Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Texto foi apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pede o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. As informações são do portal g1.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
O documento será votado na manhã desta terça-feira (14) e inclui pedidos de indiciamento contra os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Relatório ainda será votado
O texto apresentado pelo relator não representa a decisão final da CPI. Para que tenha validade, o relatório precisa ser aprovado pela maioria dos integrantes da comissão.
Caso isso ocorra, o documento será encaminhado ao Ministério Público Federal. Caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o material e decidir se apresenta ou não denúncia ao STF contra os citados.
Ao g1, a PGR informou que não irá se manifestar neste momento. O STF também foi procurado, mas não respondeu até a última atualização.
Fundamentação do relatório
No documento, Alessandro Vieira afirma que os trabalhos da CPI enfrentaram limitações e barreiras institucionais ao longo da investigação.
"Por isso, entre os motivos de indiciamento, é razoável que a decisão se concentre naqueles fatos e indivíduos que estão fora do alcance dos meios usuais de persecução e que podem ser sujeitos ativos de crime de responsabilidade", aponta o relatório.
Os chamados crimes de responsabilidade são infrações de natureza político-administrativa cometidas por autoridades públicas e podem resultar em sanções como perda do cargo ou inelegibilidade.
Motivos dos pedidos de indiciamento
De acordo com o relator, os ministros citados deveriam ter se declarado impedidos de atuar em processos relacionados ao chamado “caso Banco Master”, que investiga fraudes financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. Ele foi preso pela Polícia Federal em março.
Para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o relatório aponta:
- julgamento em situação de suspeição
- conduta incompatível com a dignidade do cargo
Para Gilmar Mendes:
- julgamento em condição de suspeição
Para Paulo Gonet:
- omissão no exercício das funções, classificada como conduta incompatível com o cargo
Relação com o caso Banco Master
Um dos principais pontos do relatório envolve o ministro Dias Toffoli, que inicialmente foi relator do caso Banco Master no STF. Ele deixou a função em fevereiro, sendo substituído por André Mendonça.
O senador cita possíveis relações entre Toffoli e o empresário investigado, incluindo vínculos empresariais indiretos e a participação em uma mesma viagem.
"A conexão, portanto, não é remota nem indireta: trata-se de relação negocial entre empresa do magistrado relator e fundo de investimento controlado por pessoa investigada", aponta o relatório.
O documento também menciona informações da Polícia Federal sobre uma relação de proximidade entre o ministro e o empresário.
O que pode acontecer
Apesar do pedido de indiciamento, a CPI não tem poder para condenar ou aplicar punições. Sua função é investigar e encaminhar conclusões.
Se aprovado, o relatório será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se há elementos para oferecer denúncia. A eventual abertura de processo dependerá dessa avaliação e, posteriormente, de decisão do STF.
A votação do relatório nesta terça-feira marca a etapa final dos trabalhos da comissão.