Após homicídio no Centro de Santa Maria, secretário detalha ações contra perturbação do sossego e admite limitações de efetivo

Após homicídio no Centro de Santa Maria, secretário detalha ações contra perturbação do sossego e admite limitações de efetivo

Foto: Arquivo Pessoal

A rotina de perturbação do sossego e episódios de violência no centro de Santa Maria, já relatada por moradores antes do homicídio registrado na madrugada de sábado (4), voltou a ser tema de debate nesta segunda-feira (6). Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, o secretário de Segurança e Ordem Pública de Santa Maria, Getúlio de Vargas, detalhou as estratégias adotadas pelo município e defendeu a necessidade de equilíbrio entre fiscalização e direitos individuais.

– Segurança pública é uma atividade muito complexa. Nós temos sempre que fazer o equilíbrio entre fazer segurança pública, atos fiscalizatórios e respeitar os direitos fundamentais, como o direito de ir e vir – afirmou.


Monitoramento, reuniões e planejamento

Secretário de Segurança e Ordem Pública, Getúlio de VargasFoto: Vinicius Becker (Diário)

Segundo o secretário, uma das principais ferramentas da pasta é o chamado “observatório”, sistema que reúne dados de ocorrências registradas na cidade, como perturbação do sossego, crimes e situações de trânsito. A partir dessas informações, são definidas ações semanais.

Tudo o que acontece em Santa Maria vem para um sistema dentro do Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria), onde é analisado. A partir daí, nós fazemos reuniões todas as segundas-feiras para avaliar o que aconteceu e planejar a próxima semana – explicou.

Além disso, encontros também ocorrem às quartas-feiras com órgãos de fiscalização do município, forças de segurança e, em alguns casos, o Ministério Público e a Polícia Civil.


Fiscalizações e diálogo com estabelecimentos

O secretário destacou que o município tem intensificado fiscalizações e buscado diálogo com proprietários de estabelecimentos, especialmente os que funcionam à noite.

Chamamos estabelecimentos que estavam dando problema. Dois compareceram com boa vontade, tivemos um diálogo produtivo. Um não compareceu, infelizmente, localizado nas imediações onde ocorreu o homicídio – relatou.

Entre as medidas já adotadas estão a redução de horários de funcionamento, restrições de estacionamento e monitoramento de locais com maior incidência de ocorrências.


Cultura de aglomeração e venda irregular

Outro ponto levantado por Vargas é a formação de aglomerações em frente a distribuidoras, muitas vezes associadas à venda irregular de bebidas fracionadas.

Criou-se uma cultura de vender bebida fracionada. As distribuidoras não foram autorizadas a comercializar dessa forma, mas as pessoas compram em outros locais e vão consumir na frente dos estabelecimentos – afirmou.

Segundo ele, a prefeitura trabalha na elaboração de um novo decreto para regulamentar de forma mais clara o que é permitido.


Prefeitura fiscaliza bares e distribuidoras de bebidas durante o feriado e realiza seis autuações em Santa Maria


Efetivo limitado e ações pontuais

O secretário reconheceu que a capacidade de fiscalização ainda é limitada pelo número de agentes disponíveis.

Gostaríamos de fazer fiscalização todos os dias, mas não temos efetivo para isso. Nem o poder público municipal, nem a Brigada Militar – disse, acrescentando que há estudos para realização de concurso para a Guarda Municipal.

As operações são realizadas conforme os dados do observatório, priorizando dias e horários com maior incidência de ocorrências.

Ao comentar a realidade de Santa Maria como cidade universitária, o secretário ressaltou a necessidade de conciliar diferentes interesses.

– Nós sabemos que temos que equilibrar o lazer, a alegria, com o direito de quem quer descansar e trabalhar no outro dia. O individual jamais pode se sobrepor ao coletivo – pontuou.


Indicadores e avaliação do cenário

Apesar do episódio recente, Vargas afirmou que indicadores de criminalidade apresentam queda em relação ao ano passado.

– No mesmo período do ano passado, nós tínhamos 18 homicídios. Hoje temos cinco. Não que isso seja bom, nenhum homicídio é bom, mas isso é fruto do trabalho conjunto – disse.

Ele classificou o caso ocorrido no sábado como “grave”, mas também como um episódio fora do planejamento das ações de segurança.

– É um caso fortuito, grave, sim, muito grave, mas que foge da estratégia de segurança pública – afirmou.


Contexto

No domingo (5), o Diário mostrou que moradores da região central já vinham denunciando, há meses, episódios frequentes de aglomeração, barulho, consumo de álcool e violência nas madrugadas. As reclamações incluem dificuldades para dormir, insegurança e mudanças na rotina.

Diante da pressão, a prefeitura avalia novas medidas, como a possível restrição de horários de funcionamento de bares e distribuidoras, além do reforço na fiscalização.

Enquanto isso, a sensação de insegurança segue presente para quem vive na região.

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