Júri do Caso Gabriel: em depoimento, perito afirma que jovem não apresentava sinais de afogamento

Júri do Caso Gabriel: em depoimento, perito afirma que jovem não apresentava sinais de afogamento

Foto: Vitoria Parise (Diário)

O perito Áureo Felipe Norberto Duarte, responsável pela perícia no corpo de Gabriel Marques Cavalheiro, prestou depoimento na manhã desta terça-feira (30), durante o segundo dia do júri dos três policiais militares acusados pela morte do jovem de 18 anos em agosto de 2022, em São Gabriel. Em seu depoimento, afirmou que Gabriel não apresentava sinais típicos de afogamento. O jovem foi encontrado sem vida, submerso em um açude na zona rural do município, uma semana após desaparecer.

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Durante o depoimento, Duarte afirmou que a perícia identificou lesões na região do pescoço e da nuca, locais que concentram estruturas vitais e vasos sanguíneos.

O perito explicou que impactos nessa região podem causar perda rápida da consciência ou até morte imediata. Questionado pela promotoria sobre a possibilidade de Gabriel ter caminhado após sofrer esse tipo de lesão, respondeu que os elementos periciais indicam que a vítima entrou sem vida na água.

O depoimento integra a fase do Tribunal do Júri, que ocorre no Foro da Comarca de São Gabriel, e reúne os relatos de testemunhas de acusação e defesa antes do interrogatório dos réus e dos debates entre as partes.


Relembre o caso

Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.

Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.

No banco dos réus, estão o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar de Porto Alegre.

O Ministério Público afirma que vai ao júri com pedido de condenação e responsabilização dos acusados. A assistência de acusação, que representa a família de Gabriel, sustenta que o julgamento é um momento decisivo para o reconhecimento da responsabilidade criminal.

Já as defesas dos réus afirmam a inocência dos policiais e defendem que o julgamento seja baseado exclusivamente nas provas produzidas no processo.


Acompanhe o julgamento em tempo real

O Diário acompanha, em tempo real, o júri dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro. O julgamento teve início na segunda-feira (29) e tem previsão de durar quatro dias. Clique aqui para conferir as atualizações ao longo da cobertura.

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