ 0,20 no litro.
Na pesquisa feita na quarta pelo Diário, o aumento médio na cidade foi de R$ 0,16 pelo litro da gasolina comum nos postos. Entre 38 revendas pesquisadas, a média de preços, que era de R$ 6,27 pela gasolina no dia 13 de março, passou para R$ 6,43 na quarta. O litro mais em conta, que saía por R$ 5,89 há 40 dias, estava nesta quarta a R$ 6,09. Já a gasolina mais cara, que era de R$ 6,99, manteve-se em R$ 6,99. Na quarta, a maioria dos postos vendia o litro na faixa de R$ 6,29 a R$ 6,69 – até porque esse é o valor de 10 revendas da mesma rede.
– Não tivemos como não repassar o aumento do diesel, que foi muito forte em março. Tivemos de subir o frete em 9,1% para nossos clientes, mas a federação dos transportadores do Estado diz que houve altas de frete superiores a 10% no Rio Grande do Sul. Isso impacta em tudo, pois tudo depende de transporte. Basta ir nos supermercados para ver os preços – diz Brondani, comentando não haver falta de combustíveis, mas ainda algumas restrições de quantidade nas distribuidoras para dividir a quantia disponível e atender aos pedidos de todos os postos.

Petróleo 40% mais caro
O governo federal, em parceria com os Estados, deu subsídios de R$ 1,20 no óleo diesel importado, mas isso não provocou queda dos preços ao consumidor, até porque a maior parte da produção é nacional. A medida talvez só evite novos aumentos nos postos. Mas tudo dependerá também da continuidade ou não da guerra no Irã.
Na última sexta, com o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo despencou 10% e baixou para 92 dólares. Porém, no dia seguinte, houve ataques e nova alta do petróleo. Na terça, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento do cessar-fogo, mas o Irã atacou na quarta com tiros e granadas dois navios que tentavam atravessar o estreito. Com isso, o barril do petróleo brent subiu 3,3%, cotado a 101,80 dólares – 40% acima dos 72 dólares de antes da guerra iniciar.