Foto: Vinicius Becker (Diário)
As obras de restauração da Casa de Cultura de Santa Maria acumulam 11 meses de atraso e voltaram a ter o cronograma alterado. Sem condições de receber o público com segurança, o imóvel histórico não será entregue a tempo e ficou de fora da programação da 53ª Feira do Livro, que ocorre de 7 a 22 de agosto. A utilização de parte do térreo durante a feira havia sido anunciada em julho pelo prefeito Rodrigo Decimo (PSD).
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Segundo o Executivo, a decisão de vetar o espaço durante o evento busca preservar a integridade dos visitantes. O projeto original passou por aditivos ao longo da execução, incluindo a criação de um espaço para café, a transferência da sede da Secretaria de Cultura para o pavimento térreo e a readequação do local do transformador da RGE. As chuvas recentes também desaceleraram os serviços nas fachadas.
Com a mudança, as atividades que estavam previstas para a Casa de Cultura serão realizadas na Praça Saldanha Marinho, no Theatro Treze de Maio e em outros espaços previstos na programação da feira.
Uso parcial do prédio havia sido prometido

A expectativa de reabrir portas ainda que parcialmente foi gerada durante o lançamento oficial da Feira do Livro, em 15 de julho. Na oportunidade, o prefeito afirmou que o andar térreo acolheria ações culturais durante os 16 dias de programação.
– O térreo da Casa de Cultura, pelo menos, já vai estar disponível para que nós possamos ter algumas ações. A gente não vai inaugurar ainda, mas como nós temos uma movimentação tão grande nesses 16 dias de Feira do Livro, a gente já vai usar parte daquele espaço, juntamente com o Theatro e tantas outras áreas espalhadas pela nossa cidade, que a gente chama de ‘a feira fora da feira’ – afirmou o prefeito na época.
Adiamentos sucessivas e impasses técnicos
A ordem de serviço foi assinada em 19 de setembro de 2024, com prazo contratual de 360 dias – o que projetava a conclusão para 14 de setembro de 2025. Desde então, o cronograma sofreu sucessivos adiamentos: primeiro para abril de 2026, depois para o início do segundo semestre e, agora, para o decorrer da segunda metade do ano, sem confirmação de mês.
A empreitada é executada pela empresa Arquium Construções e Restauro Ltda., de Porto Alegre, sob investimento de R$ 6 milhões em recursos próprios do município.
Entre os principais gargalos técnicos que atrasaram os trabalhos estão:
- Redesenho elétrico: A proposta inicial foi reprovada pela concessionária de energia, exigindo um novo projeto e a inclusão de uma subestação transformadora própria no prédio.
- Exigências de preservação: Por se tratar de um bem patrimonial, a intervenção requer escavações manuais no térreo para reforço das fundações, readequação do telhado para manter a volumetria original e restauração minuciosa da fachada em estilo Art Déco.
- Fase atual: As equipes concentram esforços nas instalações elétricas internas e no assentamento de pisos.
Mais de uma década com as portas fechadas
Construído na década de 1940 para sediar o Fórum da comarca, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do município em 2009. Em 2015, acabou interditado pela Defesa Civil em razão de graves fissuras e riscos estruturais.
Após mais de oito anos de abandono, as obras iniciadas em setembro de 2024 trouxeram a promessa de devolver o espaço à comunidade. No entanto, coberto por tapumes na Praça Saldanha Marinho, o imóvel segue sem prazo definitivo para abrir as portas.
Linha do tempo da obra
- Setembro de 2024: Assinatura da ordem de serviço;
- Setembro de 2025: Prazo inicial de conclusão (não cumprido);
- Abril de 2026: Primeira prorrogação estimada (não cumprida);
- Maio/Junho de 2026: Nova estimativa aponta início do segundo semestre;
- Agosto de 2026: Uso na Feira do Livro é descartado por motivos de segurança;
- 2º semestre de 2026: Previsão atual para término das obras, sem mês definido.