Em livro, Evandro Zamberlan resgata personagens de Santa Maria

Em livro, Evandro Zamberlan resgata personagens de Santa Maria

Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

Evandro Zamberla, músico e escritor

Artistas, bilheteiros, animais e até edifícios: sob o olhar atento de Evandro Zamberlan, o cotidiano ganha contornos literários. Em seu novo livro, "Santa Maria em crônicas e poesias", o escritor mergulha na essência da cidade, trazendo à tona o protagonismo de rostos e cenários familiares aos santa-marienses.

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Entre textos e fotografias, a obra, lançada na última segunda-feira (11), reúne 32 crônicas e 18 poesias – um presente oportuno na semana em que o município celebra seus 168 anos. O segundo lançamento do exemplar está agendado para este sábado (16), entre 10h e meio-dia, na Livraria da Mente, no Calçadão.

Essa obra é a sucessora de "Assim Foi, Assim Será", que já havia conquistado o público como um dos livros mais vendidos na Feira do Livro de 2021. Além da literatura, o administrador Evandro Zamberlan contribui com colunas quinzenais para o Diário desde 2020 e concilia a escrita com sua trajetória profissional na música.


Perspectiva do autor: "Sou bairrista"

Com um tom bem-humorado e repleto de trocadilhos, o autor demonstra sensibilidade aos detalhes que elevam espaços comuns e pessoas simples ao status de personagens ilustres. Em entrevista ao Diário, ele revelou o que o motiva a imortalizar essas figuras:

– Nasci, cresci, estudei, trabalho e sempre residi em Santa Maria. Sou bairrista. Quando comecei a escrever crônicas para o jornal, em maio de 2020, veio a vontade natural e instintiva de narrar sobre pessoas, fatos e locais daqui. Penso que, com isso, consigo colaborar na preservação da memória histórica da cidade.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Segundo o escritor, as histórias chegam até ele de forma espontânea, colhidas em conversas de esquina, encontros casuais e no convívio direto com as ruas.

As crônicas surgem da minha convivência com o cotidiano, observando as pessoas e os acontecimentos do dia a dia. Também recebo, com frequência, sugestões dos leitores. A partir da definição do tema, busco informações em conversas com os envolvidos ou recorro ao Arquivo Histórico Municipal para resgatar fatos antigos. Em muitos textos, utilizo a poesia para discorrer sobre o assunto, aliando meu lado compositor ao de cronista. Costumo, também, criar diálogos entre prédios, tratando problemas urbanos de forma leve e descontraída – conta o escritor santa-mariense.

Entre as 50 passagens que compõem a obra, figuram nomes que habitam o imaginário local, como Claudinho Cardoso, João Chagas Leite, Lourdinha e Luizinho De Grandi. Personagens icônicos, a exemplo de Paulinho Bilheteiro, também têm suas trajetórias preservadas.

Confira nesta e na próxima página trechos das crônicas e poesias dedicadas a elas.


Claudinho Cardoso

Claudinho CardosoFoto: Reprodução

“Foi reeleito em todas as eleições e sempre trabalhou de graça, sem salário, sem assessores ou verbas parlamentares. Labutou por amor ao Legislativo. Por amor a Santa Maria.”
Pág. 21 - Crônica “O 22° vereador”

Claudinho Cardoso, 76 anos, é filho do primeiro casamento do ator, escritor e memorialista Edmundo Cardoso. Ele é conhecido em Santa Maria por sua dedicação à vida pública. Com uma condição neurológica especial e uma frequência assídua na Casa Legislativa, é popularmente chamado de o '22º vereador' do município. 


João Chagas Leite

João Chagas LeiteFoto: Claudio Vaz / Arquivo Diário

“Muito além do grande artista que conhecemos, João Chagas Leite é um homem simples, querido e amigo de todos, que traz consigo uma linda trajetória a ser contada. Venceu os obstáculos que a vida lhe trouxe, sem jamais perder a esperança, conquistando o reconhecimento e  a admiração dos amigos e do seu público.”
Pág. 67 - Crônica “João Chagas Leite”

João Chagas Leite foi um dos maiores ícones da música nativista gaúcha. Cantor e letrista, ele se tornou uma voz símbolo do Rio Grande do Sul, tendo mantido um vínculo profundo com Santa Maria, onde residiu por mais de 20 anos. O artista faleceu em 11 de novembro de 2025, aos 80 anos, no Hospital de Caridade de Erechim, em decorrência de um câncer. Seu legado inclui clássicos como Desassossegos, Penas, Ave Sonora e Por Quem Cantam os Cardeais.


Lourdinha

LourdinhaFoto: Maiara Bersch (Arquivo Diário)

“A vida, muitas vezes, traça caminhos que nunca imaginamos. Lourdinha é um exemplo. Sonhava ser dentista, se formou em Pedagogia, trabalhou em algumas empresas e, no final das contas, foi atuar no ramo de bares, tornando-se uma empreendedora de sucesso e uma referência no setor.”
Pág. 35 - Crônica “Lourdinha”

Lourdes Da Cas, popularmente chamada de Lourdinha, é conhecida por sua atuação na vida noturna de Santa Maria. Natural de Ibarama (SC), ela chegou à cidade com o sonho de cursar Odontologia, formou-se em Pedagogia, mas encontrou vocação no empreendedorismo gastronômico. Atualmente, ela mantém o Bar da Casa, na região central da cidade. 


Luizinho De Grandi

Luizinho De GrandiFoto: Reprodução

“Luizinho muito fez na sua curta trajetória de vida. Defendeu a democracia, a liberdade de imprensa, a livre iniciativa e, principalmente, construiu uma sólida e profunda relação com a comunidade santa-mariense. Foi um cidadão que, como escreveu à época o jornalista Humberto Gabbi Zanatta, ‘fez do diálogo um canal gerador de abundantes frutos e amenizador de conflitos’. ”

Pág. 99 - Crônica “Luizinho De Grandi - Parte 2”

Luizinho De Grandi foi diretor da antiga TV Imembuí e fundador do jornal O Expresso. Em 1982, adquiriu o jornal A Razão em sociedade com a esposa, Maria Zaira De Grandi, e o irmão, Celito De Grandi. Luizinho faleceu em 1988, aos 43 anos, vítima de um assalto em sua residência, na Avenida Itaimbé.


Paulinho Bilheteiro

Paulinho BilheteiroFoto: Fernando Ramos (Arquivo Diário)

“Como simpática criatura

Aquele homem miniatura

Na multidão circulava,

Com pernas de cowboy

Quase como um herói

A todos acarinhava.”

Pág. 79 - Poema “O retorno do Paulinho Bilheteiro”

Paulo Neron Rodrigues, o Paulinho Bilheteiro, trabalhou por décadas no Calçadão de Santa Maria. Além de vendedor, foi ator na escola de teatro de Edmundo Cardoso. Portador de nanismo, Paulinho faleceu em 2013, aos 74 anos, no Hospital de Caridade, em decorrência de complicações médicas. 

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