Foto: Sultepa (Divulgação)
O governo do Rio Grande do Sul anunciou a conclusão da estrutura principal da Barragem Jaguari, em São Gabriel. A obra, iniciada em 2009 e paralisada por anos, recebeu investimento de R$ 365,7 milhões e é apontada como estratégica para enfrentar períodos de seca e cheias, além de impulsionar a produção agropecuária.
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Localizada no distrito de Suspiro, na divisa com Lavras do Sul, a barragem foi construída sobre o Arroio Jaguari e deve beneficiar mais de 100 mil moradores da região. No futuro, ao lado da Barragem Taquarembó, que ainda está em construção em Dom Pedrito, formará um sistema integrado de abastecimento e irrigação que também atenderá municípios como Cacequi e Sant’Ana do Livramento.
A obra foi anunciada em 2008 e iniciada no ano seguinte, mas enfrentou paralisações a partir de 2012, motivadas por ajustes ambientais e contratuais. Até 2022, cerca de 65% da barragem havia sido executada. A etapa final foi concluída na atual gestão, que acelerou o ritmo dos trabalhos.
Impactos
Entre os principais efeitos esperados está o reforço da chamada segurança hídrica, que é a capacidade de garantir água em quantidade e qualidade suficientes ao longo do tempo, mesmo diante de eventos climáticos extremos. Na prática, a barragem funciona como um grande reservatório: armazena água em períodos de chuva e libera de forma controlada em momentos de estiagem.
A barragem surge como resposta a perdas recorrentes no campo causadas por eventos climáticos. Entre 2020 e 2024, o Rio Grande do Sul registrou prejuízos bilionários na produção de grãos devido a estiagens e enchentes.
Outro impacto direto será na irrigação, técnica que leva água até áreas agrícolas onde ela não chega naturalmente. Isso aumenta a produtividade e reduz perdas. No caso de São Gabriel, onde predominam culturas como soja e arroz, a irrigação pode elevar significativamente a produção, chegando a multiplicar o rendimento em algumas lavouras.
A estrutura também atua como reguladora do nível dos rios. Em períodos de cheia, retém parte da água para evitar inundações; em momentos de seca, libera volumes controlados, mantendo o fluxo dos cursos d’água mais estável ao longo do ano.
Estrutura e funcionamento
A barragem tem 25 metros de altura e mais de um quilômetro de extensão. O reservatório poderá armazenar cerca de 138 milhões de metros cúbicos de água. O barramento é feito principalmente de argila compactada, material com baixa permeabilidade, reforçado por sistemas internos de drenagem e filtragem.
O controle da água ocorre por diferentes mecanismos:
- Tomada d’água: estrutura que regula a saída controlada da água para irrigação ou outros usos;
- Vertedor: dispositivo que libera automaticamente o excesso quando o reservatório atinge o limite, evitando transbordamentos;
- Bacia de dissipação: reduz a força da água liberada, evitando erosão no leito do rio;
- Bypass (canal de desvio): utilizado para enchimento ou esvaziamento seguro do reservatório.
Próximas etapas
Apesar da conclusão da estrutura principal, a barragem ainda não está em operação plena. O projeto prevê fases até que a água comece a ser utilizada na produção:
- Testes de enchimento gradual do reservatório, que podem durar até 18 meses, para verificar a segurança da estrutura;
- Implantação dos sistemas hidráulicos de controle e distribuição;
- Obtenção da Licença de Operação, autorização ambiental que permite o uso efetivo;
- Construção dos canais de irrigação, que levarão a água até as propriedades rurais.
A expectativa do governo é que o sistema comece a operar em 2027, com impactos percebidos nas safras a partir de 2028.