Foto: Divulgação
O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame, segue como uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil (CRC) apontam que a mortalidade pela doença continua superando a do infarto. Em 2025, foram registrados 89.490 óbitos por AVC no país. No ano anterior, foram 85.959 mortes por AVC, contra 78.446 por infarto. Durante o inverno, especialistas alertam para um possível aumento dos casos, principalmente em razão da elevação da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para a doença.
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Em entrevista ao Direto da Redação, da TV Diário, o médico neurologista Fábio Pacheco explicou que existem dois tipos de AVC. O mais comum é o isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, que ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro. Já o hemorrágico acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca sangramento cerebral.
— O AVC é uma das condições que mais traz incapacidade e morte no nosso meio. As doenças cerebrovasculares e cardiovasculares estão muito relacionadas aos hábitos de vida e às condições de saúde da população — afirma o especialista.

Inverno exige atenção redobrada
De acordo com Pacheco, o aumento dos casos durante os meses mais frios está relacionado principalmente à pressão arterial.
– Os fatores de risco do AVC são pressão alta, diabetes, cigarro, álcool, obesidade e colesterol elevado. Todos eles podem causar danos nos vasos sanguíneos e favorecer obstruções que interrompem o fluxo de sangue para o cérebro – explica.
O neurologista ressalta que o frio contribui para a elevação da pressão arterial, tornando ainda mais importante o acompanhamento da saúde.
– No inverno, é comum ter um aumento da pressão arterial. Então é nesse momento que a população, principalmente quem já é hipertenso, deve monitorar a pressão e fazer o acompanhamento adequado para evitar descobrir o problema apenas depois de um evento grave – afirma.
Segundo ele, muitas pessoas acreditam não ter hipertensão porque fazem uso de medicamentos e apresentam índices controlados.
– Às vezes, a pessoa diz que não tem pressão alta porque está tomando remédio. Na verdade, ela tem hipertensão, mas está controlada. Por isso, o acompanhamento não pode ser abandonado – destaca.
Estresse também pode influenciar
Embora os fatores de risco estejam presentes durante todo o ano, o médico ressalta que o estresse também pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.
– O estresse está relacionado a processos inflamatórios e também pode favorecer o aumento da pressão arterial. Muitas vezes, a pessoa recebe uma notícia desagradável ou passa por uma situação de grande tensão e o organismo acaba sendo mais exigido naquele momento – explica o neurologista.
Segundo ele, em pacientes que já apresentam fatores de risco, esse cenário pode funcionar como um gatilho para eventos vasculares.
– Geralmente são pessoas que já convivem com pressão alta, colesterol elevado ou alguma obstrução nos vasos. Naquele momento de estresse, o organismo pode não ter reserva suficiente e isso acaba favorecendo o evento vascular — acrescenta.
Sintomas exigem atendimento imediato
O neurologista alerta que reconhecer os sinais de AVC é fundamental para garantir tratamento dentro da chamada janela terapêutica, período em que as intervenções apresentam melhores resultados.
Entre os principais sintomas, estão a perda de força em um lado do corpo, alterações na fala, dificuldade para engolir e assimetria facial.
– A perda de força costuma ser unilateral e às vezes é sutil. O rosto pode ficar assimétrico, a boca pode desviar ou um dos olhos pode parecer mais caído. Também é importante observar dificuldade para falar ou para engolir – orienta médico.
Pacheco destaca que nem sempre os sinais são facilmente identificados e que qualquer suspeita deve ser avaliada por uma equipe médica.
– Sempre que houver dúvida, a pessoa deve procurar atendimento. Se for um AVC, existem tratamentos que podem ser realizados imediatamente e que ajudam a reduzir sequelas – afirma.
A dor de cabeça também pode estar presente em alguns casos, especialmente nos AVCs hemorrágicos, mas não costuma ser um sintoma frequente nos AVCs isquêmicos.

Casos também atingem pessoas mais jovens
Apesar de a população idosa ser a mais afetada por acumular mais comorbidades ao longo da vida, o especialista observa um aumento de casos em pessoas mais jovens.
– A faixa etária mais prevalente continua sendo a população idosa, mas a gente percebe cada vez mais casos em jovens. Já observamos situações envolvendo pessoas com 30 e poucos anos ou 40 anos — relata.
De acordo com ele, hábitos de vida inadequados estão entre os principais motivos para esse crescimento.
– Novamente entram questões como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, alimentação inadequada e falta de controle dos níveis glicêmicos. São fatores que podem ser modificados e que fazem diferença na prevenção – afirma.
O neurologista também lembra que algumas condições cardiovasculares, como arritmias e predisposições genéticas, podem aumentar o risco da doença mesmo em pacientes mais jovens.
"Tempo é cérebro"
Ao final da entrevista, Pacheco reforçou que qualquer suspeita de AVC deve ser tratada como uma emergência médica.
– A dica de ouro é que tempo é cérebro. A pessoa não deve esperar para ver se melhora. Quanto antes chegar à emergência, maiores são as chances de receber o tratamento adequado – alerta.
Segundo ele, existe um período limitado para que determinadas terapias sejam aplicadas.
– Nós temos protocolos e temos tempo para aplicar essas terapias. Dependendo do tempo que passou, o paciente já não é mais candidato ao tratamento e a gente perde uma janela de ouro, uma janela de oportunidade de mudar o desfecho daquele AVC – explica.
Por isso, a orientação é procurar atendimento imediatamente diante dos primeiros sintomas.
– Sempre que houver suspeita, a recomendação é ir para a emergência. Não esperar. Quanto mais rápido o paciente for atendido, maiores são as chances de reduzir sequelas e melhorar a recuperação – conclui.
Principais fatores de risco para AVC:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes;
- Tabagismo;
- Consumo excessivo de álcool;
- Obesidade;
- Colesterol elevado;
- Sedentarismo;
- Estresse associado a outras condições de saúde.
Principais sinais de alerta:
- Fraqueza ou perda de força em um lado do corpo;
- Boca torta ou rosto assimétrico;
- Dificuldade para falar;
- Dificuldade para engolir;
- Alterações repentinas dos movimentos;