Foto: Beto Albert (Arquivo Diário)
O aumento no preço do óleo diesel, impulsionado pela alta do petróleo desde o início da guerra no Oriente Médio, continua a impactar diretamente os supermercados e deve chegar de forma mais intensa ao bolso do consumidor nas próximas semanas.
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Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior, fornecedores já estão repassando reajustes e o aumento no custo do frete deixou de ser pontual para se tornar uma realidade generalizada em praticamente todos os setores.
— Já temos impacto nos alimentos, já temos fornecedores repassando tabela e isso já virou uma constância. Já não é mais algo que aconteceu com um ou outro fornecedor, praticamente todos — afirma.
Em Santa Maria, o litro do diesel teve aumento médio de R$ 0,91 desde o início da guerra no Oriente Médio. Na última sexta-feira, o combustível variava entre R$ 6,55 e R$ 7,99 na cidade. Com isso, o custo do transporte subiu e passou a pressionar toda a cadeia de abastecimento.
Segundo o setor, os fretes já registram alta mínima de 10%.
— Nada abaixo de 10% com relação aos fretes negociados. O impacto foi sentido na bomba, está sendo sentido pelos transportadores e eles precisam repassar porque as empresas precisam manter sua margem para seguir em operação — explica.
Hortifrúti e carnes já sentem os efeitos
Entre os alimentos, os primeiros reflexos aparecem principalmente em produtos de giro rápido, como hortifrúti e carnes, que dependem de reposição constante e sentem de forma mais imediata o aumento do transporte.
Apesar disso, o presidente da Agas ressalta que o reajuste ao consumidor não ocorre automaticamente no mesmo percentual do frete.
— Não é 10% direto no produto. Dez por cento é o frete, e o frete é apenas um dos componentes do preço final da mercadoria — destaca.
Sacolas plásticas e embalagens preocupam
Entre os itens mais afetados, o principal destaque está nas sacolas plásticas utilizadas pelos supermercados, diretamente ligadas aos derivados do petróleo.
Segundo Lindonor, os reajustes nesse segmento chegam a percentuais considerados excessivos pelo setor.
— O maior impacto está nos produtos derivados de petróleo, como a sacola de supermercado.Tivemos aumentos de 45%, 50% e até 60% — relata.
A avaliação da Agas é de que esse aumento terá impacto direto no custo operacional dos supermercados e, inevitavelmente, precisará ser repassado ao consumidor.
— Obviamente vai impactar nos preços para os consumidores. Alguns produtos nós não vamos conseguir deixar de repassar — afirma.
Outro fator que ainda deve ampliar os reajustes é o custo das embalagens, também afetadas pela alta do petróleo.
Segundo Lindonor, muitas indústrias ainda conseguem segurar os preços porque trabalham com estoques antigos de embalagens, compradas antes da alta.
— Ainda não tivemos o impacto total das embalagens porque muitas empresas têm meses de estoque parado. Quando esse estoque acabar, aí sim o preço novo começa a chegar com mais força — afirma.
Isso significa que parte da alta ainda não chegou completamente às prateleiras.
— A gente ainda tem mais um tempinho para que essas embalagens terminem com o preço antigo e comecem a vir com preço novo, caso o petróleo não baixe — explica.
Supermercados tentam segurar reajustes
Diante do endividamento das famílias e da redução do poder de compra, os supermercadistas afirmam que estão tentando adiar ao máximo os repasses.
Segundo o presidente da Agas, a preocupação é evitar uma queda ainda maior no consumo.
— Estamos tomando todo cuidado para não impactar diretamente no consumo. Quando você faz uma alteração de preço, o consumidor sente e isso impacta direto — afirma.
Ele diz que os supermercados só repassarão integralmente quando não houver mais alternativa.
— Estamos segurando tudo que dá. Mas vai chegar um momento em que não vai ter mais como segurar — alerta.
Setor mantém otimismo para o segundo semestre
Apesar do cenário de pressão nos custos, a Agas mantém expectativa positiva para os próximos meses.
Segundo Lindonor, 2025 foi um ano difícil para o setor e 2026 começou ainda sob reflexos desse cenário, mas a projeção é de recuperação no segundo semestre.
— Somos otimistas com relação ao segundo e terceiro quadrimestre. A expectativa é de crescimento substancial nos próximos oito meses — afirma.
Ele cita fatores como Copa do Mundo, ano eleitoral e medidas econômicas do governo federal como elementos que podem estimular o consumo e ajudar na retomada do setor supermercadista.
Confira a entrevista completa