Foto: Reprodução
Ao pesquisar o nome de Anibal Rolim nos arquivos históricos do município, entre jornais e antigas revistas, a associação é imediata: o médico traumatologista é sinônimo de Esporte Clube Internacional de Santa Maria. Para além de ocupar um cargo, o dirigente manteve viva a história do alvirrubro da Baixada.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Em uma triste coincidência, no mesmo período em que o Inter-SM se preparava para celebrar seu aniversário de 98 anos, a comunidade esportiva despediu-se, na sexta-feira (15), de um de seus maiores defensores. As causas da morte de Anibal Rolim, que completaria 70 anos em setembro deste ano, ainda não foram divulgadas pela família. A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) emitiu uma nota oficial manifestando profundo pesar e prestando condolências aos familiares e amigos por esta perda.
Embora dividisse o coração com o Grêmio na capital, foi no time santa-mariense que ele encontrou seu verdadeiro lugar. Ali, a trajetória do médico estendeu-se por cerca de 40 anos. Muito antes de assumir a presidência, no início dos anos 2000, Anibal já era figura central nos bastidores do futebol local.
Seu trabalho voluntário no departamento médico, realizando exames e cirurgias sem custos para os atletas tanto do Inter-SM quanto do Riograndense, consolidou sua reputação como um dos maiores benfeitores do esporte no município.
Coragem e a busca pela sobrevivência do clube
O atual presidente do Inter-SM, Pedro Della Pasqua, destaca que a grande conquista de dirigentes como Anibal Rolim foi garantir a continuidade do futebol profissional na cidade, enfrentando as constantes dificuldades financeiras que desafiam os times do interior.
Della Pasqua ressalta que, mesmo diante de uma vasta contribuição social e médica à cidade, a identidade de Anibal sempre esteve entrelaçada ao clube. Como se o cargo de presidente não permitisse despedidas.
A gestão do Anibal garantiu a permanência do time na elite do futebol gaúcho, mas também entrou para a história por um dos episódios mais ousados do alvirrubro: a temporária mudança de nome para Santa Maria Futebol Clube e a alteração das cores tradicionais. A estratégia buscava desvincular a equipe da imagem do homônimo de Porto Alegre, apostando em uma identidade própria para atrair novos patrocinadores e engajar os torcedores locais.
– Foi muito corajoso na mudança de nome lá no início dos anos 2000. Uma tentativa que depois foi revertida, mas alguém tinha que tentar. Isso aí, só um homem com muita coragem e capacidade capaz de fazer – relembra Della Pasqua.
Após deixar a direção, ele seguiu atuando de forma colaborativa com o clube. Longe dos holofotes, o ex-presidente continuou prestando suporte ao time nos bastidores, atuando diretamente junto ao departamento médico, em paralelo a sua profissão de ortopedista e traumatologista.
"Guerreiro do esporte"
O pioneirismo e a generosidade de Anibal Rolim também deixaram marcas profundas naqueles que dividiram a rotina administrativa do clube com ele. Amigos de diretoria e conselheiros relembram o presidente como um homem de transição, que assumiu o comando em um período de escassos recursos estruturais e financeiros.
Em entrevista ao Diário, Marion Garcia, que atuou como vice-presidente de futebol na gestão de Anibal e hoje é conselheiro do clube, relatou que o ex-presidente enxergava o esporte como uma ferramenta de transformação social e educação para os jovens.
– Tivemos grandes vitórias, um grande trabalho, uma pessoa que se doou até o limite quando presidente. Era um verdadeiro guerreiro do esporte, isso que eu posso dizer – afirma Marion Garcia.
A visão humanista e prestativa é endossada por José Alípio Marques Oliveira, ex-presidente do Inter-SM na década de 1980 e atual presidente do Conselho Deliberativo. José Alípio conviveu de perto com a transição das gestões e acompanhou a permanência de Anibal como um conselheiro dinâmico e atuante até o fim da vida.
– Era uma pessoa prestativa, uma pessoa muito boa, de um coração maravilhoso. Colaborou muito com o departamento médico do Internacional, tratou jogadores do clube sempre gratuitamente, nunca cobrou nada – pontua José Alípio.
Com a partida de Anibal Rolim, o Inter-SM perde um pedaço de sua história, mas preserva nas arquibancadas e nos registros da Baixada o exemplo de um homem que não mediu esforços para ver o futebol de sua cidade resistir.
"Homem de palavra, de respeito e de amor incondicional ao clube"
Em nota oficial divulgada na sexta-feira (15), o Inter-SM manifestou seu profundo luto e declarou que a trajetória do ex-presidente confunde-se com a do próprio alvirrubro:
“Homem de palavra, de respeito e de amor incondicional ao clube, Dr. Anibal esteve presente em inúmeros momentos marcantes da trajetória do Inter SM, sempre defendendo com coragem, dignidade e dedicação as cores alvirrubras. Sua história se mistura com a própria história do clube, deixando uma marca eterna na Baixada Melancólica e no coração de gerações de torcedores.”