Foto: Reprodução / BBC News
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento na tarde deste sábado (3), em uma coletiva de imprensa realizada na Flórida, sobre o ataque conduzido por forças norte-americanas à Venezuela na madrugada e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. O casal está sendo levado em um navio de guerra para os EUA, onde pode chegar ainda neste sábado, possivelmente na Flórida ou em Nova York.
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Ao detalhar a ação militar, Trump apresentou o que classificou como os principais resultados da operação e expôs as linhas gerais do plano norte-americano para o país, que incluem a administração interina da Venezuela e o controle dos recursos petrolíferos.
“Foi uma operação incrível”

Segundo o presidente, a ofensiva foi conduzida sem baixas entre militares dos Estados Unidos e sem perdas de equipamentos. Trump classificou a operação como “extraordinária” e afirmou que não haveria precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.
De acordo com ele, a ação envolveu um grande contingente de aeronaves, helicópteros e tropas, em uma operação coordenada das Forças Armadas norte-americanas.
– Foi uma operação incrível. Nenhum americano foi morto e nenhum equipamento dos Estados Unidos foi perdido. Foram muitos helicópteros, muitos aviões, aeronaves, pessoas envolvidas nesse ataque [...]. As Forças Armadas americanas são as mais potentes do planeta, com habilidades que nem conseguimos imaginar – declarou Trump.
Ainda segundo o presidente, Maduro e Cilia Flores foram retirados da Venezuela por via aérea. Imagens divulgadas pela Casa Branca, de acordo com o governo dos Estados Unidos, indicaram que Trump acompanhou de perto os desdobramentos da operação. Ele próprio afirmou que assistiu as imagens da operação, em tempo real, em uma TV em seu quarto.
Explosões foram ouvidas na capital venezuelana, Caracas, a partir das 2h de sábado (3h no horário de Brasília). O governo da Venezuela denunciou a ação como uma “agressão militar” dos Estados Unidos.
– Estamos prontos para uma segunda onda de ataques na Venezuela, se for necessário – completou Trump.
“Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos”
Ao tratar dos desdobramentos políticos da ofensiva, Trump afirmou que o governo dos Estados Unidos passará a administrar a Venezuela de forma interina, após a captura de Maduro. Segundo ele, a medida seguirá em vigor até que seja possível estabelecer o que definiu como uma transição “adequada, justa e legal” no país. Só não deixou claro como fará isso, diante da recusa do governo da Venezuela e do apoio das Forças Armadas aos apoiadores de Maduro que seguem no poder em Caracas.
– Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos. Temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela – afirmou o presidente.
Trump declarou ainda que o objetivo seria garantir estabilidade, segurança e condições para que o país volte a funcionar, segundo ele, de forma adequada.
– Nós queremos ajudar esse país de uma forma justa, ter alguém ali até que essa situação seja resolvida. Nós iremos administrar o país até que ele possa permanecer de uma forma segura, apropriada e justa. Nós queremos paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela, e isso inclui muitos venezuelanos que vivem nos Estados Unidos e querem voltar para casa – declarou.
O presidente afirmou que a parceria dos Estados Unidos com a Venezuela poderá tornar o país, segundo ele, “rico, independente e seguro”, acrescentando que a população venezuelana “não vai mais sofrer”.
Questionado por jornalistas se a administração interina poderia significar a presença futura de tropas norte-americanas em solo venezuelano, Trump não descartou a possibilidade.
– Vamos garantir que esse país seja administrado corretamente – afirmou.
Trump não estabeleceu um prazo para o fim da ocupação interina e não detalhou quais mecanismos institucionais serão utilizados para governar o país durante esse período, afirmando que caberá aos Estados Unidos decidir quando o controle será devolvido aos venezuelanos.
“Uma estrutura de petróleo imensa foi roubada de nós”
Outro ponto central do pronunciamento foi o controle da exploração e da administração do petróleo venezuelano, considerada a maior reserva do mundo. Trump afirmou que um dos objetivos da ação norte-americana é assumir diretamente a gestão do recurso, sob a alegação de que ele teria sido “roubado” dos Estados Unidos.
Segundo o presidente, empresas norte-americanas do setor de energia devem iniciar operações na Venezuela, com a missão de reorganizar e recuperar a infraestrutura petrolífera do país. De acordo com ele, uma grande companhia dos Estados Unidos ficará responsável por administrar o sistema de produção, que classificou como deficitário.
– O negócio do petróleo tem sido um desastre nesse período e eles não distribuem quase nada em relação ao que poderiam. Vamos administrar e fazer com que uma grande empresa dos EUA conserte toda essa estrutura deficitária – afirmou.
Na sequência, Trump voltou a sustentar que os Estados Unidos teriam direito sobre os recursos energéticos venezuelanos e disse que a produção atual estaria abaixo do potencial do país.
– Uma estrutura de petróleo imensa foi roubada de nós. O petróleo será distribuído da forma que deveria, porque hoje o fluxo é pequeno – declarou.
“O ditador ilegítimo Maduro”: acusações de Trump

Os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas — algo que o governo venezuelano nega. Após sua captura, Maduro foi indiciado nos Estados Unidos por narcoterrorismo e outros crimes, segundo autoridades norte-americanas.
Ao justificar a operação, Trump acusou o presidente venezuelano de envolvimento direto com o tráfico internacional de drogas e de chefiar uma organização criminosa conhecida como Cartel dos Sóis. Segundo ele, as acusações constariam em processos apresentados pela Justiça dos Estados Unidos e estariam relacionadas ao envio de grandes quantidades de drogas ao país.
– O ditador ilegítimo Maduro foi responsável pelo tráfico de quantidades colossais de drogas mortais para os Estados Unidos. Conforme foi declarado na acusação, ele supervisionava o cartel conhecido como Cartel dos Sóis, que inundou nossa nação com um veneno letal responsável pelas mortes de incontáveis americanos – afirmou Trump.
Ainda segundo o presidente norte-americano, mesmo após o fim de seu mandato, Maduro teria permanecido no poder e promovido ações que, conforme sua avaliação, representariam violência e subversão contra os Estados Unidos. Trump também associou o governo venezuelano a grupos criminosos que atuariam em território norte-americano, citando a facção Trem de Aragua como exemplo.
Trump declarou que tanto Maduro quanto sua esposa, Cilia Flores, responderão à Justiça dos Estados Unidos em território norte-americano.
As acusações foram detalhadas pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, que informou que Maduro e Cilia Flores foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Segundo ela, Maduro responde por acusações de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de armamento pesado contra os Estados Unidos.
Bondi não detalhou, até o momento, quais são as acusações específicas atribuídas a Cilia Flores.
"Nós queremos paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela"

Ao falar sobre os próximos passos após a captura de Nicolás Maduro, Donald Trump afirmou que o objetivo dos Estados Unidos é garantir paz, segurança e justiça à população venezuelana, além de criar condições para que o país volte a se desenvolver. Segundo o presidente norte-americano, a administração interina permitiria aos venezuelanos ter acesso a riquezas que, conforme sua avaliação, teriam sido retiradas do país ao longo dos últimos anos. Trump disse que a Venezuela já foi um país próspero no passado e que poderia voltar a ocupar esse papel no cenário internacional.
– Nós queremos paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela. Vamos ajudar esse país de forma justa, administrar até que a situação seja resolvida de maneira segura e apropriada, para que a Venezuela possa voltar a ser um país de verdade – declarou Trump.
Contexto político
O ataque norte-americano à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro representam o ponto mais recente de uma escalada de tensões militares e diplomáticas entre os dois países, intensificada ao longo dos últimos meses. Desde o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, no início de 2025, o governo norte-americano passou a adotar uma postura mais agressiva em relação a Caracas, ampliando sanções, ações militares e medidas de pressão política.
Ao longo de 2025, Washington classificou organizações criminosas venezuelanas como grupos terroristas, aumentou recompensas por informações que levassem à prisão de Maduro, intensificou operações navais no Caribe e no Pacífico e autorizou ações especiais de inteligência em território venezuelano. Em paralelo, os Estados Unidos fecharam o espaço aéreo da Venezuela, recomendaram que cidadãos norte-americanos deixassem o país e anunciaram um bloqueio total a petroleiros sancionados. Antes da ofensiva deste sábado, os EUA ofereciam uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que resultassem na captura do presidente venezuelano.
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