No Dia do Chimarrão, veja como funciona a produção de milhões de cuias no interior de Santa Maria

No Dia do Chimarrão, veja como funciona a produção de milhões de cuias no interior de Santa Maria

Foto: Rian Lacerda (Diário)

24 de abril é o dia do chimarrão e churrasco. Juntos, eles fazem parte da rotina de todos os gaúchos.  A data foi instituída pela Lei Estadual nº 11.929, de 20 de junho de 2003, de acordo com o governo do Estado. A lei define o churrasco à gaúcha como prato típico e o chimarrão como a bebida símbolo do Rio Grande do Sul.

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Quando se fala de chimarrão, um componente é tão indispensável quanto a erva-mate: a cuia. O recipiente é oriundo do porongo e milhões de unidades saem anualmente do distrito de Arroio do Só, em Santa Maria. Para entender melhor esse processo, a reportagem do Diário visitou uma empresa que produz em torno de 8 mil cuias por mês.

Produção familiar em Arroio do Só

Foto: Rian Lacerda (Diário)

O funcionamento da Companhia das Cuias ocorre no prédio da antiga estação de trem de Arroio do Só. No interior de uma das salas da fábrica, uma das paredes é formada do chão ao teto por prateleiras de cuias, prontas para o consumo. A empresária Luana Seeger, 33 anos, comanda o local fundado pelos pais há 35 anos.


– Eu sempre falo que a Companhia das Cuias é a minha irmã mais velha, porque nasceu antes de mim. E eu já nasci dentro de uma fábrica de cuia. Tive a minha trajetória em outras carreiras, mas acabei aceitando esse convite para retornar e liderar a empresa que eu acabei adquirindo do meu pai – relata Luana.

Arroio do Só

Foto: Rian Lacerda (Diário)

A economia de Arroio do Só é, em parte, baseada no plantio e na venda de porongos e cuias. A estimativa da empresa é que as colheitas dos agricultores locais somem mais de 1,5 milhão de frutos por ano. A produção abastece os mercados do Uruguai, Paraguai, Argentina e há registros de envios para a Índia. Nos dias 15 e 16 de agosto, o distrito sediará a Festa do Porongo.

Rotina de produção

Foto: Rian Lacerda (Diário)

Na área de acabamento da fábrica, o gerente de produção Conrado Rodrigues Brum, 32 anos, colocava inox em torno da boca da cuia e finalizava um processo para criar um aspecto envelhecido no fundo da madeira. Natural de Formigueiro, ele trabalha na empresa desde 2007, quando tinha 14 anos de idade. Hoje, mora em Arroio do Só.


Enquanto aplicava os metais e a virola de alpaca (uma liga de três metais) nas bordas das cuias recém-polidas, ele contou sobre a rotina e os laços que selou na localidade:

– Tudo que eu tenho hoje é fruto daqui. Onde você está bem, não tem motivo para mudar. É um orgulho para quem gosta de chimarrão que nem eu, fazer parte desse processo. Tento fazer a minha filha se apegar a esse vício (chimarrão) bom.

Foto: Rian Lacerda (Diário)

Como é a fabricação? 

O processo de fabricação da empresa de Luana pode ser diferente de outras empresas. O porongo, da família das cucurbitáceas (mesma das abóboras), chega à fábrica com a casca externa fina e seca. Em uma fileira montada sobre uma bancada, Luana mostra o passo a passo da transformação da planta até o produto final. Confira a baixo: 

  1. Corte: O porongo bruto é colocado em uma serra circular de bancada. Com um movimento do corpo para frente e girando o fruto, a parte superior (chamada de "bundeira" ou cumbuca) é separada e descartada, restando a base que servirá de recipiente para o chimarrão.
  2. Limpeza interna: O interior da planta possui um material semelhante a um bagaço de abóbora com sementes, que é extraído e descartado.
  3. Lavagem externa: A peça é molhada e esfregada com uma bucha de aço para a remoção da película fina que reveste o exterior do porongo.
  4. Secagem: As unidades limpas são colocadas em estruturas de madeira e taquara chamadas jiraus. Primeiro, secam com a boca para baixo, e depois, com a boca para cima.
  5. Lapidação e polimento: Já seca, a borda da cuia passa por uma lapidação para nivelar o corte. O interior e o exterior são lixados, removendo a rugosidade. A peça recebe polimento externo para ganho de brilho.
  6. Curtimento: O interior da cuia recebe a aplicação direta de fogo para o curtimento.
Foto: Rian Lacerda (Diário)

Após essas etapas, algumas peças recebem acabamentos especiais, como virolas de alpaca (liga metálica), bocais de inox e suportes (pés), de acordo com a preferência dos clientes. 


Como cuidar da cuia?

Foto: Rian Lacerda (Diário)

As cuias fabricadas a partir dos porongos da região de Santa Maria são classificadas como "casco ferro", que diferem da "casco grosso" produzida em outra região do Estado. Por ter o casco ferro, o material tem pouca resistência a temperaturas altas e podem rachar.

Segundo Luana, o principal erro é fazer o primeiro mate com água fervendo, o que pode rachar o recipiente com facilidade. A empresária orienta que o processo de aquecimento seja gradual já que o ideal é lavar a peça com água da torneira e preparar o primeiro chimarrão com água morna, aumentando a temperatura apenas depois.

Outro cuidado fundamental apontado por ela é na hora da secagem. Luana explica que não se deve deixar a cuia exposta ao sol. Basta manter em um ambiente arejado. Como o porongo é uma planta que possui porosidade e micro-organismos naturais, a água entra no material e, se não for seca corretamente em local ventilado, pode fragilizar a parte externa, resultando em rachaduras ou mofo.

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