Investigações da Polícia Federal, do Banco Central e do Coaf trouxeram à tona irregularidades graves no Banco Master. Entre as suspeitas estão operações com precatórios superfaturados e manobras para inflar artificialmente o balanço da instituição, colocando em risco dezenas de milhares de depositantes.
O caso ilustra o que o debate sobre Estado mínimo costuma ignorar: no mercado financeiro, quem protege o cidadão comum não é o próprio mercado, mas as instituições que o fiscalizam. Foi a atuação coordenada de órgãos estatais que identificou o problema antes de um colapso maior. Sem Polícia Federal com autonomia e sem reguladores, fraudes desse tipo prosperam silenciosamente. Instituições que funcionam não são obstáculo ao mercado – são o que o torna possível e justo.
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Sem Estado, não há mercado
Uma ideia recorrente em certos grupos políticos é que o Estado atrapalha e que o mercado funciona melhor sem ele. Mas essa visão ignora algo fundamental: mercados não surgem do nada. Eles dependem de contratos executáveis na justiça, de moeda confiável, de proteção à propriedade e de regras que coíbam fraudes e monopólios. Sem essas instituições, o que existe não é liberdade econômica – é a lei do mais forte.
Pesquisas do FMI e da economia institucional mostram repetidamente que países com instituições mais sólidas – judiciário independente, regulação eficaz, controle da corrupção – crescem mais e de forma mais sustentável. O problema das economias em desenvolvimento raramente é ter Estado demais; é ter Estado de má qualidade. Querer mercado sem Estado é como querer o jogo sem as regras.
Apostas esportivas e saúde mental
Um artigo de Ukhova e colaboradores, publicado no The Lancet Americas, alerta para os riscos da rápida expansão das apostas esportivas. O transtorno do jogo patológico é uma condição de saúde real, associada a depressão, ansiedade, abuso de substâncias e suicídio – e o Brasil, após a liberalização das apostas online, está no centro desse fenômeno.
Os autores mostram que a expansão do setor é impulsionada principalmente por receita fiscal, com pouca atenção à saúde pública. Publicidade agressiva, acesso pelo celular e ausência de limites efetivos de apostas criam ambiente propício à dependência, especialmente em jovens. A recomendação é tratar apostas e o jogo patológico como problema de saúde pública, com regulação que priorize o bem-estar – não apenas o retorno financeiro do setor.