Foto: Vinicius Becker (Diário)
Após período em situação de rua, Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira passou por tratamento e hoje reside em uma casa de passagem em Santa Maria.
Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira e João Ricardo Silva de Souza viviam sob as marquises de uma loja na Rua Floriano Peixoto e em frente à agência dos Correios, na Rua Venâncio Aires, respectivamente, em Santa Maria. Após deixarem a situação de rua e passarem por tratamentos de saúde e acolhimento, ambos apresentam novos caminhos. Enquanto Oliveira reside, atualmente, em uma casa de passagem, Souza atua como educador social, auxiliando outras pessoas no mesmo processo em que passou.
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A mudança do "seu" Luiz

Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira foi resgatado pela rede de assistência social e por pessoas que o cuidavam enquanto permanecia nas proximidades do Calçadão Salvador Isaia, quase que em frente ao Colégio Marista na Rua Floriano Peixoto. Segundo seu relato, o uso diário de álcool impedia a percepção da própria condição de ficar na rua. Ele saiu da moradia improvisada após ser resgatado e encaminhado para uma clínica em Tupanciretã, onde permaneceu em tratamento por quase três meses antes de retornar a Santa Maria para viver em uma unidade de acolhimento.
– Antes, eu achava que estava na rua e estava tudo bem. As pessoas conversavam, falavam comigo, mas viam que não estava nada bem. Mudou a cabeça um pouco. Hoje, eu me sinto outra pessoa. Eu estou na casa de passagem – afirma.
Oliveira relata que, ao observar pessoas que ainda permanecem em situação de rua, avalia o tempo em que esteve na mesma condição sem perceber a gravidade da situação.
– A rua não é vida nem para um cachorro, um cachorrinho. A vida é para a gente estar bem, lutando com sacrifício. Procure um desses órgãos que vai ser bem acolhido e vai sair dessa situação – orienta Oliveira.
De usuário a educador social

Já a trajetória de João Ricardo Silva de Souza registra um período de quatro meses de vivência em frente aos Correios, no centro de Santa Maria. O histórico de dependência química foi interrompido após uma busca ativa realizada pelo Grupo Gaia, que é Associação de Acolhimento e Ressocialização para Indivíduos em Vulnerabilidade Social de Santa Maria, que o encaminhou para a rede de acolhimento.
que o encaminhou para a rede municipal de acolhimento. Ele passou por um tratamento terapêutico de nove meses em uma comunidade em Itaara e relata estar sem o uso de substâncias há três anos e dois meses.
Atualmente, João Ricardo trabalha como educador social em uma casa de passagem em Santa Maria, onde presta assistência direta a 20 acolhidos, auxiliando em tarefas diárias, como o café da manhã e suporte técnico.
– Eu fiquei na frente dos Correios por quatro meses porque fui usuário de crack. O Grupo Gaia me ajudou e me levou para a casa de passagem. Hoje, eu sou um educador social, cuido deles diariamente e dou toda a assistência. Tenho a minha família e a minha casa própria. Estou, cada vez, progredindo e aprendendo mais – relata João.
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