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OPINIÃO: Não sei qual a sua resposta. Mas posso adivinhar qual seja

A visitação aos mortos, a propósito do Dia de Finados, é um hábito que remonta as mais antigas culturas da humanidade e que mostra, ainda hoje, em pleno século XXI e muito claramente, que confundimos o espírito encarnado com o seu invólucro material, pois o que morre, em verdade, não é o espírito, e sim, o corpo. Este sim, ou o que restou dele, é que passa a habitar o cemitério. O espírito que o animou, porém, não reside mais ali e nem no céu e nem no inferno, como acreditam alguns e sim em algum outro universo adequando à sua vibração ou frequência, seja ela positiva ou negativa. Várias são as religiões que acreditam não só na existência, mas, fundamentalmente, na sobrevivência da alma. Essa ideia de imortalidade, no entanto, ainda é muito confusa, o que faz com que no dia consagrado aos mortos, os cemitérios lotem de pessoas que comparecem lá para acender velas, levar flores, naturais e de plástico, chorar e rezar pelos seus entes queridos.

Fruto dessa ideia de acreditar, mas não ter certeza absoluta de que a alma sobrevive, existe essa tendência de valorizar muito mais o corpo do que o espírito. Quem, porém, possui muito bem sedimentada a crença na sobrevivência da alma, inverte a lógica e passa a valorizar mais o espírito que sobrevive do que o corpo que morre. Se o espírito sobrevive à morte do corpo e passa a viver em outra dimensão, obviamente que ele não passa a fazer morada no cemitério, pois que, ao deixar o corpo material, ele não se despede da vida, e sim passa a vivê-la em toda a sua plenitude não mais no planeta-escola Terra, mas em uma das outras muitas moradas da casa do Pai, conforme disse Jesus (João - 14: 1-23). A noção que o Espiritismo ensina a respeito dos desencarnados, nos mostra que as expressões de amor e carinho pelos nossos "mortos", não necessariamente precisam ser demonstradas no cemitério e nem que exista um dia especial para isso.

Agindo desta forma, deixamos transparecer que só nos lembramos dos nossos entes queridos que partiram antes de nós, somente naquele dia. Aliás, não são poucas as pessoas que se lembram dos seus mortos somente no Dia de Finados e que vão lá apenas por descargo de consciência. Muitas pessoas questionam se o Espiritismo não aconselha ou mesmo proíbe os espíritas de irem ao cemitério no dia consagrado aos nossos falecidos. Para quem possui essa dúvida, devemos dizer que o Espiritismo é, entre outras coisas, uma doutrina educadora e libertadora do medo do sobrenatural, das crenças infundadas e das superstições na medida em que esclarece a respeito dos aspectos mais profundos do entendimento existencial do ser. Não proíbe e nem exige nada de ninguém, apenas nos informa, de forma lógica e racional, os mecanismos de funcionamento das leis da vida. Por tudo isso, cremos que a melhor forma para homenagear e demonstrar nossa saudade e o nosso amor pelos nossos "vivos desencarnados", não necessariamente precisa ter dia marcado, e sim emanar, a qualquer dia e a qualquer hora, vibrações de carinho e lembranças felizes através da oração ou enviando ondas mentais de amor e otimismo.

Pois o nosso vínculo com os que já partiram para a pátria espiritual deixa de ser pelas vibrações das ondas limitadas das cordas vocais do aparelho fonador e passa a ser pelas vibrações das ondas ilimitadas e sem fronteiras do pensamento. Ao finalizar, deixo, muito respeitosamente, a você que acredita na imortalidade da alma, um questionamento para reflexão a propósito do assunto. Quando você deixar esta vida transitória, onde você gostará de reencontrar e ser lembrado por seus familiares? Em um lugar agradável e a qualquer dia ou em um dia específico em um lugar lúgubre e triste, onde muitos têm medo de ir de dia e todos tem medo de ir à noite? Pense nisso! Não sei qual a sua resposta. Mas posso adivinhar qual seja.

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