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Café e coração: o que a ciência realmente diz sobre essa relação?

Durante muitos anos, o café foi visto com desconfiança quando o assunto era saúde cardiovascular. A preocupação com a cafeína levou muitas pessoas a acreditarem que a bebida poderia aumentar o risco de infarto, arritmias e hipertensão. No entanto, uma nova Declaração Científica da American Heart Association (AHA), publicada em julho de 2026, reforça que a realidade é bem diferente.

A análise reuniu os principais estudos científicos disponíveis e mostra que, para a maioria dos adultos, o consumo moderado de café não apenas é seguro, como também pode estar associado a benefícios importantes para a saúde do coração.

Menor risco de doenças cardiovasculares

Os pesquisadores observaram que pessoas que consomem café regularmente apresentam menor risco de desenvolver doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente o AVC isquêmico. Em alguns estudos, o consumo de aproximadamente três a quatro xícaras por dia esteve associado a uma redução de cerca de 20% no risco de AVC.

Outro destaque foi a insuficiência cardíaca. O menor risco foi observado entre indivíduos que consumiam cerca de quatro xícaras de café diariamente.

E a pressão arterial?

A cafeína realmente pode provocar um aumento temporário da pressão arterial logo após o consumo. Entretanto, esse efeito tende a ser pequeno em pessoas que já têm o hábito de tomar café. A adaptação do organismo faz com que o consumo regular não esteja associado a um aumento sustentado da pressão arterial na maioria dos indivíduos.

Isso significa que, para grande parte da população, o café não precisa ser retirado da rotina apenas por preocupação com a pressão.

Café causa arritmias?

Essa talvez seja uma das maiores dúvidas dos pacientes.

As evidências atuais mostram que o consumo moderado de café não aumenta o risco de fibrilação atrial, uma das arritmias mais comuns. Pelo contrário, alguns estudos observaram até menor recorrência dessa arritmia entre consumidores habituais.

Já em relação às extrassístoles ventriculares (os chamados “batimentos fora do ritmo”), alguns estudos experimentais encontraram um aumento na frequência desses episódios após a ingestão de cafeína. No entanto, grandes estudos populacionais não confirmaram uma associação consistente entre o consumo habitual de café e maior ocorrência dessas alterações.

Por isso, a recomendação deve sempre ser individualizada, principalmente para pessoas que apresentam sintomas após consumir cafeína.

Benefícios também para o metabolismo

Além dos efeitos cardiovasculares, o consumo regular de café também foi associado a menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os benefícios parecem aumentar conforme o consumo moderado da bebida, desde que não haja contraindicações individuais.

Todo café é igual?

Não.

Um ponto importante destacado pela AHA é a forma de preparo. O café não filtrado, como o preparado em prensa francesa ou fervido, contém maiores quantidades de cafestol, uma substância capaz de elevar os níveis de colesterol LDL.

Já o café filtrado em papel praticamente elimina esse efeito, tornando-se a opção mais indicada para quem busca proteção cardiovascular.

Qual a quantidade considerada segura?

Para a maioria dos adultos saudáveis, o consumo de aproximadamente 3 a 5 xícaras de café por dia, ou até 400 mg de cafeína diariamente, é considerado seguro.

É importante lembrar que gestantes, pessoas muito sensíveis à cafeína ou pacientes com determinadas condições clínicas devem receber orientação individualizada.

Mais uma vez, a ciência mostra que não existem alimentos “vilões” ou “milagrosos”. O café, quando consumido com moderação e inserido em um estilo de vida saudável, pode fazer parte de uma rotina favorável à saúde cardiovascular.

Na Cardio Laudos, acreditamos que decisões sobre saúde devem ser tomadas com base em evidências científicas e avaliação individual. Quando o assunto é prevenção cardiovascular, conhecer seus fatores de risco, acompanhar a pressão arterial, avaliar o ritmo do coração e realizar exames preventivos continua sendo a melhor estratégia para cuidar do coração ao longo da vida.


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