
A propósito do Dia dos Pais, que acontece no próximo domingo, Divaldo Franco no seu livro Divaldo Franco Responde, Volume 2, conta uma história real, que me permito reproduzi-la não exatamente com as mesmas palavras e nem com o mesmo talento, mas tirando dela apenas a sua essência. Certa ocasião, entrando em um voo, um homem estava destilando tanto mau humor que, gentilmente, foi abordado pela comissária de bordo que, percebendo o seu péssimo estado emocional, educadamente dirigindo-se a ele lhe disse: "Cavalheiro, o senhor me permite lhe dar uma sugestão?". Diante da simpatia e gentileza dela, ele respondeu que sim. "Leia o livro Amor e Sobrevivência, do Dr. Dean Ornish. Tenho certeza que o senhor vai se sentir muito melhor".
Ele agradeceu, sentou-se na poltrona e tentou esconder o rosto com o jornal porque ele era o próprio Dr. Dean Ornish, autor de um dos maiores best sellers que trazia em suas páginas mil receitas sobre bom humor e felicidade. Sim, ele mesmo, o homem que havia sido considerado pela revista Time uma das 50 personalidades mais influentes da sua geração nos Estados Unidos. Na poltrona do avião, escondido atrás do jornal, ele perguntou-se por que estava de mau humor? E chegou à conclusão de que a culpa era de seu pai, porque não houvera recebido dele o carinho e o afeto necessários. E naquele momento ele decidiu que quando desembarcasse ligaria para o pai para visitá-lo. Ligou e o pai concordou que ele fosse visitá-lo. No dia marcado para o encontro, o pai não estava no aeroporto a esperá-lo, o que lhe acentuou, ainda mais, a certeza de que o pai não gostava dele. Quando entrou na casa do pai, viu-o lendo o jornal.
Ele largou a mala e falou: "Papai, quero abraçá-lo!". "Então, me abrace", disse o pai. E ele, meio titubeante pela resposta, o abraçou e disse em tom irritado: "Eu sou infeliz por sua causa. Você nunca me abraçou, nunca me beijou, nunca me acariciou. E despejou todo aquele sentimento que fervilhava dentro dele por longos anos". O pai o escutou e, após ele ter parado de falar, disse: "Abra aquela mala, por favor!", apontando para uma mala que estava no canto da sala.
Ele abriu e encontrou nela centenas de recortes de jornais sobre o que a imprensa publicava sobre ele. "Pois é, meu filho amado! Tudo que a imprensa publica sobre você eu guardo com carinho e digo com todo o orgulho para todo mundo que você é meu filho. Reconheço que sou um homem tosco, de poucas palavras e até um pouco distante, mas não tive tempo de abraçá-lo porque sua mãe morreu e eu fiquei com você criança. E para educá-lo e lhe dar educação e dignidade, eu me desdobrei no campo. Olhe para as minhas mãos. Diferentemente das suas, elas são calejadas da enxada e do trator. Elas ficaram assim, e não me arrependo, para que você pudesse ter estudado em uma das melhores universidades da América a ponto de receber um convite especial do presidente para dormir uma noite na Casa Branca. Nunca me queixei das noites em claro que passei junto ao seu leito enquanto você ardia de febre. Pois, saiba que continuo trabalhando no mesmo solo que educou você.
E você nunca se lembrou do seu pai e ainda se atreve a dizer que eu sou o culpado pela sua infelicidade?". Nesse instante, ele caiu em si e, pela primeira vez, aos prantos, ambos trocaram um abraço afetuoso e verdadeiro e, pela primeira vez, o pai lhe acariciou a cabeça. Naquele instante, abraçado ao seu pai, o Dr. Dean Ornish libertou-se da mágoa que corroía o seu íntimo e percebeu que a infelicidade não é causada por mais ninguém senão que por nós mesmos. Claro que, aos moldes das historinhas infantis, eles não foram felizes para sempre, mas deram um passo importante para se perdoarem e se harmonizarem entre si, aliás, dois grandes objetivos das encarnações de todos nós. A propósito, você abraçou seu pai hoje ou vai abraçá-lo somente no domingo?