Foto: Vinicius Becker (Diário)
A dificuldade em prever tornados e outros fenômenos meteorológicos severos, como o registrado na última semana em Giruá, deverá ser reduzida nos próximos anos com a instalação de três novos radares meteorológicos no Rio Grande do Sul.
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Conforme o meteorologista do Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual, Bruno Zanetti Ribeiro, os equipamentos terão tecnologia mais moderna e permitirão ampliar significativamente a capacidade de monitoramento das tempestades em todo o Estado.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN 93.5 FM, nesta quinta-feira (6), o especialista explicou que os novos radares serão de dupla polarização, tecnologia que oferece informações mais detalhadas sobre a estrutura das tempestades e auxilia na identificação de fenômenos severos.
– A identificação desses tornados vai ser bem aprimorada no Estado. Com esses novos radares, será possível monitorar praticamente todo o Rio Grande do Sul com equipamentos de maior tecnologia – afirmou.
Onde ficarão os novos radares

Segundo Ribeiro, os equipamentos serão instalados em Alegrete, Soledade e Pelotas. O primeiro deles, em Alegrete, deve entrar em operação até o fim deste ano. Os demais têm previsão de instalação no início de 2027.
Os novos equipamentos terão alcance entre 250 e 300 quilômetros para monitoramento de tempestades e irão complementar o radar já existente em Porto Alegre, que possui cobertura mais restrita, entre 100 e 150 quilômetros.
– Ainda existem algumas definições sobre os locais exatos de instalação, mas eles deverão ficar nesses municípios. Juntos com o radar já existente em Porto Alegre, será possível monitorar praticamente todo o Estado – contou.
Por que hoje é difícil prever um tornado?
Embora seja possível identificar a formação de tempestades com antecedência, prever a ocorrência de um tornado continua sendo um dos maiores desafios da meteorologia.
Ribeiro explica que esses fenômenos costumam se formar rapidamente e, muitas vezes, duram apenas alguns minutos.
– Os tornados às vezes duram menos de cinco minutos. Conseguimos identificar a tempestade, mas nem sempre se consegue saber que aquela tempestade tem potencial para produzir um tornado – esclareceu.
Além disso, a limitação tecnológica dos radares atualmente em operação dificulta esse tipo de monitoramento.
O meteorologista cita como exemplo o tornado registrado em Giruá na semana passada. Segundo ele, foi possível acompanhar a tempestade responsável pelo fenômeno, mas não identificar, com antecedência, que ela produziria um tornado.
– Aquela tempestade estava muito distante dos radares que utilizamos hoje, que são o de Santiago e o de Chapecó, em Santa Catarina. Os equipamentos atuais ainda são radares mais antigos – explicou.
O que muda com os novos equipamentos
Os radares de dupla polarização conseguem analisar com mais precisão a estrutura das nuvens e das tempestades, permitindo uma avaliação mais detalhada do potencial para ocorrência de fenômenos severos.
Embora não eliminem totalmente a dificuldade de prever tornados,justamente por serem eventos rápidos e localizados, os novos equipamentos devem ampliar a capacidade da Defesa Civil de emitir alertas mais precisos para tempestades intensas.
A instalação faz parte de uma série de investimentos realizados pelo Estado após os desastres provocados pelas enchentes de 2023 e 2024.
Segundo Ribeiro, além da aquisição dos radares, houve reforço nas equipes de monitoramento meteorológico e hidrológico.
– Hoje a realidade do monitoramento é muito melhor do que existia em 2023 e 2024. Ainda estamos em um processo de melhorias, mas a tendência é que, com esses investimentos, o monitoramento meteorológico e hidrológico evolua bastante nos próximos anos – destacou.
Tornados sempre ocorreram no Estado
O meteorologista também destaca que os tornados não são um fenômeno recente no Rio Grande do Sul. Conforme estudos sobre o tema, as regiões Norte e Noroeste concentram o maior número de registros, mas ocorrências também são registradas na Região Central.
Segundo ele, a percepção de aumento desses eventos está relacionada, em grande parte, ao avanço da tecnologia.
– Hoje praticamente todas as pessoas têm celulares com câmera e conseguem registrar esses fenômenos. Isso faz com que eles pareçam mais frequentes, mas os tornados sempre aconteceram no Rio Grande do Sul – frisou.