Sabe aquelas coisas que parecem coincidências, e que no fundo são muito mais do que meros acasos? Você pensa numa pessoa e ela te liga. Faz muito tempo que não vê alguém, pensa nela, dobra a esquina e ela está bem ali na sua frente.
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Para mim, sonhar com uma pessoa e encontrá-la ou ter notícias dela no dia seguinte, é muito frequente. Isso sem falar nas longas conversas com quem já voltou ao mundo espiritual, minha filha, especialmente.
Outro dia me pediram para fazer uma palestra sobre o sentido da vida. Antes de buscar bibliografias, enquanto fazia a limpeza nas prateleiras da minha biblioteca, o livro “O porquê da vida”, de Léon Denis, literalmente caiu no meu colo.
Estava pensando em falar sobre o tempo e o rio, acho que existe uma relação muito profunda e silenciosa entre os dois. Pois quando abro o celular me aparece um artigo sobre o escritor baiano José Enrique Barreiro, que resgata a oralidade da poesia e leva ao palco em formato stand up (o ator se apresenta sem cenários, usando apenas um microfone) o monólogo “O rio tem sede de sal”.
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Na obra, o escritor afirma que os rios sabem desde que nascem, que o seu destino é o mar. A partir desta metáfora, constrói uma reflexão sobre o sentido da jornada humana, conduzindo o público por um percurso literário que atravessa séculos de poesia.
O mais interessante é que encontrei entre a capa e o prefácio do livro algumas anotações que fiz na época, e que nem me lembro se cheguei a usar na referida palestra. A primeira: o sentido da vida é levantar o véu, viajar pelos caminhos escuros da dúvida, das incertezas, navegar as vezes em águas calmas, outras, em mares bravios, em busca de respostas.
Penso que o resumo esteja na segunda anotação, das 15 que fiz: o sentido da vida é descobrir o que somos, de onde viemos, para onde vamos, e, principalmente, o que é que estamos fazendo aqui?
O rio sabe qual é o seu destino, por isso tem sede de sal. E você, tem sede de quê? O aprendizado é permanente, agora e depois.