O equilíbrio emocional é tão importante, e cada vez mais raro, que quem consegue resolver seus conflitos ou enfrentar divergências sem alterar a voz ou sem desfazer amizades é tido como alguém que está além do seu tempo, que consegue andar sobre as águas turbulentas ou acalmar as tempestades dos mares revoltos da vida.
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O site “O Antagonista” faz uma abordagem bem interessante sobre o tema, repetindo um princípio filosófico de Epiteto, mestre do estoicismo, que outro dia citei aqui. O controle emocional é frequentemente tratado como algo fora do nosso alcance, como se as emoções simplesmente acontecessem sem qualquer possibilidade de intervenção. Na verdade, é bem o contrário: não são os acontecimentos que nos dominam, mas a forma como julgamos aquilo que acontece. Não é o vento que nos leva aonde quer, mas como armamos as velas de nossa embarcação.
A angústia, nesta visão, não nasce dos fatos, mas da interpretação que fazemos deles. Um atraso, um problema de trânsito, uma opinião divergente, ou até mesmo uma perda, não carregam sofrimento por si só. O sofrimento surge quando atribuímos a esses eventos um significado que anula a capacidade de uma compreensão mais correta. Desenvolver autocontrole significa aprender a identificar este julgamento automático e questioná-lo antes que se transforme em sofrimento.
A mente cria histórias o tempo todo. Você é levado quase que inconscientemente a afirmar que algo é injusto, intolerável ou insuportável, mesmo quando não exista uma razão objetiva, ou esteja fora de seu alcance. Melhor do que reclamar da chuva é proteger-se. Analisar o próprio pensamento é uma habilidade que passa por repetidos exercícios, muito treinamento e disciplina, e isso é essencial para não ser levado pela correnteza dos impulsos emocionais. A proposta não é eliminar emoções, mas impedir que elas assumam o controle de suas decisões. Sentir medo, tristeza ou raiva não é o problema. O problema é agir, ou reagir, sob a influência desses sentimentos. Vigia e orai é uma é uma forma de construir pontes entre o mundo material (passageiro) e o mundo espiritual (definitivo). Isto pode ajudar muito na conquista da paz e na busca da felicidade. Agora e depois.