O sol e o céu limpo marcaram o Centro Clássicos, encontro de colecionadores e entusiastas de veículos antigos, neste sábado (19), no Parque Basílica Medianeira. Atrações musicais, comida boa e apaixonados de diversas gerações por carros participaram do encontro que ocorre a cada dois anos em Santa Maria. O evento é organizado pela Associação de Veículos Antigos de Santa Maria (Avasm) e permite reunir pessoas de outros lugares do Estado, e até mesmo de outros países para trocar experiências com outros amantes de carros e para admirar vários modelos de veículos clássicos e restaurados.
O presidente da Avasm, Celso Franzen, 65 anos, comenta que a Associação começou, em 1989, como uma reunião entre 10 amigos apaixonados por veículos antigos, e hoje conta com mais de 150 sócios ativos. Até domingo, a estimativa é receber mais de 400 expositores no encontro. Conforme Celso, o Centro Clássico já está no cronograma de eventos do município, e apenas não é realizado mais vezes, porque a Associação depende de recursos.
O presidente estava expondo o Chevrolet Chevette, que já faz parte da família. Dentro do veículo, está toda a história de como o carro é parte da vida dele e da família. Os papéis e as fotos mostram a compra do Chevette, em 16 de maio de 1979, quando estava noivo. Já em 1980, Celso casou-se e o Chevrolet fez parte da cerimônia, além de ter sido batizado com o nome de Mimoso:– A paixão vem desde criança. Eu sentava no colo do meu pai para tentar dirigir e ainda não alcançava os pedais. Minha mãe tinha uma máquina de costura antiga e eu brincava que estava dirigindo naquele aro de ferro. Até me emociono de falar, mas nós entusiastas cuidamos o carro, como se fosse um filho ou um animal de estimação. Porque as peças são difíceis de encontrar para restaurar e manter o veículo no modelo clássico – conta o presidente da Avasm.
Foto: Nathália Schneider (Diário). O presidente da Avasm, Celso Franzen com os papéis da história do Mimoso (Chevrolet Chevette)
O Mimoso, é considerado um veículo clássico, por isso pode usar a placa da cor preta, diferente dos demais. Em Santa Maria, a Avasm realiza a avaliação de pontos dos carros antigos para ser ou não considerado clássico. A ficha técnica envolve itens do carro como volante e chassis e os pontos são dados ou retirados, caso algo foi modificado do modelo clássico. Mas não há problema caso o carro não tenha essa classificação, ele pode ser exposto da mesma forma, porque o importante é a troca de experiências dos entusiastas.
Herança
A paixão por veículos antigos, geralmente, é passada de geração para geração, como é o caso da integrante do grupo Espaço Roda D’Água, Bianca Bassan, 28 anos. Ela conta que o pai trabalhava em uma oficina mecânica e compartilha esse amor por carros desde criança:– Eu trabalho hoje na parte administrativa de uma oficina mecânica também. Hoje, estou expondo a minha Caminhonete S10 da cor branca, ano 1974. O carro foi do meu tio e quando ele faleceu, acabei ficando com ela para restaurar.
Foto: Nathália Schneider (Diário). Integrante do espaço Roda D’água com a Caminhonete S10
O espaço Roda D’água na Boca do Monte, foi fundado em 2020, com quatro carros. Segundo Bianca, o grupo conta atualmente com 100 membros e tem encontros mensais no segundo domingo do mês. Como o Roda D’água começou a dois anos, este é o primeiro Centro Clássicos que participam:– Chegamos ontem à noite. E a expectativa é para que venha mais pessoas, já encontramos entusiastas de outros estados e também de outros países. Está sendo bem legal participar – relata Bianca.
O supervisor técnico, Alex Santos, 48 anos, veio junto com a esposa Alaídes Dariani, 46, de Rosário do Sul para o encontro. Eles vieram com a Garibalda, uma Kombi com caixa de som, almofadas e cama, digna de viajantes. Eles já viajaram até Francisco Beltrão no Paraná com a Garibalda:– O lema da Garibalda é amizade, saúde e tanque cheio, é a vida na estrada, fugir um pouco do cotidiano. Sempre tive esse sonho desde criança. Comecei a reforma da Kombi há oito anos atrás, tive que ir aos poucos. E agora consegui realizar este desejo de viajar – explica Alex.
Foto: Nathália Schneider (Diário)
O Centro Clássicos contou também com amantes de carros diretamente do Uruguai, das cidades de Melo e de Montevidéu, os jornalista Pablo Jackson, 51 anos e o psicólogo Arturo Andreoli, 59. Eles já participaram de diversos encontros aqui no Brasil e percorreram mais de 800 quilômetros com o Fiat 124 Italiano, da cor verde escura, de 1970. O carro tem uma bandeira do Uruguai e do Brasil, para mostrar as relações de amizade entre os dois países. – Final de semana passado, estávamos em São Gabriel em outro evento também, adoramos viajar. Em 2001, comecei a realizar um programa de televisão, na cidade de Melo, para contar a história de colecionadores de veículos antigos. E a partir disso, tivemos a ideia de montar eventos para conhecer outras pessoas que são entusiastas também – conta Jackson.
Já Arturo, relata que é fascinado por carros desde pequeno, lembra que sempre gostou de colecionar carros de brinquedos:– Na juventude, começou meu interesse em reformar carros antigos e a frequentar encontros como esse. Já é minha segunda vez em Santa Maria e adoro saber que atrás de cada veículo tem pessoas muito interessantes.
Foto: Nathália Schneider (Diário). O psicólogo Arturo Andreoli (a partir da esq.); o jornalista Pablo Jackson e a filha Florência Jackson, 17 anos
E, as crianças também não ficaram de fora do encontro. Passeios com mini fuscas também estavam sendo realizados no Parque. O Ben Ugalde de Campos, 3 anos, andou no fusquinha branco, inspirado no modelo do filme Herbie, meu Fusca Turbinado. Ao final, ele exibiu a carteira fusquinha entretenimento que recebeu por participar da brincadeira e falou que queria andar mais, mas no outro, de cor vermelha.
Agende-se
Onde – Parque Basílica Medianeira
Quando – Sábado (19) e Domingo (20), das 8h às 20h
Quanto – R$ 10 para adultos, R$ 5 para crianças e idosos, R$ 50 para expositores e para associados da Avasm gratuito
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