Instituto de Bem-Estar Animal se aproxima de 300 resgates de equinos desde 2023 em Santa Maria; há possibilidade de adoção

Instituto de Bem-Estar Animal se aproxima de 300 resgates de equinos desde 2023 em Santa Maria; há possibilidade de adoção

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Desde de 2023, o Instituto Assistencial de Bem-Estar Animal (Iabea) já recolheu 280 equinos em Santa Maria. A entidade, que precisou mudar para um outro endereço após ter sua sede alagada e furtada nas enchentes de maio de 2024, atua no tratamento clínico e no abrigo desses animais. Atualmente com 33 cavalos sob cuidados veterinários diários, a instituição conveniada à prefeitura relata o desafio de recuperar equinos feridos. Hoje, o instituto busca doadores para cerca de 20 animais que estão esperando um novo lar.

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Iabea

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O trabalho de proteção a animais de grande porte no município começou há mais de 20 anos, movido pela atuação voluntária de diretores e fundadores. A formalização do Iabea ocorreu em 2017, porém o aumento nos resgates começou a valer em agosto de 2023, quando a entidade firmou um termo de fomento com o Executivo municipal.

A parceria da Prefeitura com o Iabea se dá por meio de dispensa de licitação e consiste no serviço de manutenção, custos diretos e prestação de serviço de captura, recolhimento, transporte, acolhimento, tratamento, manutenção, guarda e destinação de animais de grande porte que estiverem soltos no Município. Quando as forças de segurança identificam um cavalo solto ou vítima de violência, a prefeitura aciona o instituto para o recolhimento e banca os custos daquele animal por 30 dias. Vencido o prazo sem que o antigo dono reclame a posse legalmente, o equino passa a ser responsabilidade da organização.

Antes da parceria, o Iabea dependia, em grande parte, de eventos próprios para custear e um limite de 10 animais por vez. Com o novo formato, o volume de resgates saltou a cada ano para os atuais 280 registrados desde 2023.

Após o período de 30 dias sob a responsabilidade do município, os animais que não são reclamados pelos donos originais passam a pertencer em definitivo à instituição, que passa a depender de sócios e doações.

Impactos da violência

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A rotina no novo endereço, mantido em sigilo por questões de segurança, é intensa. Cerca de 90% dos animais que chegam ao instituto apresentam lesões. A presidente do Iabea, Alexandra Pinheiro, 45 anos, acompanha de perto a evolução de cada caso. Entre os residentes atuais, há uma égua se recuperando de um atropelamento e um potro que precisou passar por cirurgia para a colocação de uma placa e quatro pinos na pata.

Os casos de agressões deixam marcas nos animais. Um símbolo disso é o cavalo apelidado de “Ceguinho”. Com meia-idade e pelagem avermelhada, teve os olhos perfurados, uma prática, de acordo com Alexandra, comum e possivelmente utilizada para evitar que cavalos de carroça se assustem no trânsito. Hoje, além dos cuidados do instituto, ele recebe ajuda de uma égua que o guia pelos campos do Instituto. Fotos de quando ele chegou ao local impressionam pela condições físicas. 

Foto: Arquivo Pessoal

– Ele é dependente da gente para tomar água e alimentação. Às vezes ele se perde no campo e sobra para a companheira dele, uma égua, ir atrás e carregar para o caminho – conta a presidente.

Desafios diário

Para garantir a sobrevivência dos animais resgatados, o trabalho médico não tem hora. O veterinário Eduardo Gripa, 26 anos, atua desde a captura nas ruas até o tratamento clínico dentro da sede. São 24 horas disponível para qualquer resgate.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

– A gente vê animais sendo tratados como pet, tendo tudo o que precisam, e quando a gente cai numa instituição, a gente vê que o mundo é bem diferente. O principal ponto é dar o bem-estar e o mínimo que eles precisam. Proporcionar isso para eles é gratificante tanto como profissional como pessoa – afirma o veterinário.

Reconstrução

As chuvas de maio de 2024 não foram fáceis para o Iabea que teve que sair do ponto original, o Bairro Km 3. Agora, em novo endereço, se dá a necessidade de reerguer o próprio instituto. Se não bastasse perder o que tinham para a chuva, o local foi saqueado ainda durante as enchentes. Novas construções estão em andamento, é o caso de uma nova baia que está sendo montada com a chegada do frio. 

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Apesar da reconstrução e do recomeço, Alexandra relembra as marcas do passado:

– A gente deixou as coisas pensando que ia conseguir voltar e fomos furtados. Roubaram a geladeira, freezer, fogão industrial, tudo da cozinha que nós usávamos para fazer eventos. A gente conseguiu a cedência desse local aqui, que é seguro e tem bastante pasto, para começar a reconstruir a passos lentos – relata.

Animais podem ser adotados

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Com cerca de 20 cavalos saudáveis prontos para ganhar um novo lar, o instituto trabalha agora para encontrar espaços adequados para o que chamam de aposentadoria. O interessado assina um termo de fiel depositário e não pode, sob nenhuma hipótese, usar o animal para montaria ou em carroças.

Os requisitos exigidos pela equipe incluem:

  • Ter mais de 18 anos de idade
  • Possuir local adequado com espaço, pastagem e água em abundância
  • Ter condições financeiras de garantir vacinação anual e aplicação de vermífugos
  • Acionar e custear médico veterinário particular em caso de problemas de saúde
  • Não utilizar o animal para montaria ou tração de carroças

– A fila tem um monte de gente que quer levar, mas não adianta a gente tirar o cavalo da rua e devolver ele para a rua. É mais fácil eles ficarem aqui seguros do que acontecer de novo eles voltarem à rua – explica a presidente.

Canais de doação

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A manutenção da estrutura atual e o tratamento dos animais dependem diretamente de doações. O Iabea aceita rações, vermífugos, medicamentos para equinos e materiais limpos para curativos.

O contato pode ser feito pelo WhatsApp no número 55 99953 8222 ou através do perfil instituto_iabea no Instagram. Os contatos servem tanto para adoção quanto para doações.

Dúvidas, informações ou denúncias sobre cavalos soltos em vias públicas, ligar no telefone 153, em qualquer dia e horário ou na Secretaria de Mobilidade Urbana, no (55) 3174-1545, de segunda a sexta-feira.

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