Estava pensando na vida, olhar fixo em ponto algum, pensamento girando feito redemoinho em dia de vento forte, sem rumo, sem norte, quando abri minha caixa de mensagens e me deparei com um texto que parecia roupa sob medida. Da primeira à última frase devorei cada letra como quem vinha de um longo jejum. Tinha até título, subtítulo e data (infinita) de validade: A eternidade dos instantes.
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“Hoje acordei pensando nos compromissos que assumimos na vida, aqueles que juramos que serão para sempre. Sorri. Quando fazemos essas promessas entendemos tão pouco do que seja o ‘para sempre’. A eternidade nos fascina. Parece que se for para sempre, então terá valor. Como se o tempo fosse a medida do amor, da importância ou da verdade. Será mesmo? Mas e aqueles instantes que duram apenas alguns segundos e, ainda assim, permanecem conosco para sempre? Aquele olhar em que nada é dito, mas tudo é compreendido (e jamais esquecido). Um encontro silencioso que nos conecta de forma tão intensa que atravessa o tempo, o espaço e a distância. Um instante tão pleno que continua existindo mesmo depois de ter passado. Ao longo de uma vida, quantos momentos assim vivemos? Quantos realmente percebemos? E quantos deixamos escapar, mas que voltam espontaneamente para acordar nossa memória? Talvez sejam esses instantes a verdadeira magia da vida. São eles que mantêm acesa a nossa chama interior, aquele fogo sagrado que nos lembra quem somos, quando tudo parece querer nos fazer esquecer. Descobri que o ‘para sempre’ talvez não seja uma promessa feita ao futuro. Talvez seja uma vida que se eterniza em um único instante. Há segundos que carregam uma eternidade. Há encontros breves que permanecem vivos muito depois do relógio seguir seu caminho. Há silêncios que dizem mais do que anos de palavras”.
Quantas vezes tivemos vontade de pedir ao relógio que segurasse o tempo em suas mãos? E quantas vezes deixamos o tempo escapar pelos dedos de nossas próprias mãos, porque no fim o “para sempre” não é o que dura mais, mas o tempo que nem a eternidade consegue apagar. Agora e depois.