Foto Arquivo pessoal
Pedro Couto andava pelo estacionamento do Husm quando a tampa quebrou e ele caiu na fossa, numa profundidade de 1m50cm. Perna teve corte profundo e osso lascado.
"Eu pisei em cima de uma laje de cimento e despenquei um metro e meio de profundidade ou mais. Rasgou toda a canela. Tirou toda a frente da canela, chegou a lascar o osso, e não quebrou mais porque eu tenho platina nessa canela". Foi assim que o coordenador terapêutico de um centro de reabilitação Pedro Couto, 63 anos, sofreu um acidente no estacionamento nos fundos do Hospital Universitário, perto do Pronto-Atendimento, no início da madrugada do último domingo (15).
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Ele conta que, após prestar ajuda a um funcionário dele que estava hospitalizado, caminhava pelo estacionamento quando foi surpreendido pela laje, que quebrou. Com a queda e a batida em alguma estrutura da fossa, um corte profundo de cerca de 50 cm provocou um grande dano na canela, chegando a atingir o osso. Couto pediu socorro, mas como ninguém ouviu, lutou para sair da fossa e se esforçou para ficar em pé, apesar de muita dor e do corte na perna. Foi até o Pronto Socorro do Husm, onde foi atendido.
Porém, aí começou outro problema. Couto conta que após fazer Raio-X e receber apenas uma gaze para cobrir o grande ferimento, ficou mais de hora esperando no corredor do PS e sem previsão de ser atendido.
- Eu vi que não ia ser atendido e me lembrei que eu tenho plano de saúde. Aí, peguei e levantei da cadeira, eu disse: "Olha, vocês não vão me atender mesmo?". "Não, tem monte de gente para ser atendido na sua frente". Então, eu digo: "Não. Então, eu vou eu vou indo". Perguntaram: "Onde é que tu vai?", e eu disse "Eu vou procurar socorro para minha perna. E aí peguei o carro. Vim naquelas condições aqui para o Hospital do Caridade, daí onde fui atendido. O doutor Maurício Silveira me atendeu com agilidade e prontidão. Eu saí do do inferno e vim para o céu. Aí que eu vi como a saúde pública é precária. As pessoas esperando para ser atendidas num corredor do Husm - comentou.
Idoso de 78 anos é agredido em rua do Centro de São Gabriel
No Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo, a cirurgia foi até as 6h da manhã de domingo, e Couto segue internado até hoje porque precisa de cuidados especiais, pois é transplantado de fígado e tomava medicamentos contra a rejeição. Devido ao risco de infecção, pois levou um corte profundo em uma fossa da rede de esgoto pluvial, está tomando antibióticos.
- Tomo um remédio para baixar a imunidade. O Everolim, ele dificulta a cicatrização. Então, estou aqui num dilema, porque, para poder cicatrizar, tem que parar com o Everolim, e daí tem risco de rejeição do fígado. Acabei com a minha paz. Eu estou com dor e pensando em me escapar com a minha perna. Eu sou um cara de 63 anos, obeso, transplantado, já sofri um horror. Agora, eu estou perdendo uma qualidade de vida, me estropiei todo - lamentou Couto.
Ele disse que registrou ocorrência policial e, depois, vai avaliar que medidas tomará contra o Husm ou a UFSM. Couto ouviu falar que outra mulher já teria sofrido acidente parecido na universidade e espera que a UFSM e o Husm façam uma revisão em todas as lajes de bocas de lobo do campus.
- Uma tampa tem que ter capacidade para mais de uma tonelada. Pelo jeito, era só areia e cimento. Eu sou um homem pesado, eu tenho realmente 150 e poucos quilos, mas uma tampa teria de suportar bem mais do que isso. Então, é proibido? Tem que botar uma placa "proibido gordo" - disse Couto.
Questionado sobre o acidente, o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) respondeu somente sobre a queixa do atendimento e disse que a UFSM é responsável pelo estacionamento.
O que diz o Husm
"O Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) informa que prestou atendimento ao paciente que procurou o Pronto-Socorro na madrugada do dia 15 de março, após relatar queda ocorrida no estacionamento em frente ao Laboratório de Análises Clínicas.
Ao dar entrada no serviço, o paciente foi prontamente avaliado pela equipe assistencial e recebeu curativo compressivo para controle do sangramento. Na sequência, foi encaminhado para realização de exame de raio-X e avaliação da equipe de traumatologia, que descartou a presença de fratura.
Após os exames, o paciente foi chamado por três vezes pela equipe para a realização da sutura do ferimento. No entanto, não foi localizado no setor no momento da chamada. Conforme registro em prontuário às 2h40, o paciente já não se encontrava mais no local.
O Husm reforça que o atendimento inicial foi realizado conforme os protocolos assistenciais e permanece à disposição para esclarecimentos."
Já a reitoria da UFSM respondeu por meio de nota que vai tomar providências e revisar as demais tampas.
O que diz a Reitoria da UFSM
"A UFSM lamenta profundamente o ocorrido e informa que, tão logo tomou conhecimento do fato, a equipe de infraestrutura foi acionada para realizar o isolamento da área e a substituição imediata da tampa da boca de lobo. Ainda, outras estruturas similares estão sendo averiguadas pela equipe em todo o campus.
É um direito legítimo de todo cidadão. A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com as investigações e desdobramentos."
