Foto: Rian Lacerda (Diário)
Professores da rede municipal de ensino realizaram, na manhã desta quarta-feira (1º), um protesto na Praça Saldanha Marinho, no centro de Santa Maria. Com o tema “Você ainda acredita?”, o ato buscou dar visibilidade a problemas enfrentados pela categoria e reuniu também servidores municipais e representantes de famílias atípicas.
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Na ocasião, os manifestantes protestaram utilizando placas com os rostos do atual procurador geral do município, Guilherme Cortez; do prefeito Rodrigo Decimo e do ex-prefeito Jorge Pozzobom. A paralisação mobilizou professores, servidores municipais, políticos e sindicalistas que discursaram em um caminhão de som que estava estacionado em frente a praça, na Rua Venâncio Aires. No palanque, criticaram a atual administração municipal, relembraram a falta de reposição salarial dos servidores e professores e pediram por melhores condições de trabalho.
Participaram do ato o Sindicato dos Professores Municipais de Santa Maria (Sinprosm), dos Municiparios (SMSM), dos Fiscais Municipais de Santa Maria (Sindfism) e da Associação das Famílias Atípicas, entre outros. O publico da manifestação lotou a praça ao longo da manhã até saírem em caminhada até a sede da prefeitura de Santa Maria. Em paralelo ao ato, algumas escolas da rede municipal tiveram as atividades paralisadas, situação que ainda pode afetar os turnos tarde e noite.
Reivindicações
De acordo com o Sinprosm, a paralisação foi definida em assembleia e integra uma estratégia de mobilização para pressionar o Executivo municipal por respostas às demandas da educação.Entre as principais reivindicações, estão a falta de professores nas escolas, a escassez de monitores e estagiários para apoio pedagógico, além da ausência de reajuste salarial nos últimos dois anos.
A coordenadora de comunicação do Sindicato dos Professores Municipais, Celma Pietczak, explicou que o déficit passa de 100 professores. Na rotina das escolas, a falta de pessoal impede a destinação de um terço da carga horária para planejamento e gera ausência de monitores e estagiários de apoio de acordo com o sindicato.
– Estamos há mais de um mês no início das aulas e temos falta de mais de uma centena de professores regentes de turma. Temos escolas com salas interditadas. Se essa praça hoje está cheia, é porque os professores estão adoecendo e entendem que não tem mais como esperar.
No quadro geral do funcionalismo, a representante do Sindicato dos Municipários, Vivian Serpa, relatou que a prefeitura atrela a negociação da reposição da inflação à aprovação da reforma da Previdência. Os trabalhadores cobram o índice referente a 2025 e 2026, além da atualização do vale-alimentação e dos benefícios congelados durante a pandemia.
– Vamos falar a verdade para a população: estamos há dois anos sem reajuste. Nunca um prefeito na sua história ficou sem dar o reajuste inflacionário, isso é uma obrigação. Os servidores já estão no limite de promessas e nada se cumpre, só se tem projetos.
Representante das associações de famílias atípicas, Regis Souza relatou a falta de suporte para crianças com autismo. A cobrança foca no cumprimento da lei federal que determina acompanhamento por monitores e educadores especiais.
– O sistema está sobrecarregado. Infelizmente, é um desafio para o profissional da área da educação estar numa classe de aula com uma ou duas crianças atípicas. Nós queremos que se faça valer a lei, que tenhamos para cada criança atípica um monitor e um atendimento pedagógico de acordo com a necessidade. As famílias acionaram o Ministério Público sobre a questão.
O que diz a prefeitura
Em nota enviada ao Diário, a Prefeitura de Santa Maria informou que acompanha as manifestações dos sindicatos e reconhece a legitimidade do movimento. A Secretaria de Educação (Smed) destacou ainda que tem realizado os encaminhamentos necessários, dentro dos limites legais, para garantir as melhores condições de trabalho aos servidores e, consequentemente, a qualidade do ensino oferecido aos estudantes. Veja a nota:
"Até as 11h15min desta quarta-feira (1º), a SMEd coletou informações de 58 das 86 escolas da Rede Municipal de Ensino (RME). Destas 58, 35 estão totalmente paralisadas e 8 aderiram à paralisação parcial (quando apenas alguns servidores estão paralisados e a escola permanece com atendimentos aos alunos), 15 estão com atividades de maneira integral e 28 ainda não deram retorno à SMEd."