A irrigação não é mais uma alternativa para o produtor gaúcho. Em um cenário marcado por estiagens frequentes que tem gerado perdas produtivas e econômicas, irrigar é mais que uma possibilidade. Garante estabilidade econômica para as famílias rurais e representa segurança, estabilidade e competitividade para o agronegócio do Rio Grande do Sul.
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Irrigação cresce no Estado
Os números apontam um avanço na adoção da irrigação, especialmente nas culturas de soja e milho. Atualmente, o Rio Grande do Sul irriga em torno de 242 mil hectares de soja e cerca de 117 mil hectares de milho. Nos últimos cinco anos, a área irrigada de soja cresceu 85,2% e o milho apresentou crescimento de 46,4%. Porém, os percentuais ainda são baixos diante do potencial agrícola gaúcho. Esses números representam apenas 3,6% e 16,3% das áreas de soja e milho cultivadas respectivamente no Estado, conforme dados da SEAPI/RS, safra 2024/25. Isso mostra o enorme espaço para expansão e modernização no campo gaúcho.
Entraves enfrentados pelo produtor
Embora sejam grandes os benefícios da irrigação, ainda existem muitas barreiras. Entre os principais entraves estão o alto custo de implantação, o acesso ao crédito, a necessidade de infraestrutura energética e, principalmente, os processos de licenciamento ambiental, que muitas vezes são lentos e burocráticos. Ainda existe uma preocupação com a segurança jurídica e a necessidade de políticas públicas permanentes que incentivem o armazenamento de água e a expansão dos sistemas irrigados. Armazenar água e irrigar deve ser compreendido como uma estratégia de segurança alimentar e econômica, e não apenas como um investimento individual do produtor.
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Cruz Alta no centro do debate sobre irrigação
É nesse cenário que Cruz Alta consolida seu protagonismo no debate sobre irrigação. Reconhecida como a capital gaúcha da irrigação, o município sediará, nos dias 13 e 14 de maio, o II TecnoShow da Irrigação e o 1º Encontro Internacional de Irrigantes. O evento reunirá produtores, pesquisadores, especialistas, empresas e lideranças do agronegócio. A programação contará com painéis sobre perdas provocadas pela seca, gestão da irrigação, necessidade hídrica das culturas e sustentabilidade da produção agrícola, além de debates sobre políticas públicas e com foco no desenvolvimento do nosso estado.
O futuro do agro gaúcho passa pela água
O Rio Grande do Sul possui potencial para aumentar significativamente sua área irrigada e reduzir a vulnerabilidade climática da produção agrícola. Mais do que uma tendência, a irrigação se tornou uma necessidade estratégica para garantir produtividade, renda e segurança alimentar. Eventos como o TecnoShow da Irrigação reforçam que o futuro do agro gaúcho depende de planejamento, tecnologia e gestão eficiente da água. Em um Estado marcado historicamente pelas perdas pela estiagem, investir em irrigação é investir na permanência do produtor no campo e na sustentabilidade do agronegócio gaúcho.