Foto: Vinicius Becker
A visita de Gaspar (da esq. para a dir.), Baltazar e Belchior ao menino Jesus é comemorada no dia 6 de janeiro, encerrando o ciclo de Natal
Após as festividades de fim de ano, chega a hora de reorganizar a rotina e guardar as decorações. Mas, afinal, há uma data específica para realizar esse processo?Como toda a boa tradição, as decorações natalinas, o presépio e a tradicional árvore de Natal devem ser desmontadas no dia 6 de janeiro, data em que é comemorado o Dia dos Reis Magos, também conhecido como Epifania.
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Ao Diário, o diácono da Arquidiocese de Santa Maria, Gustavo de Vargas Marconato, falou sobre esse episódio e a associação feita com o Natal:
– O desmonte da árvore está associado justamente ao encerramento do ciclo do Natal, que é o período em que celebramos os primeiros anos e a infância de Jesus. Em duas semanas, celebramos o crescimento de Jesus até os 12 anos e, na semana seguinte à Epifania (6 de janeiro), já começamos a recordar a vida adulta de Jesus, comemorando o batismo dele feito por João Batista no Rio Jordão. O batismo de Jesus é recordado junto à Epifania para mostrar que a vida pública, a pregação e as bem-aventuranças agora são manifestadas a todo o mundo.
A festividade
A festa dos Reis Magos faz referência à visita de Belchior, Baltazar e Gaspar a Jesus recém-nascido em Belém. Os três personagens ganharam destaque na história cristã a partir do século VIII. Segundo Marconato, essa festividade faz parte do calendário litúrgico:
– Na nossa liturgia, as celebrações da igreja sempre são norteadas por uma série de memórias de acontecimentos da vida de Jesus Cristo, que acontecem no período de um ano. Por isso, todo ano, celebramos festas como a da Epifania. Mais propriamente, esse ano litúrgico se inicia com o Advento, que são quatro semanas antes do dia 25 de dezembro, o Natal, que justamente faz a preparação para a vinda e o nascimento de Jesus Cristo. Depois, segue-se todo o ano litúrgico até a festa de Cristo Rei, que acontece no final de novembro, encerrando esse ciclo anual de festas cristãs que celebram a vida de Cristo. A Epifania está nesse contexto para nos lembrar desse momento da vida de Jesus, no qual os magos vindos do Oriente trouxeram presentes para o menino Jesus recém-nascido. Essa festa especificamente celebra o anúncio que Jesus veio ao mundo.
Além de conhecer o pequeno menino de Belém, os reis levaram presentes, que se tornaram símbolos para a nova geração. A importância dos itens é destacada por Marconato:
– Segundo a tradição, eles trouxeram três presentes como um reconhecimento: o ouro, que simboliza a realeza de Jesus como um menino rei; o incenso, que é o perfume queimado aos deuses nas liturgias antigas e, na liturgia cristã, é usado para elevar as orações a Deus; e a mirra, que indica que Jesus é sacerdote e vítima, que será imolado e morrerá na cruz para a nossa redenção e salvação. Esses três reis magos simbolizam toda a humanidade, tanto que os representamos com três etnias diferentes, mostrando que Jesus veio trazer a salvação para todos.
Reflexão
Em países orientais e ocidentais, a Festa dos Reis Magos é celebrada com missas, doação de presentes e até mesmo com muita folia, não se resumindo ao desmonte dos elementos de Natal. Mais do que isso, é preciso lembrar que a data reflete o amor, o respeito e o carinho com que Jesus foi recebido no mundo e que ele espera que também sejamos todos os dias.
– Nossa motivação começa no início do ano com esse período do nascimento para recordarmos que Jesus veio com carinho e misericórdia para nos fazer crescer com Ele. A mensagem que fica é que, muito mais do que uma tradição ou fatos históricos, possamos reconhecer que Deus não está distante de nós. Ele ama cada um de nós pessoalmente e pensava em cada um de nós quando se encarnou na figura de um menino. Para este novo ano, devemos renovar a esperança de que Deus não nos abandona e nos quer felizes. Ele nos deu o Seu Filho para que possamos chegar à felicidade plena neste mundo e, especialmente, na vida eterna – conclui o diácono.