Numa manhã de terça-feira, saí a caminhar pela praia buscando pegadas na areia ou qualquer sinal pelo ar da lua sangrenta que havia passado pela madrugada, deixando astrólogos, astrônomos, enamorados ou meros curiosos de plantão.
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O que achei foi um passado invadindo minhas lembranças, primeiro as pessoas que já estão no plano espiritual, se revezando no espaço da minha tela mental como as luzes das estrelas que brilham à noite, que a gente não enxerga durante o dia, mas que sabe que continuam existindo. Mas também as que ainda estão aqui e que de diferentes formas fizeram parte de momentos inesquecíveis, quando a vida parecia ter tempo para tudo, sobretudo para colecionar boas histórias.
O passado coloca tudo no mesmo plano, e causa no presente uma sensação de vazio quase insuportável. As vezes nossa alma viaja para algum lugar que só o nosso coração sabe onde é. Chico Xavier dizia que num dia a gente se quebra todo, no outro a gente se remenda. A vida é sobre reconstruir, recomeçar, refazer, ter objetivos e bons motivos para continuar em frente. Arthur Brooks, renomado professor de Harvard, disse que a chave para a felicidade é, ao mesmo tempo, simples e desafiadora: aceitar a mudança.
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O segredo é: “não seja a pessoa que você era há 20 anos”. A melhor atitude, segundo ele, é olhar para o futuro. As experiências que vivemos, as lições que aprendemos, as recordações que carregamos e as pessoas que conhecemos, moldam constantemente quem somos. Apegar-se a uma versão antiga de nós mesmos pode limitar nosso crescimento e nossa capacidade de valorizar o presente.
Mesmo acreditando, ou me esforçando para acreditar, que sou hoje minha melhor versão, muitas vezes o passado chega com uma saudade tão arrebatadora que me dá vontade de voltar no tempo, como quem olha o vale de cima da montanha e é capaz de reencontrar os fatos e as pessoas que ficaram pelo caminho. Mais uma vez o que faz a diferença é a certeza da vida futura, e de que neste plano, tudo é passageiro.
Fatos jamais voltarão, pessoas sempre poderão voltar. Agora ou depois.