O doce mais doce

Me mandaram uma pérola, ou melhor, um pacote de doces, que quero dividir com vocês. O autor é Mário de Andrade. Com o título “Minha Alma está em Brisa”, escreveu:

“Contei os meus anos e descobri que tenho menos tempo para viver a partir daqui, do que eu vivi até agora. Eu me sinto como aquela criança que ganhou um pacote de doces; o primeiro comeu com prazer, mas, quando percebeu que havia poucos, começou a saboreá-los profundamente”

Com franqueza e clareza, vai direto ao ponto:

“Já não tenho tempo para reuniões intermináveis em que são discutidos estatutos, regras, procedimentos e regulamentos internos, sabendo que nada será alcançado. Não tenho mais tempo para apoiar pessoas absurdas que, apesar da idade cronológica, não cresceram. O meu tempo é muito curto para discutir títulos. Eu quero a essência, a minha alma está com pressa...Sem muitos doces no pacote”.

Ele aponta seus doces preferidos:

“Quero viver ao lado de pessoas humanas, muito humanas. Que sabem rir dos seus erros. Que não ficam inchadas, com os seus triunfos. Que não se consideram eleitos antes do tempo. Que não ficam longe das suas responsabilidades. Que defendem a dignidade humana. E querem andar do lado da verdade e da honestidade. O essencial é o que faz a vida valer a pena. Quero cercar-me de pessoas que sabem tocar o coração das pessoas... Pessoas a quem os golpes da vida ensinaram a crescer com toques suaves da alma”.

E arremata:

“Sim... Estou com pressa... Estou com pressa para viver, com a intensidade que só a maturidade pode dar. Eu pretendo não desperdiçar nenhum dos doces que eu tenha ou ganhe...Tenho a certeza de que eles serão mais requintados do que os que eu comi até agora. O meu objetivo é chegar ao fim satisfeito e em paz com os meus entes queridos e com a minha consciência. Nós temos duas vidas, e a segunda começa quando se percebe que só se tem uma”.

A grande reflexão é sobre a vida que vem, depois que esta termina. Entre um doce e outro, vale a pena pensar, afinal, o aprendizado é constante. Agora e depois.


​A vida continua, nesta e em outras dimensões!

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