Dia de Conscientização sobre a violência contra a Pessoa Idosa

José Carlos Campos Velho

O dia 15 de Junho é dedicado à um tema: a violência contra as pessoas idosas. Vivemos em uma sociedade violenta. Os telejornais, a mídia, o tempo todo estão nos mostrando imagens da violência que está no cerne da sociedade contemporânea, particularmente em seus segmentos mais desfavorecidos, mas definitivamente não exclusivamente neles.

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O ponto central é claro: a violência contra pessoas idosas é estrutural, multifacetada e, muitas vezes, invisível. O dia 15 de junho existe justamente para romper esse silêncio. Podemos entender que, dentro destas múltiplas facetas, não se trata apenas de agressões físicas, mas de um conjunto de práticas sociais, culturais e institucionais que ferem a dignidade na velhice. A violência na velhice não surge isoladamente. Ela é parte de um contexto social mais amplo, marcado por desigualdade, pressões econômicas, fragilidade das redes de apoio e uma cultura que valoriza excessivamente a juventude. Isso cria terreno fértil para práticas que vão desde a negligência até a violência psicológica

A violência física – agressões, empurrões, contenções inadequadas, maus-tratos diretos, talvez seja a parte mais visível deste iceberg, mas ela é acompanhada de perto pela violência psicológica – humilhações, xingamentos, isolamento, infantilização, ameaças; pela violência financeira – apropriação indevida de aposentadorias, fraudes e manipulação de decisões econômicas.

A negligência é um fenômeno relativamente frequente, e às vezes pode tomar proporções coletivas, particularmente em instituições, como ILPIs e hospitais, como a omissão de cuidados básicos, abandono, acompanhamento médico precário, além de outras práticas desumanizantes em serviços de saúde. Existe uma violência simbólica – discursos que desvalorizam a velhice, como a invisibilização. Etarismo, idadismo ou idosismo?

A discussão terminológica é importante porque nomear é reconhecer. Cada termo carrega nuances. O etarismo é o mais difundido no Brasil; destaca discriminação baseada na idade em qualquer direção, embora na prática se aplique sobretudo aos mais velhos. Idadismo é a tradução direta de ageism, termo cunhado por Robert Butler em 1969; enfatiza o preconceito estrutural. Idosismo – termo menos comum, mas focado especificamente na discriminação contra pessoas idosas. Independentemente da palavra escolhida, o que importa é compreender que o preconceito é apenas uma das faces da violência. Ele alimenta práticas abusivas, legitima exclusões e naturaliza a ideia de que a velhice é um problema – e não uma etapa legítima e valiosa da vida. 

Por que essa violência é tão invisível? Alguns fatores contribuem, como a normalização cultural – frases como “velho é assim mesmo”. A dependência econômica e emocional é um fator que pode dificultar denúncia, bem como a culpa e vergonha, pois muitos idosos acreditam que “não devem incomodar”. A falta de preparo das famílias e instituições, por uma não implementação de políticas de cuidado, essenciais para que o conhecimento que se tem sobre os cuidados aos idosos sejam implementados na prática, no seios das mais diferentes instâncias sociais, acaba dificultando o combate à violência contra as pessoas idosas.

Observamos a invisibilidade social, pois os idosos são frequentemente excluídos de espaços de decisão e representação. O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, não é, portanto, apenas uma data simbólica. Ela nos convoca a reconhecer a violência em suas múltiplas formas. Escutar as pessoas idosas com atenção e respeito, fortalecer redes de apoio comunitário e familiar, promover políticas públicas de cuidado, saúde e proteção, combater o etarismo em discursos, práticas e instituições, são todas ações que estão ao nosso alcance e que podem reduzir esta forma sutil de violência.

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