Foto: Defesa Civil de Rosário do Sul (Divulgação)
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. A oficialização do evento climático, que já era esperada por especialistas após meses de aquecimento gradual das águas, reacende o alerta para a possibilidade de aumento das chuvas no Rio Grande do Sul durante o segundo semestre deste ano.
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Segundo o boletim divulgado pelo Centro de Previsão Climática da agência norte-americana, há 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte nos próximos meses, podendo figurar entre os episódios mais significativos registrados desde 1950. A expectativa é de que as condições se intensifiquem ao longo do inverno e permaneçam durante a primavera, período historicamente associado a eventos de precipitação mais frequentes no Estado.
O desenvolvimento do El Niño já vinha sendo monitorado por centros meteorológicos internacionais. Em maio, a NOAA indicava 82% de chance de formação do fenômeno. Com a confirmação divulgada nesta quinta, o cenário passa a ser oficialmente reconhecido pelos órgãos de monitoramento climático.
Estado ainda se recupera de enchentes de 2024
A consolidação do El Niño ocorre pouco mais de dois anos após a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul. Em maio de 2024, a combinação de um episódio de El Niño iniciado no ano anterior, frentes frias sucessivas e o aquecimento das águas do Oceano Atlântico contribuiu para as enchentes que atingiram quase 95% dos municípios gaúchos.
Na ocasião, o nível do Guaíba chegou a 5,37 metros, superando marcas históricas e provocando o colapso do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre. A tragédia resultou em mais de 180 mortes, além de milhares de pessoas desalojadas e prejuízos bilionários em diferentes regiões do Estado.
Embora a confirmação do fenômeno não signifique a repetição de um evento semelhante ao de 2024, especialistas alertam que o El Niño aumenta a probabilidade de episódios de chuva acima da média no Sul do Brasil.
O que é o El Niño
O El Niño é uma das fases do fenômeno conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que influencia o clima em diversas partes do planeta. Ele ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial registram aquecimento igual ou superior a 0,5°C em relação à média histórica.
Essa alteração modifica a circulação atmosférica global e interfere na distribuição de calor e umidade. No Brasil, os efeitos costumam ser distintos entre as regiões: enquanto o Norte e parte do Nordeste tendem a registrar períodos mais secos, o Sul geralmente enfrenta aumento da frequência e do volume das chuvas.
A fase oposta do ENOS é a La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial e normalmente associada a períodos de estiagem no Rio Grande do Sul.
Maior risco de cheias
A relação entre o El Niño e eventos hidrológicos extremos no Sul do Brasil foi reforçada por um estudo publicado em 2025 pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A pesquisa analisou 45 anos de dados de vazão de rios em 788 estações de monitoramento da América do Sul.
Os resultados indicaram que episódios de El Niño aumentam a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, sistema hidrográfico que abrange parte significativa do território gaúcho.
Diante da confirmação do fenômeno, especialistas e órgãos de monitoramento reforçam a necessidade de manutenção dos investimentos em prevenção, sistemas de alerta e infraestrutura resiliente, especialmente em áreas que ainda se recuperam dos danos provocados pelas enchentes históricas de 2024.