Foto: Andreina Possan (Diário)
O senador Hamilton Mourão (Republicanos) esteve em Santa Maria nesta sexta-feira (19) para uma série de agendas no município e participou do programa F5, da Rádio CDN 93.5 FM e da TV Diário, onde falou sobre projetos para a região, cenário político nacional e temas em discussão no Congresso Nacional.
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Durante a passagem pela cidade, o parlamentar participou de um evento na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sobre os chamados Campos Neutrais, iniciativa voltada ao resgate histórico e ao potencial turístico de uma área que marcou disputas territoriais entre Portugal e Espanha no processo de formação do Rio Grande do Sul. Mourão também esteve na Polícia Rodoviária Federal (PRF) para a entrega de uma viatura adquirida com recursos de emenda parlamentar e tratou de novos investimentos para Santa Maria.
Além disso, o senador teve uma reunião com a reitora da UFSM, Martha Adaime, sobre o projeto de construção de um centro de eventos dentro da universidade. Segundo Mourão, a proposta deve ser apresentada à bancada gaúcha no Congresso no fim de junho para buscar apoio em emendas de bancada. Os deputados e senadores gaúchos vão decidir em outubro quais projetos do Estado receberão as verbas da bancada.
Resgate da história do Rio Grande do Sul
No programa, Mourão explicou que a proposta dos Campos Neutrais busca recuperar marcos históricos relacionados à formação territorial do Estado e transformar a região em um novo atrativo turístico. A área envolve municípios como Bagé, Lavras do Sul, São Gabriel e Santa Maria, onde ocorreram disputas entre os territórios português e espanhol antes da definição das fronteiras atuais. Por décadas, o limite entre as terras portuguesas e espanholas foi entre Santa Maria e São Martinho da Serra, onde ocorreram conflitos armados.
Segundo o senador, a recuperação dos marcos de divisa e a criação de uma estrutura para visitação podem transformar o local em um roteiro de turismo histórico.
– É o resgate da nossa memória histórica. O Rio Grande do Sul foi onde ocorreu o choque entre a América portuguesa e a América espanhola. Então, é uma área de se fazer uma caminhada histórica, turismo. A gente sai do Brasil para fazer caminhadas históricas em outros países e nós temos aqui eventos que caracterizam muito bem o que foi o nosso passado – afirmou.
Centro de eventos da UFSM
Outro tema abordado por Mourão foi o projeto de um centro de eventos na UFSM. A proposta, que inicialmente estava relacionada a uma estrutura para feira agropecuária, passou por reformulação e agora prevê um espaço mais amplo para receber eventos de diferentes áreas.
O senador afirmou que Santa Maria tem uma posição estratégica no Estado por sua localização e estrutura logística, destacando a importância de um equipamento que possa atender municípios da região.
Mourão citou ainda o apoio de R$ 1 milhão destinado por meio de emenda para a construção da rua coberta, que já foi licitada para o futuro centro de eventos da UFSM, e afirmou que uma comitiva de Santa Maria deve apresentar o projeto do centro de eventos à bancada gaúcha no dia 30 de junho.
Novo aeroporto regional de Santa Maria
A implantação de um novo aeroporto regional também esteve entre os assuntos tratados durante a entrevista. Mourão afirmou que acompanha o projeto há cerca de três anos e defendeu a importância da obra para ampliar a conexão da região com outras cidades do Estado e do país.
O senador lembrou que as dificuldades enfrentadas pelo Rio Grande do Sul após o fechamento temporário do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, evidenciaram a necessidade de alternativas regionais.
Para Mourão, a mudança de posicionamento sobre o projeto ocorreu a partir do entendimento de que Santa Maria precisa de uma estrutura aeroportuária própria.
– Acho fundamental que Santa Maria tenha um aeroporto, realmente, porque para você se deslocar para o lado oeste do Estado é uma dificuldade. Então, com o aeroporto funcionando, você tem condições de ir a Brasília, por exemplo, ir para Uruguaiana, para São Borja. Esse projeto tem nosso apoio. Quem tem um não tem nenhum. Eu acho que chegaram à conclusão que é uma coisa lógica – disse.
Críticas ao cenário político nacional e caso Banco Master
Durante a entrevista, Mourão também comentou o cenário político em Brasília e as investigações envolvendo o Banco Master. O senador criticou possíveis relações entre autoridades e empresas privadas e defendeu que as apurações avancem sem distinção. Afirmou que o escândalo do Master começou com o governo do PT na Bahia.
Ele afirmou que não mantém relação com o banco e disse que evita receber qualquer tipo de benefício que possa comprometer sua atuação parlamentar.
– Eu preservo a minha honra e a minha integridade. Passei 46 anos no Exército. Aquilo que é público, é público, aquilo que é privado, é privado, não pode se misturar um com o outro. E quando recebemos um mandato, como eu recebi do povo do Rio Grande do Sul, eu tenho que zelar pelo mandato e pelas pessoas que me elegeram – declarou.
Mourão também falou sobre investigações envolvendo integrantes do governo federal, do Congresso e do Judiciário, defendendo que o Senado tenha papel de fiscalização sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), citando que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli deveriam ser investigados. Moraes, devido ao contrato de R$ 132 milhões do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa do ministro, e Toffoli por conta de ter vendido cotas do resort Tayayá. O senador acredita que eles podem ter cometido crime de responsabilidade. Tanto Moraes quanto Toffoli alegam que não houve qualquer irregularidade.
Eleições de 2026 e apoio a Flávio Bolsonaro
O senador confirmou apoio ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República e ao deputado estadual Luciano Zucco (PL) para o governo do Rio Grande do Sul. Durante a entrevista, Mourão também comentou críticas que recebeu após o fim do governo Jair Bolsonaro e negou ter rompido com o ex-presidente.
Segundo ele, deixou de participar das decisões do governo no fim do mandato por decisão de Jair Bolsonaro e afirmou que não teve envolvimento nos episódios investigados relacionados ao período. Mourão diz que segue com boa relação com o ex-presidente e que depôs a favor dele na Justiça, assim como tem boa relação com Flávio.
– O Eduardo é uma metralhadora giratória, que na realidade, nessa posição que ele adotou nos Estados Unidos, que termina por nos prejudicar. Ele vem prejudicando a campanha do próprio irmão com as posições que ele tem adotado nos EUA, inclusive brigando com pessoas que, muito antes da família Bolsonaro se destacar, já combatiam o PT. Por exemplo, teve brigas com o Nikolas (Ferreira), que é alguém que apoia o grupo e tem influência, e o Eduardo toda hora tece críticas ao rapaz.
Mourão também avaliou a repercussão do pedido de recursos feito ao Banco Master para um filme sobre Jair Bolsonaro. Para o senador, Flávio Bolsonaro deveria ter divulgado previamente a informação.
– Quando ele (Flávio Bolsonaro) se lança candidato e, obviamente pela orientação do pai que colocou o dedo e disse "o nosso candidato será o Flávio", quando ele recebe a tarefa do pai, acho que a primeira coisa que ele ter dito foi "Olha, nós pedimos recursos assim e assado para o Banco Master, para (fazer) o filme do meu pai". Se ele tivesse feito isso, ele teria se vacinado. Flávio cometeu esse erro, que ele não poderia ter cometido – comenta o senador, citando que a divulgação fez Flávio cair nas pesquisas.
Questionado se acha correto Flávio ter pedido mais de R$ 130 milhões para o filme do ex-presidente, Mourão comentou:
– Acho que naquele momento o Master era o grande patrocinador de tudo. Eu não pediria, não faria dessa forma.
Escala 6x1 e mudanças nas relações de trabalho
Outro tema abordado foi a proposta que altera a escala de trabalho 6x1, atualmente em discussão no Senado. Mourão afirmou que o debate precisa considerar a realidade econômica do país e disse ser contrário a mudanças que, na avaliação dele, possam aumentar custos para empresas e aumento de preços ao próprio trabalhador.
O senador defendeu que a discussão sobre jornada deve considerar produtividade, informalidade e as características de cada setor.
– Esse assunto foi muito mal colocado. É um assunto eleitoreiro, em um ano de pressão onde todos estão disputando algum cargo eleitoral. Tem apelo popular, mas em um país que tem uma produtividade tão baixa, uma alta informalidade, uma legislação trabalhista que é conflitiva, que dificulta a inovação tecnológica, você não pode querer engessar a relação de trabalho desta forma, porque esse projeto fere algo que se chama "liberdade contratual". A liberdade contratual, minha gente, é você vender a sua força de trabalho de acordo com a sua necessidade. Eu quero trabalhar 20 horas por semana, eu vou trabalhar 20 horas por semana e vou receber pelas 20 horas trabalhadas. Eu vou trabalhar 50 horas por semana, vou trabalhar 50 horas e vou receber pelas 50 horas.
Para Mourão, a proposta ainda deve passar por alterações antes de uma eventual votação no Senado, que ele acredita que ficará para depois das eleições.