Fé passada adiante

Neste sábado, caminhada marca os 30 anos da morte do diácono João Luiz Pozzobon

Mariana Fontana

Em 27 de junho de 1985, quando fazia o trajeto de casa até o Santuário de Schoenstatt, para acompanhar a missa, o diácono João Luiz Pozzobon foi atropelado por um caminhão na Avenida Dores. Ele, que ficou conhecido pela campanha da Mãe Peregrina, dedicou 35 anos de sua vida à religião e conquistou muitos devotos. Desde 1986, uma procissão ocorre aos dias 27 de junho para marcar a data da morte e prestar homenagens ao religioso. Neste sábado, completam-se 30 anos do falecimento, e uma programação especial foi planejada.

Pozzobon nasceu em 1904, em São João do Polêsine, mas mudou-se para Santa Maria em 1930. Casou-se duas vezes e teve sete filhos: Eli e Ari, do primeiro casamento, e Nair, Otilia, Pedrolina, Vilma e Humberto, do segundo. Trabalhou como agricultor, comerciante e marceneiro.

Segundo padre Argemiro Ferracioli, postulante da causa da canonização do diácono, a vida religiosa de Pozzobon começou a ser escrita em 1950, quando ele recebeu a imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e passou a levá-la às casas da comunidade. As famílias, divididas em grupos de 30 pessoas, recebiam, uma vez ao mês, uma réplica da imagem. Hoje, são mais de 200 mil réplicas em 120 países. Pozzobon também difundiu a fé na Mãe Rainha ao percorrer 140 mil quilômetros a pé, carregando uma imagem da santa e visitando casas, escolas e presídios.

— O matrimônio e o apostulado foram as realizações da sua vida, o que ele transmitia na peregrinação - afirma o padre.

Exemplo de pai

Humberto Pozzobon, de 72 anos, é o mais novo dos sete filhos e o que herdou a semelhança física do diácono. Segundo ele, Pozzobon foi, acima de tudo, um exemplo de pai. Humberto afirma que o pai só seguiu a vida religiosa depois de encaminhar a família.

— Meu pai dizia que, se descuidasse da família, em nada adiantaria servir à Mãe e levar sua imagem para outras famílias — afirma Humberto.

Um dos netos do diácono, o dentista João Luiz Pozzobon, 29 anos, carrega o nome do avô, além de nascer na mesma data dele: 12 de dezembro.

— Meu avô era uma pessoa especial, que queria ajudar o próximo — afirma, orgulho, João Luiz Pozzobon.

A caminhada especial, neste sábado, está marcada para iniciar às 6h, em frente à Casa Museu do diácono, na Avenida Osvaldo Cruz. Os participantes deve seguir em procissão até o Santuário de Schoensttat, onde será celebrada uma missa em memória do religioso.

À espera da canonização

De acordo o filho, o diácono acordava todos os dias às 5h e escrevia o que havia feito no dia anterior. Graças aos diários, foi possível ter conhecimento dos locais por onde passou, carregando a imagem da santa. Com a peregrinação, Pozzobon se tornou conhecido e conquistou devotos. O marceneiro Carlos Alberto Iop, 50 anos, não esconde a alegria em ter convivido com o diácono Pozzobon:

— Quando eu era pequeno, ele ia até a minha escola, em Vale Vêneto, para rezar conosco. Ele me incentivou a seguir esse trabalho e rezar. Hoje, ajudo no processo de canonização.

Pelo trabalho desenvolvido e pelo grande número de devotos conquistados, em 1994 foi dado início o processo de canonização do diácono. Nesse mesmo ano, ele conquistou o título de Servo de Deus. Em maio de 2009, começou a segunda instância do processo, que tramita no Vaticano. A finalização dessa etapa deve acontecer ainda neste ano e pode dar a Pozzobon o título de Venerável. Depois desse título, é preciso a comprovação de um milagre para que ele seja considerado beato e de um segundo milagre para a canonização.

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