A Feira Nacional da Soja inicia na próxima sexta dia 1º de maio e chega aos 60 anos com forte objetivo de discutir o rumo do agro no RS. E esse foco passa pelo Soy Summit, que reunirá especialistas para discutir mercado, clima e inovação na soja, num roteiro que deixa claro: o debate saiu do operacional e entrou no estratégico. Ao incorporar o Summit, a feira mostra que o agro não precisa só de inovação, mas de uma leitura estratégica. E deixa uma provocação: quantos produtores vão sair da lavoura para ouvir essas discussões? Porque, no fim, o maior risco não está no clima, nem no mercado, nem na política. Está em continuar tomando decisão técnica em um ambiente que já deixou de ser apenas técnico há muito tempo.
Do mercado ao clima, da ciência à política, do Brasil ao mundo
Quando o debate entra em ciência e produção, aparecem nomes como Mariangela Hungria e Luciano Schwerz. Aqui ainda existe o “como produzir”, mas com base técnica sólida, não achismo. O painel de clima e gestão de risco coloca Luiz Carlos Molion no centro, reconhecendo que clima deixou de ser variável e virou condicionante do sistema. Na sequência, o ambiente esquenta com negócios e regulação, com Daniel Carnio Costa e Renato Buranello, numa tradução de que produzir bem já não basta, é preciso entender o jogo jurídico e institucional. Quando entra o eixo “soja sem fronteiras”, com Paulo Herrmann, o recado fica global. E para fechar a aposta é em Blairo Maggi, puxando o painel “o futuro da soja começa agora”.
Interpretando o cenário
A feira não propõe apenas uma sequência de palestras, mas uma linha de raciocínio para responder as questões: “com o que produzir melhor?”, “vale a pena produzir? “E em que condições?” E esse é o ponto mais relevante de toda a programação técnica. Quando se reúne nomes como Hungria, Molion, Buranello e Hermann e Maggi no mesmo roteiro, o que está sendo construído não é transferência de tecnologia. É interpretação de cenário. E isso, hoje, vale mais que qualquer máquina nova para ver em pavilhões.
B16 pode impulsionar soja no RS
Os testes para adoção do B16 (16% de biodiesel no diesel) podem abrir uma nova frente de demanda para a soja, com reflexos importantes no Rio Grande do Sul, um dos principais produtores do país. Atualmente em B15, o Brasil já consome cerca de 8 bilhões de litros de biodiesel por ano. A elevação para B16 pode acrescentar aproximadamente 600 a 700 milhões de litros ao mercado, aumentando a demanda por óleo de soja, responsável por mais de 70% da matéria-prima do biodiesel nacional.
Cenário gaúcho
Com produção acima de 20 milhões de toneladas, o RS tende a se beneficiar com maior consumo interno e possível sustentação de preços. O avanço da mistura pode representar maior absorção interna, reduzindo a dependência exclusiva das exportações. Além disso, cada ponto percentual a mais na mistura contribui para diminuir a importação de diesel fóssil, reforçando a segurança energética e criando um mercado mais previsível para o produtor. Apesar do potencial, o avanço para o B16 ainda depende de validações técnicas e ajustes na cadeia produtiva. Se confirmado, tende a consolidar o biodiesel como um vetor estratégico para o agronegócio gaúcho.