Foto: Vinicius Becker
A diretoria do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgou uma nota de repúdio aos cortes promovidos pelo governo federal no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O bloqueio já havia atingido outras áreas, como o Ministério da Educação (MEC), que teve R$ 1,6 bilhão contingenciado. O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) sofreu o bloqueio de R$ 490,1 milhões. Desse total, cerca de R$ 300 milhões correspondem ao CNPq, órgão vinculado ao MCTI.
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A medida integra o bloqueio orçamentário anunciado por meio do Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2026, que elevou para R$ 23,6 bilhões o total de recursos contingenciados no Orçamento da União.
De acordo com a nota do Andes-SN, os cortes atingem diretamente o financiamento da pesquisa científica e tecnológica no país.
O sindicato também cobra a recomposição imediata dos recursos destinados à ciência e à tecnologia e defende a construção de políticas permanentes de financiamento, que garantam estabilidade às atividades de ensino, pesquisa e extensão nas instituições públicas de ensino superior no país.
Projetos científicos
A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifestou preocupação com os efeitos do bloqueio. Em nota, a entidade afirmou que a ciência deve ser tratada como investimento estratégico e alertou para os impactos que o bloqueio pode provocar no sistema nacional de pesquisa.
Segundo a ANPG, além de possíveis atrasos no pagamento de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado financiadas pelo CNPq, a medida pode comprometer a contratação e a execução de projetos científicos estratégicos, chamadas públicas de fomento, convênios, manutenção de laboratórios e unidades de pesquisa.
Santa Maria
O vice-reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Tiago Marchesan, aponta que os cortes impactam em todos os setores da instituição.
– Todos os cortes para educação sempre nos preocupam muito porque, na verdade, esses bloqueios financeiros acabam atingindo fundamentalmente nosso ensino, nossa pesquisa, nossa extensão e a nossa inovação. Esses cortes, tanto em nível CNPQ, Capes ou mesmo bloqueios de orçamento e financeiro da Universidade Federal de Santa Maria, acabam impactando enormemente as atividades – destacou o vice-reitor.
Marchesan também ressalta o impacto nos contratos com serviços terceirizados e outros.
– Nós, neste momento, estamos passando por uma dificuldade devido a esses cortes, mas nós estamos em interlocução com o Ministério de Educação todo dia, tentando mitigar os impactos para a universidade – finalizou o vice-reitor.