Santa Maria celebrará Dia Internacional do DJ com sarau em março

Autor: Maria Eduarda Silva

Santa Maria celebrará Dia Internacional do DJ com sarau em março

Foto: Maria Eduarda Silva

Mãos de Marciano de Abreu em seu toca disco

Para valorizar o trabalho técnico e criativo dos DJs, um Sarau Eletrônico será realizado no dia 6 de março, a partir das 18h, na Taverna 91. O evento terá entrada franca e deve contar com apresentações de DJs convidados, sendo um espaço de troca de ideias entre profissionais, alunos e entusiastas da discotecagem.

​   ​+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

A proposta da atividade, segundo o DJ e professor do curso de DJ Ricardo Xavier, é desconstruir a ideia de que o DJ apenas “aperta o play” e deixa as músicas rolarem. A imagem do profissional em cima de um palco, cercado por aparelhos, luzes e cabos, levantando as mãos no ritmo da música enquanto a pista vibra, ainda alimenta o senso comum de que basta apertar botões, a festa está garantida. Ao Diário, os DJs Ricardo Xavier, 61 anos, Marciano Abreu, 50 anos e Ricardo Squarcieri, 44 anos, falaram sobre a escolha das faixas, o sincronismo das batidas e o improviso, que são partes essenciais da apresentação.

O que o público não vê 

Squarcieri atua como DJ há 36 anos. Segundo ele, após observar o clima da pista, o trabalho passa a exigir o uso do fone de ouvido, elemento visível e muitas vezes incompreendido pelo público

– Apertar o “play” faz parte do conjunto e os fones servem como o nosso retorno. Enquanto as pessoas estão curtindo, nós, por meio do fone, estamos escolhendo e ouvindo a próxima música e decidindo em que momento ela vai entrar – completa. 

Tocando de forma profissional desde 1988, Ricardo Xavier, diz que o DJ é, acima de tudo, um artista do improviso, mesmo que trabalhe com sequências ensaiadas. 

– Não é sempre que vai dar certo. Se não ficar legal, ele rapidamente muda (a música escolhida). Cada apresentação é única e depende do retorno do público – explica. 

A conexão com a pista é decisiva. De acordo com Xavier, não é possível chegar com um set totalmente fechado. É preciso observar reações, testar músicas e ajustar o repertório conforme a resposta de quem está dançando.

Marciano Abreu (esq), Ricardo Xavier (no meio) e Ricardo Squarcieri (dir) mostrando os seus discos favoritos junto dos seus equipamentos, toca disco e do controlador dj (aparelho de mixagem)Foto: Maria Eduarda Silva

Da fita cassete ao digital 

As primeiras experiências dos entrevistados revelam um cenário diferente do atual, marcado por recursos digitais e softwares de mixagem. Marciano Abreu, que trabalha como DJ há mais de 30 anos, relembra que os equipamentos eram limitados e exigiam maior domínio manual. 

– Os primeiros equipamentos não tinham nem “pitch” (dispositivo que regula a velocidade de giro do disco) para fazer a rotação, era algo mais intuitivo – afirma. 

Por meio do curso de DJ e tendo Ricardo Xavier como seu professor, ele conseguiu ampliar a sua visão sobre a técnica

– No início, era sorte. Mas com as aulas, eu vi que existe muito mais na mixagem do que só acertar a batida – finaliza Abreu. 

Squarcieri começou de forma autodidata, por meio de uma fita de videocassete adquirida pela internet de uma loja especializada em equipamentos para DJs em São Paulo. 

— Eu fiz o maior movimento para comprar. Na época, além da dificuldade para efetuar a compra, faltavam equipamentos adequados para treinar. Eu olhei aquela fita umas 400 mil vezes, só que eu não tinha o equipamento – conta.

Ricardo Xavier (dir) e Ricardo Squarcieri (esq) junto de discos de vinilFoto: Maria Eduarda Silva

Essência manual em tempos digitais 

Mesmo com os avanços tecnológicos, os DJs defendem que o domínio da técnica manual continua sendo fundamental. 

– Nós não somos contra a tecnologia. Só que a gente quer manter essa essência da discotecagem que é 100% manual e que depende somente da pessoa. – afirma Abreu. 

Com a ascensão das tecnologias, especialmente das Inteligências Artificiais (IAs), o debate sobre a profissionalização ganhou novos contornos. Relatório da plataforma de streaming Deezer aponta que, somente em 2025, foram lançadas 13,4 milhões de faixas geradas por IAs

Para Abreu, a facilidade proporcionada por equipamentos e ferramentas digitais tem aumentado o preconceito em relação à profissão. - Uma boa parte do público desconhece o tempo dedicado à pesquisa de lançamentos, estilos e repertório adequado para cada ambiente, etapa considerada essencial para uma apresentação de qualidade - complementa. 

A organização do Sarau Eletrônico é do curso de DJ da Musiartes, Amigos do Bolachão e do canal DJ-Television, no YouTube


Confira a programação:

  • O quê: Sarau Eletrônico
  • Quando: Terça (06/03) às 18h
  • Onde: Taverna 91 (Rua Dr. Astrogildo de Azevedo, 91)
  • Entrada: Franca.




Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

UFSM concede título de Doutor Honoris Causa ao músico Pedro Ortaça Anterior

UFSM concede título de Doutor Honoris Causa ao músico Pedro Ortaça

Saiba quais são as atividades de Natal de 2024 em Santa Maria Próximo

Saiba quais são as atividades de Natal de 2024 em Santa Maria

Cultura