A promessa feita pelo secretário de Logística e Transportes do Estado, Juvir Costella, de lançar ainda este ano a licitação para contratar a empresa que vai duplicar os 9,6 km da Faixa Nova de Camobi precisa ser analisada sob 4 pontos:
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1) É preciso lembrar que é ano de eleição e esse tipo de promessa costuma ser feita por políticos de todos os partidos. A intenção de licitar a obra e destinar verbas é importante, mas nem sempre é possível cumprir os prazos diante das burocracias para concluir o projeto e preparar e lançar a licitação. O atraso de 3 anos na entrega do projeto pela empresa Engemin já é um indicativo de que precisamos ter um pé atrás com a promessa de a licitação sair este ano.
2) Sobre pedidos da UFSM e da prefeitura de alteração no projeto de duplicação, como do futuro viaduto da universidade, é provável que o Daer não consiga atender o que foi solicitado. Infelizmente, isso é comum em obras rodoviárias. É ruim porque causará frustração e, talvez, problemas futuros. Porém, qualquer duplicação terá algum impacto negativo para algumas pessoas ou empresas, mas é preciso lembrar que o impacto positivo será muito maior. É preciso cautela para não querer mudar demais e inviabilizar ou atrasar a obra.
3) Costella disse que haverá cerca de R$ 200 milhões para duplicar a Faixa Nova, mas, na entrevista à Rádio CDN, não deixou claro se essa verba está mesmo garantida ou se será encaixada no Orçamento dos próximos anos, já que agora o Estado tem mais fôlego para investimentos. Depois, via WhatsApp, ele respondeu à coluna e esclareceu: “Quando encaminhado para licitação se faz previsão orçamentária, até porque perpassa orçamento.”
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4) Por outro lado, é importante reforçar que o projeto não está esquecido pelo governo do Estado, o que é um bom sinal. No fim de 2020, quando a Faixa Nova ficou fora da concessão de pedágios e, com isso, não havia previsão de ser duplicada, o diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, e o governador Eduardo Leite afirmaram ao Diário que o projeto para duplicação seria licitado. Atrasou o projeto, mas ele está quase pronto. Agora, o Estado volta a dizer que haverá licitação. Se vai conseguir licitar, só o tempo dirá.
E mesmo que saia a licitação, provavelmente a obra não levará só 3 a 4 anos, como afirmou o secretário Costella, já que as principais obras de duplicação da cidade atrasaram muito. Vide a da Travessia Urbana, que tem 14,5 km e bem mais viadutos, mas tem 8 anos só de atraso. Mas pior mesmo seria se o governo nem tivesse pensando em fazer o projeto de duplicação da Faixa Nova. Há estradas bem mais congestionadas na Região Metropolitana que, em tese, o governo teria até mais prioridade para tocar.