Foto: Vinicius Becker (Diário)
O serviço de táxi em Santa Maria deve passar por um reajuste médio de 12% nas tarifas, que ainda depende da publicação de decreto do Executivo municipal. A informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Taxistas (SindiTáxi), Nelson Fávero Inácio, em entrevista ao programa F5, da Rádio CDN (93.5 FM). Segundo ele, a correção busca amenizar perdas acumuladas nos últimos anos, em meio à alta de custos e à concorrência com aplicativos de transporte.
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O dirigente ressaltou que o processo seguiu todas as etapas técnicas e administrativas, com base em índices oficiais e análise do município, além de aprovação no Conselho Municipal de Transporte (CMT).
– Nós fizemos todos os levantamentos com dados, com números, baseado em índices oficiais, e passou pela Secretaria de Serviços Urbanos. Depois, no Conselho, também tivemos aprovação por unanimidade – afirmou.
Apesar da confirmação do percentual, Inácio evitou detalhar os novos valores antes da sanção oficial.
– Nós precisamos, por uma questão de ética e respeito, aguardar que o prefeito sancione – disse.
Ele adiantou, no entanto, que o reajuste não será uniforme. A bandeirada, por exemplo, deve ter aumento menor, de cerca de 7,7%, permanecendo abaixo de R$ 7.
Defasagem acumulada
De acordo com o presidente do SindiTáxi, o percentual proposto está abaixo da inflação recente. Ele cita levantamento da própria prefeitura, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que aponta alta de 26,6% entre janeiro de 2023 e novembro de 2025.
– Se nós temos um IPCA de 26,6% nesse período e estamos pegando 12%, você imagina quanto ficamos com a defasagem. Dá cerca de 14,6%, e isso nós não conseguimos recuperar – explicou.
Inácio também destacou que, historicamente, os reajustes ocorriam em intervalos longos, o que contribuiu para perdas acumuladas:
– A nossa correção estava sendo feita de quatro em quatro anos. Em uma correção assim, a defasagem sempre fica alta e não recuperamos mais.
Ele lembrou ainda que, em 2023, a categoria teve uma correção de 15%, considerada insuficiente diante de uma defasagem superior a 30% à época.
Preço do combustível e concorrência com aplicativos
Outro fator de pressão sobre a atividade é o aumento no preço dos combustíveis, que impacta diretamente os custos dos taxistas.
– Hoje nós temos gasolina variando de R$ 6,19 a R$ 6,36, e isso em promoção – relatou.
A concorrência com motoristas de aplicativos também é apontada como um dos principais desafios da categoria. Segundo Inácio, cerca de 5 mil motoristas estão cadastrados em Santa Maria, sem limite estabelecido.
– O táxi é um serviço público, com concessão. Já os aplicativos são considerados transporte privado, e o município não pode limitar. Isso depende de lei federal – explicou.
Ele acrescentou que entidades nacionais da categoria trabalham por mudanças na legislação, mas ainda sem definição.
Redução da frota
O cenário tem refletido diretamente na diminuição do número de táxis em circulação no município. Em 2014, eram cerca de 326 veículos. Hoje, o número está entre 230 e 240.
– Vários entregaram as permissões, outros faleceram, e há casos em que a família não quis continuar na atividade. Também tem quem não consiga repor o carro por causa dos juros altos – justificou.
Para o presidente do sindicato, o conjunto de fatores evidencia as dificuldades enfrentadas pela categoria.
– Esse é o cenário que nós estamos vivendo hoje – concluiu.
A expectativa agora é pela publicação do decreto que oficializará o reajuste das tarifas no município.
Confira a entrevista