Defesa Civil mapeia risco de inundações e cadastra mais de 260 pessoas em distrito de Santa Maria; entenda como vai funcionar

Defesa Civil mapeia risco de inundações e cadastra mais de 260 pessoas em distrito de Santa Maria; entenda como vai funcionar

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A prefeitura de Santa Maria finalizou uma etapa importante para a prevenção de desastres naturais no distrito de Arroio Grande. Por meio da Secretaria de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, uma força-tarefa realizou o mapeamento técnico e o cadastro de 260 pessoas que vivem em áreas suscetíveis a inundações. A iniciativa busca fortalecer as ações de risco e serve para um novo formato de evacuação e abrigamento, que será descentralizado e focado na realidade da comunidade. O distrito Passo do Verde passou pelo mesmo processo e, hoje, conta com lideranças locais capacitadas para agir de forma imediata em casos de inundações.


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O mutirão de coleta de informações ocorreu de forma simultânea na subprefeitura, no Campo da Vila Figueira e no Salão da Capela São Valentim, na localidade de Três Barras. De acordo com o Executivo, o levantamento identificou 97 imóveis e cadastrou 269 pessoas. Por meio do cadastro, a prefeitura identificou a presença de 14 pessoas com deficiência, além de 73 idosos, 146 adultos, 37 crianças e 13 adolescentes. Número que pode ser maior já que nem todos foram até aos locais de cadastro. A equipe responsável pela ação contou com agentes da Defesa Civil, geólogos, engenheiros florestais e assistentes sociais.

Com esses dados, a intenção do Executivo é oficializar o Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil no distrito. A assistente social Ângela Maria Oliari relata que as informações coletadas estruturam a criação de abrigos descentralizados. O objetivo do município é garantir o acolhimento dentro do próprio território, utilizando espaços como associações comunitárias e salões paroquiais. A gestão desses locais ocorrerá em conjunto com as lideranças locais, garantindo autonomia e agilidade no momento das crises.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

– Não adianta as pessoas ficarem desabrigadas aqui em Arroio Grande e tu levar elas lá para o Centro Desportivo Municipal no Centro. O fluxo delas, o trabalho, a escola das crianças, tudo é no entorno. Por isso a importância de fazermos os núcleos de proteção dentro dos territórios – destaca Ângela.

O cuidado com os animais também pauta o novo modelo. A coleta de dados incluiu o conceito de família multiespécie, fator que a Defesa Civil considera importante, uma vez que a experiência demonstrou que muitos moradores resistem em abandonar suas casas se não puderem levar seus bichos. Ao todo, 506 animais de estimação foram registrados nas áreas de risco. A assistente social explica que as áreas internas de estruturas como as igrejas servirão para as pessoas, enquanto os fundos receberão baias e ninhos adequados para acomodar cães, gatos e aves com segurança.

De acordo com o subprefeito de Arroio Grande, Pablo Mateus Puhales, a descentralização e o mapeamento são estratégicos para a proteção do distrito:

– O cadastro realizado pela Defesa Civil é uma ferramenta fundamental para identificar as famílias e pessoas que podem necessitar de apoio em situações de emergência ou desastre. Com informações atualizadas, o atendimento se torna mais rápido, organizado e eficiente. Pessoas capacitadas conseguem agir com mais segurança, orientar a comunidade e contribuir para a redução de riscos, protegendo vidas e o patrimônio.

O sentimento de segurança e a percepção de necessidade do projeto são compartilhados pelo advogado Patrick Mayer, 33 anos, morador da região:

– Entendo que é importante ter dados para pensar em ações e políticas de prevenção e respostas aos desastres


Rios de montanha tornam o distrito um foco de atenção

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O foco no cadastramento e na preparação da população ocorre em resposta à nova realidade geográfica de Arroio Grande. Atingido por volumes intensos de chuva em maio de 2024 e ao longo do ano seguinte, o distrito sofreu modificações no curso das águas. Moradores de localidades como Fernandes e Três Barras relatam que trechos dos rios que antes mediam cerca de 10 metros de largura ultrapassam hoje a marca de 20 metros.

O geólogo da Defesa Civil, Eduardo Guareschi Muller, explica que os cursos de água da região descem dos morros de municípios vizinhos, como Itaara e Silveira Martins. Essa característica exige um protocolo de ação rápido do Poder Público.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

– Aqui são todos rios de montanha. Não é como um rio de planície onde a inundação sobe devagar. Aqui o processo é uma enxurrada. A água vem rápida, causa danos e logo baixa. O maior problema que enfrentamos é justamente a força dessa enxurrada – detalha o geólogo.


Mapeamento aéreo

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Para entender o novo traçado e prever o comportamento das águas, equipes da Defesa Civil utilizaram drones para captar imagens aéreas e fazer o georreferenciamento dos imóveis. Esse trabalho permite delimitar geometricamente até onde a água pode chegar em novos episódios climáticos.

Hoje, o controle das cotas de inundação exige que os técnicos coletem dados de elevação manualmente com GPS para projetar os alagamentos. No entanto, um projeto do município prevê, por meio da tecnologia, instalar réguas automatizadas. As réguas contam com câmeras 3D e sensores cravados no leito dos rios, transmitindo informações em tempo real via satélite e conexões sem fio para uma central de monitoramento. Dessa forma, mesmo que uma forte enxurrada arraste a estrutura principal, os sensores subterrâneos continuarão emitindo o alerta aos agentes de segurança.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

– O próximo passo é instrumentalizar. Não adianta nada tu só ter dados se não tem um instrumento para te ajudar na hora do evento. A régua te diz de forma concreta que a água vai subir para determinada cota, então realmente vamos tirar essas pessoas. Para instalar cerca de quatro réguas dessas em Santa Maria, o investimento gira em torno de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões – projeta Eduardo.


Cadastro permanece aberto

Os moradores do distrito que não conseguiram realizar o cadastro durante a força-tarefa ainda podem fornecer seus dados. O atendimento ocorre de forma contínua na Secretaria de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, localizada no térreo do Centro Administrativo Municipal, na Rua Venâncio Aires, número 2.277. O local recebe o público de segunda a sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h.


Raio X

  • Unidades habitacionais identificadas: 97 imóveis
  • Cadastros realizados: 97 cadastros (55 na subprefeitura, 9 em Três Barras e 33 na Vila Figueira)
  • Perfil de ocupação: 89 moradores fixos, e 8 locatários e chacreiros/caseiros
  • Famílias com perfil no Cadastro Único: 31
  • Perfil populacional: 269 pessoas (73 idosos, 146 adultos, 37 crianças e 13 adolescentes)
  • Pessoas com deficiência (PcD): 14 pessoas
  • Animais cadastrados: 506 (169 cães, 231 aves e 106 gatos)


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