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Estamos normalizando um nível de exaustão que não é normal

Estou percebendo no consultório que as pessoas estão cada vez mais trazendo sintomas de exaustão, estresse, cansaço mental e emocional. E, sinceramente, isso não é uma coincidência. Estamos vivendo a era da exaustão.

Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade acima do bem-estar. Somos incentivados a fazer mais, produzir mais, conquistar mais e estar sempre disponíveis. Descansar, muitas vezes, passou a ser confundido com preguiça, enquanto o excesso de trabalho e a sobrecarga são vistos como sinais de sucesso.

Mas essa exaustão não nasce apenas das exigências profissionais. Ela também vem da tentativa constante de dar conta de tudo ao mesmo tempo: ser um bom profissional, cuidar da casa, dos filhos, do relacionamento, da família, da saúde, das finanças e ainda encontrar tempo para si. A sensação é de que estamos sempre correndo atrás de uma lista infinita de responsabilidades, tentando equilibrar vida pessoal e profissional sem nunca sentir que estamos fazendo o suficiente.

O resultado desse estilo de vida aparece diariamente no consultório: pessoas que perderam o prazer pelas pequenas coisas, que acordam cansadas, têm dificuldade para dormir, estão mais irritadas, ansiosas e sentem que, por mais que façam, nunca é suficiente. É como se a mente nunca desligasse. O corpo começa a dar sinais, a mente pede socorro e as emoções ficam cada vez mais difíceis de administrar.

O problema é que a exaustão não acontece de uma hora para outra. Ela é construída aos poucos, quando ignoramos nossos limites, negligenciamos nossas necessidades e acreditamos que precisamos dar conta de tudo o tempo todo.

Do ponto de vista psicológico, esse estado contínuo de sobrecarga afeta nossa capacidade de concentração, tomada de decisão, memória e regulação emocional. Também aumenta significativamente o risco de ansiedade, depressão e da síndrome de burnout.

Talvez a pergunta mais importante não seja: "Como posso produzir mais?", mas sim: "Que tipo de vida estou construindo se preciso me esgotar para sustentá-la?"

Cuidar da saúde emocional não significa eliminar desafios ou responsabilidades. Significa aprender a reconhecer limites, fazer escolhas conscientes e entender que equilíbrio não é conseguir fazer tudo perfeitamente, mas saber priorizar o que realmente importa em cada fase da vida. Descansar não é um prêmio por ter produzido muito; é uma necessidade humana.

Se você tem sentido que está apenas sobrevivendo aos dias, talvez seja o momento de olhar para si com mais gentileza. Afinal, uma vida equilibrada não é aquela em que fazemos tudo, mas aquela em que conseguimos viver com presença, saúde e sentido.

Psicóloga Michele Bomicieli 

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