Foto: Vinicius Becker (Diário)
No local funcionava a antiga garagem e centro de distribuição e está completamente tomado pelo mato.
Entre o fim de maio e o início de junho, 11 agências dos Correios foram fechadas no Rio Grande do Sul. Do total, quatro unidades encerraram as atividades em Porto Alegre, duas em Caxias do Sul e uma em cada um dos municípios de Gramado, na Serra; Rio Grande, no sul do Estado; Triunfo, na Região Carbonífera; São Leopoldo, no Vale do Sinos; e Derrubadas, no Noroeste.
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As medidas fazem parte de um plano de reestruturação da estatal, em meio a prejuízos operacionais bilionários registrados recentemente. Em nota, os Correios afirmaram que o atendimento à população segue mantido, com a oferta de serviços em outras unidades nos municípios.
Em Santa Maria, na Região Central, o serviço segue sendo prestado por cerca de cinco agências distribuídas em diferentes pontos da cidade, além do Centro de Distribuição que fica na RSC-287, Faixa Nova de Camobi. Apesar de não haver confirmação de fechamentos no município até o momento, o cenário estadual acende alerta sobre possíveis impactos futuros.
Em Porto Alegre, as agências fechadas funcionavam no Foro Central, no bairro Praia de Belas; no Campus do Vale da UFRGS, no bairro Agronomia; na Avenida Protásio Alves, no bairro Vila Jardim; e na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon.
Em Caxias do Sul, as unidades encerradas ficam nos bairros Ana Rech e Galópolis, regiões afastadas da área central.
Os Correios informaram ainda que, no momento, não há previsão de novos fechamentos nas próximas semanas. No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS) aponta que outras unidades podem ser atingidas, incluindo centros de distribuição nos bairros Menino Deus e Navegantes, em Porto Alegre.
Leilão em Santa Maria
Em Santa Maria, um patrimônio histórico, localizado na Rua Ernesto Beck, esquina com a Visconde de Pelotas, Bairro Rosário, está com cartaz de leilão. O valor estimado, conforme o Diário já divulgou, é de aproximadamente R$ 4 milhões. O imóvel, que funcionava como antiga garagem e centro de distribuição, possui mais de 11 mil metros quadrados de área.
Interessados podem fazer contato pelo site responsável pelos leilões, ou pelo WhatsApp (11) 94226-6207. A vizinhança está torcendo muito pela venda, porque tanto o prédio como o pátio e a calçada estão tomados pelo mato, causando insegurança geral.
Crise e reestruturação
Os Correios vivem uma grave crise financeira. O mais recente balanço, divulgado no último fim de semana de maio, mostra que a empresa teve prejuízo de R$ 3,1 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026. Em 2025, acumulou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, além de somar resultados trimestrais negativos seguidos desde o final de 2022.
No final de 2025, a estatal anunciou um plano de reestruturação. Como parte deste movimento, ainda em dezembro os Correios anunciaram empréstimo de R$ 12 bilhões junto ao Tesouro Nacional.
Outra medida de ajuste das contas anunciada é o fechamento de mil das cerca de 6 mil agências próprias que a empresa mantém no território nacional. No Rio Grande do Sul, os Correios têm cerca de 500 unidades próprias. O plano também prevê venda de bens.
— Essas medidas ajudam a dar fôlego ao caixa da empresa, mas a meu ver, são paliativas, porque não resolvem a questão estrutural. O principal problema dos Correios é o desequilíbrio entre a receita e as despesas. A empresa se financia a partir das suas receitas, e essas têm diminuído, frente à competição de empresas privadas, por exemplo, enquanto as despesas seguem aumentando. Se não resolver esse desequilíbrio, as dificuldades financeiras da empresa vão se manter — analisa o economista Darcy Carvalho.
Demissão voluntária
Também dentro do plano de reestruturação, os Correios instituíram um novo programa de demissão voluntária. Em todo o Brasil, são cerca de 80 mil empregados diretos, sendo aproximadamente 5,1 mil no Rio Grande do Sul.
A expectativa da gestão da empresa era que cerca de 10 mil trabalhadores aderissem ao PDV neste ano, e outros 5 mil ao longo de 2027. Até o momento, cerca de 3,1 mil funcionários aderiram ao PDV em todo o país. No RS, segundo o Sintect-RS, foram cerca de 85.
— A adesão foi muito baixa porque as condições apresentadas foram muito ruins, ficando muitas vezes bem abaixo do que seria uma rescisão normal, por exemplo. Sem um estímulo mais atraente, é muito pouco provável que essa adesão aumente — destaca o secretário-geral do sindicato, Alexandre Nunes.
Em maio de 2025, os Correios já tinham iniciado um outro PDV. Segundo a estatal, aquele programa teve adesão de aproximadamente 3,5 mil funcionários, o que teria gerado uma economia anual de cerca de R$ 750 milhões.